X-Men ’97 virou mais do que uma volta nostálgica da Marvel. A série agora carrega uma disputa pesada entre Beau DeMayo, ex-showrunner, e o estúdio, com acusações de discriminação, investigação interna, NDA e um processo que ainda vai longe.
Resumo rápido
- Beau DeMayo foi demitido em março de 2024, 16 dias antes da estreia
- O processo contra a Marvel começou em setembro de 2024
- O julgamento está previsto para julho de 2027
Não é fofoca de set. É uma briga pública que mexe com uma das animações mais relevantes da Marvel no Disney+ e deixa uma pergunta no ar: quanto dessa crise ainda respinga no futuro da série?
X-Men ’97 no centro de uma briga bem maior
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título | X-Men ’97 |
| Título original | X-Men ’97 |
| Formato | Série animada |
| Estúdio | Marvel Studios Animation |
| Baseada em | X-Men: A Série Animada (X-Men: The Animated Series) |
| Gênero | Ação, aventura, super-heróis e ficção científica |
| Showrunner original | Beau DeMayo |
| Plataforma no Brasil | Disney+ |
| Status | Continuidade planejada |
| Elenco de voz original | Cal Dodd, Lenore Zann, George Buza, Catherine Disher, Chris Potter, Alison Sealy-Smith e Adrian Hough |
X-Men ’97 nasceu como continuação direta de X-Men: A Série Animada. O trunfo era óbvio: visual noventista, elenco de voz clássico e uma atualização de roteiro para falar com quem cresceu com a série.
Funcionou. Em 2024, a animação entrou no grupo de produções mais comentadas do Disney+ e reforçou que a Marvel ainda tem lastro fora do live-action.

A versão de Beau DeMayo
Na versão de DeMayo, a ruptura com a Marvel não foi só profissional. Ele afirma ter sofrido discriminação nos bastidores por ser “um homem negro e queer” e diz que ouviu frases como “você não tem cara de showrunner”.
Também relata que existia uma leitura interna de que sua contratação estaria ligada a DEI, sigla para diversidade, equidade e inclusão. É uma acusação séria, porque mexe com a ideia de legitimidade do cargo.
Outro ponto sensível envolve sua conta no OnlyFans. DeMayo afirma que a Marvel sabia da existência dela antes da demissão e que a orientação era simples: manter vida pessoal e trabalho separados.
A saída aconteceu em março de 2024, só 16 dias antes da estreia de X-Men ’97. Ele contou que recebeu a ligação do RH da Disney enquanto estava na academia. Pelo tamanho da série, a demissão tão perto do lançamento já seria barulhenta. Desse jeito, virou crise instantânea.
O que a Marvel e a Disney sustentam
Do outro lado, Disney e Marvel mantêm uma linha bem mais seca. O desligamento, de acordo com a posição do estúdio tornada pública na época, veio após uma investigação interna.
A justificativa foi a gravidade do que teria sido encontrado. Cobertura da imprensa especializada apontou que a apuração envolvia evidências de má conduta sexual, algo que DeMayo negou meses depois, em vídeo publicado em setembro de 2024.
Esse detalhe muda o peso da história. Não é só uma disputa de narrativa sobre ambiente de trabalho. É um confronto entre denúncia de discriminação e alegações graves de conduta, com cada lado tentando controlar o que pode ou não ser dito em público.

A linha do tempo da ruptura
Quando a cronologia entra na mesa, a briga fica mais clara.
- Março de 2024: Beau DeMayo é demitido pela Marvel/Disney.
- 2024: X-Men ’97 estreia no Disney+ e vira assunto entre fãs da Marvel.
- Setembro de 2024: DeMayo publica vídeo negando as acusações.
- Setembro de 2024: ele abre processo para contestar NDA e cláusulas de não difamação.
- Julho de 2027: julgamento previsto.
O processo importa porque tenta romper o silêncio contratual. Na prática, DeMayo busca espaço para falar livremente sobre a saída e enfrentar a versão do estúdio sem o peso de um acordo assinado.
Por que isso ainda pesa na 2ª temporada
X-Men ’97 não era projeto pequeno dentro da Marvel Animation. Ao lado de What If…? e de Seu Amigão da Vizinhança: Homem-Aranha, a série ajudou a vender a ideia de que o estúdio podia tratar legado com mais cuidado do que vinha fazendo no cinema.
Por isso a queda de braço não some quando os créditos sobem. A 2ª temporada segue como parte importante da estratégia do Disney+, mas agora carrega um ruído de bastidor que muda a conversa entre fãs e imprensa.
Tem mais um detalhe. O peso nostálgico da série depende muito da confiança do público naquele pacote inteiro: roteiro, tom e vozes originais. Cal Dodd como Wolverine, Lenore Zann como Vampira e o resto do elenco clássico não são extra. São parte do apelo.
Se a série continuar forte, a Marvel prova que conseguiu blindar o projeto. Se tropeçar, a saída de DeMayo volta para o centro da discussão na mesma hora.

X-Men ’97 segue no Disney+ no Brasil
Para quem quer separar a série da confusão de bastidor, o caminho continua simples: X-Men ’97 segue disponível no catálogo brasileiro do Disney+. A produção mantém o elo direto com X-Men: A Série Animada e continua sendo uma das apostas mais fortes da Marvel em animação.
No site oficial do Rotten Tomatoes, a recepção crítica segue fácil de encontrar, o que mostra como a série conseguiu unir nostalgia e repercussão real. Só que a obra agora anda com uma sombra fixa: o julgamento marcado para julho de 2027 pode reabrir tudo de novo.