A crise que cerca X-Men ’97 após Beau DeMayo

Por Marina Costa 01/07/2026 às 17:31 5 min de leitura Atualizado: 01/07/2026
A crise que cerca X-Men ’97 após Beau DeMayo
5 min de leitura

X-Men ’97 virou mais do que uma volta nostálgica da Marvel. A série agora carrega uma disputa pesada entre Beau DeMayo, ex-showrunner, e o estúdio, com acusações de discriminação, investigação interna, NDA e um processo que ainda vai longe.

Resumo rápido

Não é fofoca de set. É uma briga pública que mexe com uma das animações mais relevantes da Marvel no Disney+ e deixa uma pergunta no ar: quanto dessa crise ainda respinga no futuro da série?

X-Men ’97 no centro de uma briga bem maior

Item Detalhe
Título X-Men ’97
Título original X-Men ’97
Formato Série animada
Estúdio Marvel Studios Animation
Baseada em X-Men: A Série Animada (X-Men: The Animated Series)
Gênero Ação, aventura, super-heróis e ficção científica
Showrunner original Beau DeMayo
Plataforma no Brasil Disney+
Status Continuidade planejada
Elenco de voz original Cal Dodd, Lenore Zann, George Buza, Catherine Disher, Chris Potter, Alison Sealy-Smith e Adrian Hough

X-Men ’97 nasceu como continuação direta de X-Men: A Série Animada. O trunfo era óbvio: visual noventista, elenco de voz clássico e uma atualização de roteiro para falar com quem cresceu com a série.

Funcionou. Em 2024, a animação entrou no grupo de produções mais comentadas do Disney+ e reforçou que a Marvel ainda tem lastro fora do live-action.

Arte promocional de X-Men '97 destacando Wolverine, Vampira, Tempestade e Gambit
Arte promocional de X-Men '97 destacando Wolverine, Vampira, Tempestade e Gambit (Reprodução)

A versão de Beau DeMayo

Na versão de DeMayo, a ruptura com a Marvel não foi só profissional. Ele afirma ter sofrido discriminação nos bastidores por ser “um homem negro e queer” e diz que ouviu frases como “você não tem cara de showrunner”.

Também relata que existia uma leitura interna de que sua contratação estaria ligada a DEI, sigla para diversidade, equidade e inclusão. É uma acusação séria, porque mexe com a ideia de legitimidade do cargo.

Outro ponto sensível envolve sua conta no OnlyFans. DeMayo afirma que a Marvel sabia da existência dela antes da demissão e que a orientação era simples: manter vida pessoal e trabalho separados.

A saída aconteceu em março de 2024, só 16 dias antes da estreia de X-Men ’97. Ele contou que recebeu a ligação do RH da Disney enquanto estava na academia. Pelo tamanho da série, a demissão tão perto do lançamento já seria barulhenta. Desse jeito, virou crise instantânea.

O que a Marvel e a Disney sustentam

Do outro lado, Disney e Marvel mantêm uma linha bem mais seca. O desligamento, de acordo com a posição do estúdio tornada pública na época, veio após uma investigação interna.

A justificativa foi a gravidade do que teria sido encontrado. Cobertura da imprensa especializada apontou que a apuração envolvia evidências de má conduta sexual, algo que DeMayo negou meses depois, em vídeo publicado em setembro de 2024.

Esse detalhe muda o peso da história. Não é só uma disputa de narrativa sobre ambiente de trabalho. É um confronto entre denúncia de discriminação e alegações graves de conduta, com cada lado tentando controlar o que pode ou não ser dito em público.

A crise que cerca X-Men '97, foto de divulgação
A crise que cerca X (Foto: divulgação)

A linha do tempo da ruptura

Quando a cronologia entra na mesa, a briga fica mais clara.

  • Março de 2024: Beau DeMayo é demitido pela Marvel/Disney.
  • 2024: X-Men ’97 estreia no Disney+ e vira assunto entre fãs da Marvel.
  • Setembro de 2024: DeMayo publica vídeo negando as acusações.
  • Setembro de 2024: ele abre processo para contestar NDA e cláusulas de não difamação.
  • Julho de 2027: julgamento previsto.

O processo importa porque tenta romper o silêncio contratual. Na prática, DeMayo busca espaço para falar livremente sobre a saída e enfrentar a versão do estúdio sem o peso de um acordo assinado.

Por que isso ainda pesa na 2ª temporada

X-Men ’97 não era projeto pequeno dentro da Marvel Animation. Ao lado de What If…? e de Seu Amigão da Vizinhança: Homem-Aranha, a série ajudou a vender a ideia de que o estúdio podia tratar legado com mais cuidado do que vinha fazendo no cinema.

Por isso a queda de braço não some quando os créditos sobem. A 2ª temporada segue como parte importante da estratégia do Disney+, mas agora carrega um ruído de bastidor que muda a conversa entre fãs e imprensa.

Tem mais um detalhe. O peso nostálgico da série depende muito da confiança do público naquele pacote inteiro: roteiro, tom e vozes originais. Cal Dodd como Wolverine, Lenore Zann como Vampira e o resto do elenco clássico não são extra. São parte do apelo.

Se a série continuar forte, a Marvel prova que conseguiu blindar o projeto. Se tropeçar, a saída de DeMayo volta para o centro da discussão na mesma hora.

A crise que cerca X-Men '97, foto de divulgação
A crise que cerca X-Men ’97, foto de divulgação (Reprodução)

X-Men ’97 segue no Disney+ no Brasil

Para quem quer separar a série da confusão de bastidor, o caminho continua simples: X-Men ’97 segue disponível no catálogo brasileiro do Disney+. A produção mantém o elo direto com X-Men: A Série Animada e continua sendo uma das apostas mais fortes da Marvel em animação.

No site oficial do Rotten Tomatoes, a recepção crítica segue fácil de encontrar, o que mostra como a série conseguiu unir nostalgia e repercussão real. Só que a obra agora anda com uma sombra fixa: o julgamento marcado para julho de 2027 pode reabrir tudo de novo.