Maior hit brasileiro da Prime: 24 curiosidades sobre Tremembé

Por Redação Notícias Flix 17/05/2026 às 09:34 12 min de leitura
Maior hit brasileiro da Prime: 24 curiosidades sobre Tremembé
12 min de leitura

Quando Tremembé estreou na sexta-feira de Halloween de 2025, ninguém previa o que viria pela frente. Em poucos dias, a série brasileira do Prime Video virou o maior fenômeno nacional já registrado na plataforma desde sua chegada ao país em 2016, derrubando o recorde que pertencia a Cangaço Novo. Por trás dos cinco episódios protagonizados por Marina Ruy Barbosa, porém, mora uma engrenagem feita de decisões éticas pesadas, processos judiciais, advogados costurando cada cena e detalhes de produção que poucos espectadores imaginam.

O que ninguém te contou sobre o maior hit nacional da Prime Video

1. O presídio dos famosos virou cenário numa fábrica de calcinhas

A produção não pisou na Penitenciária II de Tremembé. A equipe ergueu o presídio inteiro dentro de uma antiga fábrica de lingeries desativada no Tucuruvi, zona norte de São Paulo. O galpão recebeu celas, refeitório, academia, salão de beleza, oficinas de costura e até cartazes de casamento comunitário, replicando detalhes documentados por Ullisses Campbell. As gravações da primeira temporada aconteceram em novembro de 2024.

2. Uma equipe de advogados acompanhou cada cena escrita

A Amazon montou um esquema jurídico específico para Tremembé. Uma equipe de advogados acompanhou todo o desenvolvimento do roteiro, orientando os roteiristas sobre como ficcionalizar sem abrir flanco para processos. As cenas de Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga receberam o escrutínio mais pesado, justamente as figuras com histórico recente de ações judiciais contra emissoras. A informação foi revelada pelo colunista Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo.

3. Nenhum dos criminosos retratados foi consultado

Ullisses Campbell, roteirista e autor dos livros que sustentam a série, foi categórico em entrevista: nem detentos, nem familiares foram procurados durante a produção. O material partiu exclusivamente de suas próprias reportagens, dos autos dos processos e de conversas com advogados e funcionários da Penitenciária II. A decisão evita o risco de barganha por aprovação de imagem, mas também blinda eticamente a obra de qualquer suspeita de colaboração com os condenados.

4. Sandrão foi à Justiça pedir R$ 3 milhões e a retirada da série

Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão e interpretada por Letícia Rodrigues, processou a Amazon após o lançamento. Pediu indenização de R$ 3 milhões por uso indevido de imagem e a remoção da produção do catálogo. A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido liminar em abril de 2026, classificando a retirada como censura prévia. Sandrão acabou ficando de fora da segunda temporada por decisão da própria personagem, motivada também pelo desgaste emocional do papel.

5. A Paranoid Filmes assinou junto com o Amazon MGM Studios

Tremembé é produção da Paranoid Filmes para o Amazon MGM Studios. A produção executiva reúne Manoel Rangel, Egisto Betti e Heitor Dhalia, este último diretor de Serra Pelada e À Deriva. Marina Ruy Barbosa entrou também como produtora associada, raro movimento de protagonismo criativo no streaming nacional. A direção ficou com Vera Egito, que vem do indie carioca, somando rigor autoral a um projeto de massa.

6. Vera Egito, do indie carioca, no leme do maior hit do Prime BR

Vera Egito veio do cinema autoral, com filmes como Amores Urbanos e Todas As Canções de Amor. Tremembé virou seu projeto de maior alcance comercial. Dividiu a direção dos episódios com Daniel Lieff e assinou o roteiro junto com Ullisses Campbell, Juliana Rosenthal, Thays Berbe e Maria Isabel Iorio, equipe quase toda feminina, escolha consistente com a centralidade do ala feminina do presídio na narrativa.

7. Três crimes que sustentam o arco da primeira temporada

A série orbita três casos que pararam o Brasil em décadas diferentes. O assassinato dos pais von Richthofen, executado pelos irmãos Cravinhos em 2002 a mando de Suzane. A morte da menina Isabella Nardoni em 2008, atribuída ao pai Alexandre e à madrasta Anna Jatobá. E o homicídio seguido de esquartejamento de Marcos Matsunaga, em 2012, cometido por Elize. Os três casos coabitam o mesmo pavilhão e a série explora o convívio possível entre eles.

Três detentos com plaquinhas mostrando penas de prisão diante de painel de medição de altura policial em estilo mug shot
(Reprodução/Prime Video)

8. Marina Ruy Barbosa recusou conhecer Suzane antes de gravar

Marina Ruy Barbosa rejeitou qualquer contato com Suzane von Richthofen durante a preparação. Em entrevistas, disse que procurá-la nunca esteve no horizonte criativo. Trabalhou apenas com material público, livros e registros de imprensa, descrevendo o processo como uma desconstrução de si mesma. Para alterar a fisionomia, usou prótese dentária, mudança que reorganiza a boca e desloca o rosto do imaginário Globo que o público associa à atriz.

9. Carol Garcia repetia o próprio nome em voz alta ao sair do set

A atriz Carol Garcia, que interpreta Elize Matsunaga, descreveu o papel como o mais desafiador da carreira. Para se descolar da personagem ao fim de cada diária, criou um ritual narrado em entrevista à F5: ao deixar a gravação, repetia em voz alta o próprio nome completo, a idade, e que tinha acabado de terminar uma cena. O namorado a apoiou cozinhando e colocando música, ajudando no retorno emocional.

10. Felipe Simas saiu do galã global para o tribunal de 2002

Felipe Simas, conhecido por novelas Globo como Totalmente Demais e Salve-se Quem Puder, virou Daniel Cravinhos, o namorado de Suzane condenado pelo assassinato dos pais dela em 2002. A escolha quebrou o tipo físico recorrente do ator, exigindo postura corporal mais retraída e marcas de envelhecimento prisional. Lucas Oradovschi assume Cristian Cravinhos, irmão de Daniel, completando a dupla que entrou na mansão dos von Richthofen.

11. Bianca Comparato de 3% encarna Anna Jatobá

Bianca Comparato, lembrada pela protagonista de 3% e por Sessão de Terapia, entrou como Anna Carolina Jatobá. Em entrevistas de lançamento, refletiu que as histórias estavam adormecidas e que a série iria fazer essas figuras emergirem de novo no debate público. Kelner Macêdo completa o núcleo Nardoni, no papel de Alexandre. Anselmo Vasconcelos vive o ex-médico Roger Abdelmassih, fechando o pavilhão masculino.

12. A semelhança que assustou o próprio Anselmo Vasconcelos

Anselmo Vasconcelos contou em entrevista de divulgação que se chocou ao se transformar em Abdelmassih. Quando sentou na cadeira de maquiagem e raspou a cabeça, percebeu que a semelhança era ainda maior do que imaginava. A direção de arte recriou inclusive marcas de pele e silhueta, reforçando o paralelo direto com manchetes da época da prisão do médico. O resultado virou referência rápida entre espectadores que lembraram da cobertura de 2010.

13. A música tema de Suzane é uma Rita Lee revirada do avesso

O tema musical da personagem de Marina Ruy Barbosa é uma releitura de Perigosa, composição de Rita Lee e Nelson Motta para As Frenéticas, regravada em versão intimista pela voz de Ana Cañas. A trilha original assina Gui Amabis e Rica Amabis. O contraste entre a letra sedutora e o olhar gélido da personagem cria um dos achados estéticos mais comentados pela crítica especializada e pelas redes.

14. A direção de arte recriou casamentos comunitários do presídio real

O cuidado de ambientação foi até onde a maioria das produções não chega. A equipe de arte recriou cartazes anunciando casamentos comunitários no presídio, prática real e bem documentada da Penitenciária II, além de murais com nomes de detentas nas oficinas de costura. Pequenos detalhes etnográficos reforçam a sensação de que o público está visitando, não apenas assistindo, uma rotina possível dentro do sistema prisional brasileiro.

Quatro detentos masculinos atrás de grades em pavilhão prisional com iluminação dourada e ambiente desgastado
(Reprodução/Prime Video)

15. É a série brasileira mais vista da história do Prime Video Brasil

Lançada em 31 de outubro de 2025, Tremembé virou em poucos dias a produção brasileira mais assistida do Prime Video no Brasil desde a chegada do streaming ao país em 2016. O posto pertencia a Cangaço Novo, líder desde 2023. A Amazon confirmou a marca para o elenco e a equipe, mas não divulgou números absolutos, política padrão da plataforma. Foi pulverizado também o recorde de maior estreia de série Original brasileira.

16. Assinaturas do Prime cresceram mais de 50% na semana de estreia

O efeito Tremembé no caixa da Amazon foi medido. A plataforma registrou crescimento superior a 50% no volume de novas assinaturas na semana de lançamento, maior salto de 2025. A maioria dos novos assinantes citou interesse direto em assistir à série como motivo da adesão. O dado foi divulgado pela própria companhia e replicado por veículos de imprensa, sem desmembramento por região do país.

17. Entrou no ranking global de séries internacionais do Prime

Para além do mercado interno, Tremembé furou a bolha doméstica e apareceu no ranking de séries internacionais mais vistas do Prime Video em 2025. O dado foi divulgado em fevereiro de 2026 pela própria plataforma e amplificado pela imprensa especializada. É movimento incomum para um drama em português falado, sem reformatação para o mercado anglófono ou doblagem ampla de catálogo.

18. Cinco episódios, estreia em Halloween

A primeira temporada tem cinco episódios, produzidos pela Paranoid Filmes em parceria com a Amazon MGM Studios. A estreia foi marcada para 31 de outubro de 2025, sexta-feira, em pleno Halloween, escolha de data simbólica para um produto de true crime. A confirmação da segunda temporada veio rápido, em 21 de novembro de 2025, três semanas após a estreia. O fenômeno gerou impacto editorial imediato.

19. A série condensa duas décadas de manchetes brasileiras

Os crimes que sustentam a primeira temporada cobrem dez anos de jornalismo policial. 2002 traz o caso von Richthofen, 2008 a morte de Isabella Nardoni e 2012 o caso Matsunaga. Roger Abdelmassih, preso em 2010, fecha o pavilhão masculino. A série recua e avança no tempo, mas reúne em um único cenário figuras que ocuparam capas de revista em momentos diferentes da história recente do Brasil.

20. Jornalismo policial entrou no banco do roteirista

Ullisses Campbell, paraense, é colunista da seção True Crime do jornal O Globo. Acumula três Prêmios Esso de reportagem e um Embratel de jornalismo em mais de 25 anos de carreira. Sua presença como roteirista, somando outros nomes como Juliana Rosenthal e Thays Berbe, marca um movimento de incorporar repórteres ao processo ficcional, prática rara no audiovisual nacional fora do documentário.

21. Três livros do Ullisses Campbell dentro de um só roteiro

A série destila três volumes do mesmo autor publicados pela Matrix Editora. Suzane: Assassina e Manipuladora (2020), Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido (2021) e Tremembé: O Presídio dos Famosos, lançado pouco antes da série, em setembro de 2025. Os autos dos processos judiciais respectivos completam a base. O livro mais recente funciona quase como guia de bastidores, com detalhes não filmados como a passagem de Suzane pela faculdade dentro da cadeia.

Três mulheres detentas em composição triangular sob iluminação amarelada com grades ao fundo em ala feminina
(Reprodução/Prime Video)

22. A próxima temporada importa Robinho, Brennand e Dominique Scharf

A segunda temporada começou a ser filmada em maio de 2026 em São Paulo. Giovanna Antonelli entra como Dominique Scharf, condenada a 58 anos por roubo, fraude e falsificação. João Vicente de Castro vive Thiago Brennand. Ícaro Silva interpreta Robinho, ex-jogador preso em março de 2024 com pena de nove anos pelo estupro coletivo julgado pela Justiça italiana. Marina, Carol Garcia e Bianca Comparato seguem no elenco.

23. Pacto Brutal e Elize Matsunaga abriram a porta

O fenômeno não nasceu sozinho. Tremembé pega carona em um ciclo de true crime brasileiro recente que inclui Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez, da HBO Max em 2022, e o documentário Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime, da Netflix em 2021, com entrevistas inéditas da própria condenada. A série do Prime Video é a primeira a apostar em formato ficcional puro com elenco famoso para retratar os mesmos casos brasileiros.

24. Robinho estuda processo, repetindo o ciclo Sandrão

Antes mesmo da estreia da segunda temporada, o ex-jogador Robinho avalia entrar com ação contra a Amazon pelo uso de sua história. A notícia, divulgada em abril de 2026, reproduz o ciclo aberto por Sandrão na primeira temporada. A produção mantém a mesma blindagem jurídica do primeiro ano, com revisão de roteiro por equipe especializada, mas a tendência é de novas batalhas em tribunais paulistas conforme cada episódio chegar ao público.

Tremembé em números

A engenharia por trás do maior hit nacional do Prime Video no Brasil passa por dados concretos que ajudam a entender por que a série virou fenômeno em duas semanas.

  • 5 episódios — primeira temporada, com estreia em 31 de outubro de 2025
  • Mais de 50% de crescimento — nas assinaturas Prime Video na semana de lançamento
  • 3 livros — de Ullisses Campbell formaram a base do roteiro
  • 4 grandes casos — von Richthofen, Nardoni, Matsunaga e Abdelmassih
  • 1 fábrica de lingeries — desativada no Tucuruvi virou o presídio dos famosos
  • 21 de novembro de 2025 — data em que a Amazon confirmou a segunda temporada

Por trás da audiência recorde, Tremembé virou caso de estudo sobre como o streaming brasileiro pode atravessar fronteira de gênero e mercado quando há jornalismo investigativo na base do roteiro. A segunda temporada já promete novas figuras, novos processos e a mesma engenharia jurídica que blindou a primeira. A Amazon parece ter encontrado a fórmula brasileira que dá retorno até em ranking internacional.