O que a série de Ed Gein inventou: 24 curiosidades sobre Monstro

Por Redação Notícias Flix 17/05/2026 às 08:47 14 min de leitura Atualizado: 29/06/2026
O que a série de Ed Gein inventou: 24 curiosidades sobre Monstro
14 min de leitura

A terceira temporada da antologia Monstro chegou em silêncio e em poucos dias dominou a conversa nas redes. A história do fazendeiro de Wisconsin que assombrou os Estados Unidos nos anos 1950 prendeu o público da Netflix, escalou o Top 10 global e dividiu a crítica como poucas produções recentes do serviço. Por trás da repercussão, existe um emaranhado de decisões de elenco, transformações físicas radicais e licenças dramáticas que merecem uma boa conversa.

O ponto mais delicado é justamente esse: a série mistura fatos verificáveis com invenções pesadas, e nem sempre avisa onde uma coisa termina e a outra começa. Reunimos o que vale a pena saber antes, durante e depois da maratona.

Antes de mergulhar nessa história sombria, separe o real da ficção

O caso de Ed Gein é real e perturbador, mas a produção da Netflix toma liberdades que confundem quem assiste. Por isso, a seleção a seguir cuida de marcar com clareza o que aconteceu de verdade e o que pertence apenas ao roteiro. Da preparação do elenco às pontes com o cinema de terror, aqui vão 24 curiosidades que ajudam a enxergar a obra com olhos mais críticos.

1. Charlie Hunnam perdeu 14 quilos para virar Ed Gein

A transformação física de Charlie Hunnam beirou o extremo. Para encolher o corpo robusto de Sons of Anarchy e chegar perto da magreza doentia do personagem, o ator fez cardio três vezes por dia durante meses e perdeu cerca de 14 quilos. Ryan Murphy comparou o esforço a uma transformação digna de Touro Indomável, o clássico de Martin Scorsese. O regime começou bem antes de a câmera ligar, num mergulho que mudou a silhueta e a postura do papel por completo.

2. É a primeira temporada de Monstro sem Ryan Murphy na criação

A antologia mudou de comando nesta terceira temporada. Pela primeira vez, Ryan Murphy não assina como cocriador: quem aparece como criador e roteirista solo é Ian Brennan, parceiro de Murphy desde Glee. Murphy permaneceu na produção, mas a autoria roteirística ficou inteiramente com Brennan. A direção também trocou de mãos, já que Max Winkler comandou a maioria dos oito episódios. Foi uma reconfiguração criativa relevante para uma franquia que já tinha emplacado Dahmer e os irmãos Menendez.

3. Hunnam diz que foi enganado para aceitar o papel

Charlie Hunnam afirma que foi praticamente enganado para topar o desafio. Ele marcou uma reunião com Ryan Murphy achando que conversaria sobre outro projeto, ambientado em Roma. Murphy chegou atrasado, vinha pesquisando o assunto o dia inteiro e passou cerca de duas horas falando do criminoso. Só então soltou a pergunta sobre interpretá-lo. Mesmo surpreso, Hunnam aceitou na hora, convencido de que a abordagem seria uma investigação séria da condição humana, e não puro choque.

4. A voz aguda do personagem foi uma escolha deliberada de Hunnam

Muita gente estranhou o timbre fino e hesitante na série, mas trata-se de uma opção consciente do ator. Hunnam construiu uma voz mais aguda inspirada na relação doentia entre Gein e a mãe, que, segundo a versão dramatizada, o detestava por não ter nascido a filha mulher desejada. A ideia era soar preso ao próprio corpo. Curiosamente, ao ouvir gravações reais depois, o ator achou a voz bem diferente da que criara, mas decidiu manter sua cadência mesmo assim.

5. Ryan Murphy quase fez uma temporada sobre Luigi Mangione

Antes de cravar o tema, Ryan Murphy e Ian Brennan chegaram a escrever três episódios sobre Luigi Mangione, acusado de matar um executivo de seguros de saúde. O projeto foi abandonado por falta de material. De acordo com Murphy, os pais não falavam e o julgamento ainda não havia acontecido, então faltava base para um comentário profundo. A desistência abriu espaço para a história de Plainfield, que oferecia uma reflexão mais redonda sobre isolamento e doença mental.

6. Tom Hollander virou Alfred Hitchcock irreconhecível sob próteses

O britânico Tom Hollander interpreta Alfred Hitchcock e fica praticamente irreconhecível sob maquiagem e próteses pesadas. Não é a primeira vez que ele encarna um ícone para Ryan Murphy: Hollander recebeu indicação ao Emmy ao viver Truman Capote em Feud. Aqui, Hitchcock protagoniza uma das subtramas mais surpreendentes, a influência do caso sobre o cinema, conduzindo Anthony Perkins, o ator de Psicose, por uma réplica cuidadosamente reconstruída da casa do fazendeiro.

7. Vicky Krieps teve medo de viver uma nazista pela história da própria família

Vicky Krieps interpreta Ilse Koch, a chamada Cadela de Buchenwald, e quase recusou o papel. A atriz revelou que o tema é íntimo, já que o avô esteve num campo de concentração. O medo era que a televisão tratasse o assunto sem o devido respeito. O que a convenceu foi descobrir que Koch aparece dentro da fantasia do protagonista, a partir de uma história em quadrinhos que ele lê, e não como retrato realista. Para Krieps, interpretar uma fantasia tornou o trabalho suportável.

Cena dramática de minissérie de terror psicológico ambientada nos anos 1950 com iluminação sombria
(Reprodução/Netflix)

8. Laurie Metcalf é a mãe sufocante que ancora a tragédia

Laurie Metcalf, veterana de Roseanne e indicada ao Oscar por Lady Bird, vive Augusta Gein, a mãe fanaticamente religiosa e dominadora de Ed. A escolha é central porque toda a leitura psicológica da série gira em torno dessa relação asfixiante. Augusta proibia qualquer romance, pregava a imoralidade das mulheres e isolava o filho do mundo ao redor. Foi justamente a partir dessa dinâmica que Hunnam justificou até o timbre que criou para o personagem.

9. Addison Rae estreia na atuação como uma vítima real do caso

A cantora e ex-estrela do TikTok Addison Rae aparece no terceiro episódio como Evelyn Hartley, uma adolescente real de 14 anos que desapareceu em 1953 enquanto fazia babá. A série dramatiza o episódio, mas a história verdadeira é mais nebulosa. O desaparecimento ocorreu a horas de distância da casa de Gein, que passou em dois testes de polígrafo e foi descartado como suspeito em 1957. Para o papel, Rae ainda precisou aprender a andar de patins em algumas cenas.

10. A série recria a dança da motosserra de O Massacre da Serra Elétrica

Um dos easter eggs mais explícitos vem no fim da temporada. Gein inspirou Leatherface, o vilão de O Massacre da Serra Elétrica de 1974, que usa máscaras feitas de pele humana. A produção fecha o arco recriando a icônica dança da motosserra que Leatherface executa no clássico de Tobe Hooper, com o protagonista espelhando o movimento macabro. É a ponte visual mais direta entre o homem real e o monstro de ficção que ele ajudou a inspirar décadas depois.

11. Tobe Hooper ouviu a lenda de Gein quando criança em Wisconsin

A série usa um detalhe biográfico verdadeiro do diretor de O Massacre da Serra Elétrica. Tobe Hooper ouviu a história ainda menino, contada por parentes em Wisconsin, que falavam de um homem que desenterrava corpos e usava ossos e pele em casa. Essa memória de infância germinou no roteiro de 1974 e na criação de Leatherface. Por isso, a temporada dedica espaço à concepção do filme, conectando o trauma coletivo de uma comunidade inteira às obras que viriam a assombrar o cinema.

12. O caso gerou três monstros do cinema

O grande fio da temporada é mostrar como um fazendeiro de Plainfield virou matriz de três vilões clássicos. Norman Bates, de Psicose, nasceu do romance de Robert Bloch de 1959, inspirado nos crimes reais. Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica, herdou as máscaras de pele humana. E Buffalo Bill, de O Silêncio dos Inocentes, espelhou a obsessão por costurar troféus com restos de mulheres. A série transforma essa linhagem perturbadora na sua espinha dorsal narrativa.

13. A série pinta Hitchcock como mais um discípulo do caso

A produção não trata Hitchcock apenas como cineasta: ele surge como um voyeur perturbado, quase outro acólito do horror retratado. A trama explora padrões documentados do diretor, como o controle sobre atrizes e a obsessão por loiras, e ecoa as acusações relatadas por Tippi Hedren. Ainda assim, exagera ao sugerir cenas de espionagem que nunca foram comprovadas. O paralelo proposto é temático, apresentando tanto Gein quanto Hitchcock como figuras que exploram a vulnerabilidade alheia, sem provas de equivalência real.

14. Estreou em 3 de outubro de 2025 com apenas oito episódios

Monstro: A História de Ed Gein chegou ao catálogo da Netflix em 3 de outubro de 2025, com oito episódios, dois a menos que as temporadas anteriores da antologia. A produção foi anunciada em setembro de 2024 e teve início de filmagem em 31 de outubro do mesmo ano, em Chicago. Até pouco antes da estreia, o projeto carregava o título provisório de The Original Monster. A redução para oito capítulos acabou influenciando diretamente os números de audiência ao longo das semanas.

Casa de fazenda isolada em clima de suspense com tom de mistério dos anos 1950
(Reprodução/Netflix)

15. Estreou em segundo lugar com 12,2 milhões de visualizações

A temporada não liderou logo de cara. Na estreia, entre 3 e 5 de outubro de 2025, registrou 12,2 milhões de visualizações e 90,6 milhões de horas vistas, ficando em segundo lugar no Top 10 global da Netflix. Mesmo assim, o número superou a largada da temporada dos Menendez. Foi preciso esperar a primeira semana cheia para a série assumir a ponta. O desempenho inicial impressionou justamente por conseguir esse feito com dois episódios a menos que os antecessores.

16. Bateu 20,7 milhões de views na segunda semana e foi número 1 global

O pico veio na segunda semana. Entre 6 e 12 de outubro de 2025, a série saltou para 20,7 milhões de visualizações e 154,2 milhões de horas vistas, assumindo o primeiro lugar mundial em séries de língua inglesa. O resultado superou levemente a segunda semana dos Menendez. A liderança ainda se manteve na semana seguinte. No total, a temporada passou cinco semanas no Top 10, menos que as sete acumuladas pelas temporadas anteriores da franquia.

17. Hunnam foi indicado ao Globo de Ouro mesmo com críticas duras

A recepção crítica foi gélida: 22% de aprovação no Rotten Tomatoes e 28 de 100 no Metacritic, com queixas de tom exagerado, violência gráfica e imprecisões factuais. Apesar disso, o trabalho de Charlie Hunnam foi reconhecido, com indicações ao Globo de Ouro, ao SAG Award, ao Critics’ Choice e ao Satellite de melhor ator em minissérie. A produção ainda venceu o prêmio do Art Directors Guild pelo seu cuidadoso design de produção, um dos pontos mais elogiados de todo o projeto.

18. Ed Gein confessou apenas dois assassinatos, não dezenas

Apesar da fama de serial killer, Ed Gein confessou apenas duas mortes confirmadas: a da dona de bar Mary Hogan, em 1954, e a da comerciante Bernice Worden, em 1957. Ambas eram mulheres de meia-idade, semelhantes à sua falecida mãe. A série exagera ao retratar inúmeros assassinatos e ao inventar encontros com criminosos como Ted Bundy. O horror real do caso estava menos no número de vítimas e mais no que ele fazia com os corpos retirados de cemitérios da região.

19. Gein desenterrou nove corpos e fez objetos com restos humanos

O lado verdadeiro do caso é tão sombrio quanto a ficção. Gein desenterrou nove corpos femininos de cemitérios locais em Plainfield e fabricou objetos macabros, entre eles máscaras feitas de rostos, cadeiras forradas e tigelas a partir de crânios. Quando a polícia revistou sua casa em 1957, encontrou esse acervo grotesco. Foi essa coleção, e não uma sequência de assassinatos, que transformou o pacato fazendeiro de Wisconsin no apelidado Açougueiro de Plainfield para sempre.

20. Gein foi diagnosticado com esquizofrenia e nunca cumpriu pena comum

Um detalhe que a série acerta: em dezembro de 1957, um painel de seis médicos diagnosticou Ed Gein com esquizofrenia, concluindo que ele era incapaz de distinguir o certo do errado. Por isso, foi considerado inimputável e internado em hospitais psiquiátricos, em vez de cumprir pena em prisão comum. A morte de Augusta, em 1945, por um derrame, é apontada como o gatilho de sua espiral. Um dos episódios explora justamente o dever da sociedade com os doentes mentais.

21. É a terceira temporada da antologia, depois de Dahmer e Menendez

A história de Gein fecha uma trilogia de monstros da vida real na antologia da Netflix. A franquia começou com Dahmer: Um Canibal Americano, em 2022, seguida de Monstros: A História de Lyle e Erik Menendez, em 2024, e agora chega ao fazendeiro de Wisconsin, em 2025. Cada temporada troca de criminoso e de elenco, mantendo a assinatura de Ryan Murphy e Ian Brennan. A diferença desta é estrutural, com oito episódios em vez dos dez habituais.

Bastidores de produção de minissérie da Netflix com cenário de época reconstruído
(Reprodução/Netflix)

22. Dahmer continua imbatível, com 115,6 milhões de visualizações

Por mais que a temporada de Gein tenha liderado o Top 10 global, ela ficou longe do fenômeno que abriu a antologia. Dahmer: Um Canibal Americano é o único título da franquia Monstro a entrar na lista das séries mais populares da história da Netflix, com impressionantes 115,6 milhões de visualizações acumuladas. A temporada de Gein cresceu mais rápido que a dos Menendez na largada, mas perdeu fôlego antes. Dahmer segue, portanto, como o teto da marca.

23. A quarta temporada já estava em filmagem com Lizzie Borden

A máquina de Ryan Murphy não parou em Gein. Durante a promoção da terceira temporada, foi revelado que a quarta já começava a ser filmada, desta vez sobre Lizzie Borden, com Ella Beatty no papel principal. Murphy lembrou que Borden foi absolvida em cerca de uma hora por um júri formado apenas por homens muito mais velhos que ela. A escolha confirma o padrão da antologia de revisitar crimes históricos americanos que acabaram virando mito popular.

24. A casa de Gein virou cenário, e atenção ao que é dramatização

Vale fechar a lista com o aviso que percorre todas as anteriores: a série constrói boa parte de seu impacto sobre invenções. Encontros com Ted Bundy e Richard Speck não aconteceram, o voyeurismo atribuído a Hitchcock não foi comprovado e o número de mortes é dramaticamente inflado. O que se sustenta nos fatos, como o diagnóstico, os corpos desenterrados e a influência sobre o terror, já bastava. Por isso, assistir com senso crítico faz toda a diferença na experiência.

Monstro: A História de Ed Gein em números

Para quem gosta de enxergar a temporada além da narrativa, os dados ajudam a dimensionar o tamanho do fenômeno e a separar o ruído do que de fato aconteceu. Reunimos abaixo os principais marcos de audiência, produção e do caso real que sustenta a dramatização.

  • Episódios: 8, dois a menos que as temporadas anteriores da antologia.
  • Estreia: 3 de outubro de 2025 na Netflix.
  • Audiência na 1ª semana: 12,2 milhões de visualizações, em 2º lugar global.
  • Audiência na 2ª semana: 20,7 milhões de visualizações, alcançando o 1º lugar mundial.
  • Aprovação da crítica: apenas 22% no Rotten Tomatoes.
  • Caso real: 2 mortes confirmadas e 9 corpos desenterrados, base da história verdadeira.

No fim das contas, a temporada vale mais como retrato do nosso fascínio coletivo pelo horror do que como aula de história. Entre a transformação de Charlie Hunnam e as licenças do roteiro, fica a sensação de que o caso real já era assustador o suficiente. Resta saber se Lizzie Borden vai seguir o mesmo caminho de exageros, ou se a antologia finalmente vai confiar nos fatos.