Sem a BBC, Peaky Blinders teria existido? Knight responde

Por Marina Costa 18/06/2026 às 04:36 5 min de leitura Atualizado: 18/06/2026
Sem a BBC, Peaky Blinders teria existido? Knight responde
5 min de leitura

Steven Knight foi direto: Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas (Peaky Blinders) não teria existido sem a BBC. A fala joga luz no que muita gente esquece quando lembra só do sucesso na Netflix: antes de virar marca global, a série nasceu como uma aposta arriscada de TV pública britânica.

Resumo rápido

  • Steven Knight disse que a série não existiria fora da BBC
  • O criador citou liberdade criativa e apoio a projetos fora da curva
  • As 6 temporadas seguem disponíveis na Netflix no Brasil

Vale separar bem as fases dessa história. A BBC bancou a origem, o tom e a confiança no projeto. A Netflix ampliou o alcance internacional depois.

Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas nasceu no lugar certo

Steven Knight resumiu o ponto sem rodeio: a BBC foi decisiva porque topou um projeto estranho para o padrão da época. Um drama criminal histórico, sombrio, estilizado e centrado numa gangue da Inglaterra de 1919 não era exatamente a ideia mais óbvia de mercado.

“Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas não existiria fora da BBC.”

Não é pouca coisa. Em 2013, antes da febre de “conteúdo premium” dominar toda plataforma, uma série assim podia morrer no pitch. A BBC comprou a ideia e deixou o criador seguir.

Knight também apontou o que diferencia esse tipo de emissora de um ambiente mais executivo. Quando a BBC confia no criador, a interferência tende a ser menor. Para uma série com voz autoral tão forte, isso pesa muito.

“A BBC apoia projetos curiosos e não interfere criativamente em excesso quando confia em você.”

Steven Knight em evento ou entrevista falando sobre a criação de Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas
Steven Knight em evento ou entrevista falando sobre a criação de Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas (Reprodução)

Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas sempre foi maior que o orçamento

Knight não romantizou a conversa. Ele reconheceu que a BBC não é o lugar para ganhar muito dinheiro. A lógica ali, segundo ele, passa mais por expressão artística do que por retorno imediato.

“Não é o lugar para ganhar muito dinheiro. É o lugar para expressar algo artisticamente.”

Faz sentido. Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas virou referência muito mais por atmosfera, trilha, figurino e texto do que por excesso de escala. A série parece cara em cena, mas o impacto vem do controle de linguagem.

Tommy Shelby funciona por isso. Cillian Murphy segura o personagem no olhar, no silêncio e na postura. O resto do elenco completa o jogo: Paul Anderson, Sophie Rundle, Finn Cole, Tom Hardy e a sempre gigantesca Helen McCrory.

Ficha técnica da série

Item Detalhe
Título no Brasil Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas
Título original Peaky Blinders
Formato Série de TV
Criador Steven Knight
Roteirista principal Steven Knight
Emissora original BBC Two, depois BBC One
Distribuição internacional Netflix
País Reino Unido
Gênero Drama criminal, histórico e thriller
Estreia original 12/09/2013
Encerramento 03/04/2022
Temporadas 6
Episódios 36
Duração média 55 a 65 minutos
Status Finalizada
Plataforma no Brasil Netflix

Detalhe importante: Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas é uma série, não um filme. Parece básico, mas essa confusão volta e meia aparece quando o assunto migra para derivados e expansões do universo.

Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas virou fenômeno depois

A ordem dos fatores aqui importa. A BBC foi a origem. A Netflix foi o megafone.

Quando entrou no circuito global do streaming, Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas deixou de ser só um prestigiado drama britânico. Virou série de camiseta, corte de cabelo, trilha em playlist e referência visual copiada à exaustão.

Mas será que ela teria nascido já dentro de uma plataforma global? A fala de Knight sugere que não. Num ambiente mais guiado por métrica instantânea, a série talvez fosse empurrada para um formato mais fácil, mais limpa e bem menos estranha.

E esse “estranha” aqui é elogio. O charme da série está justamente na mistura improvável: Birmingham do pós-guerra, gangues, política, luto, trauma e Nick Cave tocando por cima. É uma assinatura forte demais para passar ilesa por muito comitê.

Na Netflix, o público brasileiro vê o resultado pronto

No Brasil, as seis temporadas de Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas seguem no catálogo da Netflix. A plataforma disponibiliza a série com opções em português, incluindo dublagem e legendas.

Quem nunca viu pode maratonar tudo de uma vez. São 36 episódios, com média perto de 1 hora cada. Em dois fins de semana longos, dá para atravessar a ascensão e a queda dos Shelby sem pressa.

O mais curioso é esse contraste. Hoje muita gente associa a série diretamente à Netflix, mas o próprio criador está lembrando de onde ela veio de verdade. Sem a BBC, talvez Tommy Shelby nunca tivesse saído de Birmingham — e isso muda bastante a forma de olhar para esse sucesso.

Trailer