Dez anos depois, Passengers pede reavaliação

Por Rafael Duarte 11/06/2026 às 13:06 5 min de leitura
Dez anos depois, Passengers pede reavaliação
5 min de leitura

Passengers completa 10 anos em 2026 com um status estranho: saiu como decepção crítica e voltou como romance sci-fi reavaliado. O filme de Morten Tyldum mistura isolamento, culpa e desejo de um jeito desconfortável — e é isso que mantém a discussão viva.

Resumo rapido

O enredo ainda provoca a mesma reação. Jim acorda cedo demais numa nave-colônia, desperta Aurora e esconde a verdade. Romance espacial? Sim. Mas também um thriller moral disfarçado de história de amor.

De decepção crítica a filme reavaliado

Na época do lançamento, muita gente travou na premissa. Com razão. A ideia de um homem condenar outra pessoa à mesma solidão já carregava um peso difícil de engolir.

Só que o tempo fez o filme mudar de lugar. A crítica foi dura, enquanto o público foi menos hostil, e a bilheteria acabou bem acima do orçamento. Não virou fenômeno, mas também passou longe de fracasso.

Hoje, o Rotten Tomatoes ainda mostra a ferida aberta entre recepção crítica e popular. No Metacritic, a média segue baixa. Mesmo assim, o filme reaparece em discussões sobre sci-fi adulto que envelheceu melhor do que parecia.

Aurora observando Jim ao piano em Passengers
Aurora observando Jim ao piano em Passengers (Reprodução)

Romance espacial ou dilema ético?

Esse é o motivo da longevidade de Passengers. O filme não some da conversa porque seja impecável. Ele continua sendo lembrado porque incomoda.

O marketing vendeu boa parte da experiência como romance espacial estrelado por dois astros. Depois, a conversa virou outra. Consentimento, manipulação, culpa e perdão passaram a ser o centro da leitura.

Funciona? Em partes. O roteiro de Jon Spaihts depende demais da disposição do espectador para aceitar a ambiguidade de Jim. Se você rejeita o personagem logo de cara, metade do filme trava.

Mesmo assim, há mais camadas ali do que a fama de “romance problemático” costuma admitir. Chris Pratt entrega um protagonista mais frágil do que a persona de herói de ação sugeria. Jennifer Lawrence entra como o coração do filme e também como sua consciência moral.

E Michael Sheen? Rouba cena. O androide bartender Arthur continua sendo um dos elementos mais lembrados, justamente porque traz leveza a uma história muito mais sombria do que parece no pôster.

A nave Avalon faz metade do trabalho

Passengers acerta em cheio no visual. A Avalon tem design limpo, luxuoso e quase asséptico, mas nunca parece acolhedora. Quanto mais bonita a nave, mais solitária ela fica.

Isso muda a experiência. Em vez de apostar numa ficção científica grandiosa no estilo Interestelar, o filme usa o espaço como prisão elegante. Está mais perto de Ela, Moon e Ad Astra do que de um sci-fi de ação tradicional.

A direção de arte ajuda muito nessa virada. Corredores vazios, piscina infinita, restaurante sem clientes e janelas gigantes para o nada criam uma sensação quase teatral. É um filme de poucos personagens, mas de muito espaço emocional.

Não por acaso, ele parece melhor hoje. O público atual está mais acostumado a ficção científica introspectiva, menos dependente de explosão e mais interessada em isolamento, trauma e conexão humana.

Ficha técnica de Passengers

Item Detalhe
Título original Passengers
Direção Morten Tyldum
Roteiro Jon Spaihts
Elenco principal Chris Pratt, Jennifer Lawrence, Michael Sheen, Laurence Fishburne
Gênero Ficção científica, romance e drama
Duração 116 minutos
Estreia no Brasil 5/1/2017
Distribuição Sony Pictures Releasing
Bilheteria mundial US$ 303,1 milhões
Bilheteria EUA/Canadá US$ 100,5 milhões
Bilheteria internacional US$ 202,6 milhões
Classificação nos EUA PG-13
Rotten Tomatoes 30% da crítica / 63% do público
Metacritic 41/100

Dez anos depois, ele parece menos descartável

Nem todo mundo vai comprar a história de amor. E tudo bem. Passengers continua irregular, especialmente porque força uma redenção que parte do público nunca aceitou.

Mas chamar o filme de descartável hoje parece preguiça. Ele toca em temas que continuam atuais, usa o espaço como metáfora de solidão extrema e confia bastante no carisma — e no desgaste — dos dois protagonistas.

Tem mais. Dentro da filmografia de Morten Tyldum, é um trabalho menos “prestigiado” do que O Jogo da Imitação, mas também mais arriscado emocionalmente. Menos calculado. Mais incômodo.

No Brasil, Passengers vive de janela em janela

Para quem quer rever ou descobrir agora, o cenário no Brasil muda bastante. Passengers costuma circular entre aluguel digital e catálogos rotativos, sem ficar preso muito tempo a uma única plataforma.

Isso pede checagem antes de dar play. O título segue o mesmo no mercado brasileiro, o que facilita a busca, mas a disponibilidade varia conforme o licenciamento. Dez anos depois, a pergunta ainda fica no ar: Passengers foi mal julgado — ou continua sendo um romance impossível de aceitar?

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