Terror romântico surpreende público com A- no CinemaScore

Por Leandro Lopes 16/05/2026 às 19:49 5 min de leitura
Terror romântico surpreende público com A- no CinemaScore
5 min de leitura

Obsessão (Obsession) estreou nos cinemas brasileiros em 14/05/2026 e já saiu com um selo que terror quase nunca ganha: A- no CinemaScore. Para um gênero que costuma apanhar na reação imediata do público, isso diz bastante sobre a força do filme — e sobre o boca a boca que pode vir agora.

Terror com nota alta na saída da sessão? Aí tem assunto.

Dirigido e escrito por Curry Barker, o longa mistura romance doentio, horror psicológico e body horror. A história acompanha um jovem que usa o sobrenatural Salgueiro dos Desejos para fazer a garota por quem é obcecado se apaixonar por ele. Claro que dá errado. E dá errado feio.

Ficha rápida de Obsessão

Item Detalhe
Título original Obsession
Título no Brasil Obsessão
Direção e roteiro Curry Barker
Elenco principal Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter
Gênero Terror, suspense, romance sombrio, horror psicológico
Estreia no Brasil 14/05/2026
Exibição no Brasil Cinemas
Recepção do público A- no CinemaScore
Destaque em festival Grande Prêmio do Público no Festival de Cinema da Catalunha
Avisos de conteúdo Violência sangrenta e extrema, imagens sinistras, conteúdo sexual, linguagem forte e breve nudez gráfica

O CinemaScore mede a reação do público logo após a sessão. Não é termômetro perfeito de qualidade. Mas é ótimo para entender impacto imediato.

E no terror esse impacto costuma ser cruel. Muita gente entra esperando susto tradicional, sai com algo mais estranho ou pesado e derruba a nota. Por isso, um A- foge do padrão.

Por que um A- quase não aparece no terror

Filme de terror costuma viver entre a aprovação apaixonada dos fãs e a rejeição do público casual. Um ama o gore. Outro odeia. Um compra o desconforto. Outro sai irritado. Resultado: a média geralmente cai.

Obsessão parece ter atravessado essa barreira. Isso sugere duas coisas. Primeiro, o conceito funciona de cara. Segundo, o filme não depende só de choque barato para segurar a atenção.

Também ajuda o fato de ele vender uma ideia fácil de entender. Amor obsessivo, artefato sobrenatural e consequência grotesca. É quase um conto moral de namoro tóxico, mas coberto de sangue.

Esse tipo de mistura costuma lembrar filmes como Pearl, Hereditário e O Homem Invisível, cada um por um motivo. Não porque sejam iguais. Mas porque todos usam trauma, desejo e controle como combustível do horror.

O romance vira pesadelo rápido

Na tela, Michael Johnston interpreta Bear, o rapaz que recorre ao Salgueiro dos Desejos para manipular o amor de Nikki, vivida por Inde Navarrette. Quando a relação nasce de um atalho sobrenatural, o resto já vem contaminado.

O filme não parece interessado em ser fofinho nem irônico. A pegada é mais suja. Mais desconfortável. Menos “terror adolescente de susto” e mais espiral de culpa, posse e mutilação emocional — às vezes literal.

Essa é a combinação que pode explicar a resposta forte do público. O filme tem um gancho quase pop, mas entrega imagens agressivas e um romance venenoso. Quem entra só pelo conceito amoroso tende a encontrar algo bem mais ácido.

Curry Barker ainda não é um nome gigante para o público geral, mas esse tipo de recepção ajuda a mudar isso rápido. Festival ajuda. CinemaScore ajuda mais ainda. Especialmente para um terror independente que precisa convencer na conversa de corredor.

Não é terror para qualquer sessão de domingo

Tem um detalhe importante: a descrição de conteúdo já entrega o nível da brincadeira. Violência sangrenta extrema, imagens perturbadoras, conteúdo sexual e nudez breve. Não é aquele terror para ver distraído comendo pipoca doce.

Quem curte body horror deve achar prato cheio. Quem tem estômago mais fraco talvez saia reclamando — o que torna essa nota ainda mais curiosa. Normalmente, filmes assim apanham na avaliação popular. Aqui, o público comprou a viagem.

Isso pode empurrar Obsessão para além da bolha do fã de terror. Não como fenômeno de massa, claro. Mas como aquele indie estranho que cresce porque muita gente sai dizendo a mesma coisa: “é pesado, mas funciona”.

Em cartaz no Brasil desde 14 de maio

No Brasil, Obsessão está em exibição nos cinemas desde 14/05/2026. Até agora, não há indicação de lançamento em streaming no catálogo brasileiro, então o circuito teatral é a única opção.

A dublagem em português também não foi confirmada amplamente para o lançamento nacional. Na prática, isso significa checar sessão por sessão na sua cidade. Em redes maiores, a tendência é encontrar pelo menos opções legendadas.

Para quem gosta de terror psicológico com romance tóxico no centro, o filme chega com um argumento raro: o público aprovou de verdade. A pergunta agora é outra. Esse A- vai segurar Obsessão nas próximas semanas ou o Brasil vai tratar o filme como curiosidade de estreia?

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