Moriarty vira série e troca Sherlock pela polícia

Por Leandro Lopes 28/05/2026 às 11:28 5 min de leitura Atualizado: 28/05/2026
Moriarty vira série e troca Sherlock pela polícia
5 min de leitura

Moriarty, nova série derivada do universo de Sherlock Holmes, está em desenvolvimento pela Fremantle e pela Archery Pictures. A ideia troca o detetive pelo rival e aposta em um procedural policial moderno — aquele formato de caso da semana — mas ainda sem plataforma definida no Brasil.

Sherlock sem Sherlock? Por enquanto, sim.

O que já está confirmado

Os roteiros serão assinados por Chris Cornwell e Oliver Lansley. A Fremantle cuida da venda global do projeto, então a série ainda não pertence a nenhum canal ou streaming.

Essa diferença pesa. Não estamos falando de uma estreia marcada, mas de um projeto que ainda busca casa.

Também já dá para cravar o tom. A série foi descrita como uma reinvenção moderna, então a aposta é menos Londres vitoriana e mais thriller contemporâneo.

Ficha rápida de Moriarty

Item Detalhe confirmado
Título Moriarty
Universo Sherlock Holmes
Produtoras Fremantle e Archery Pictures
Roteiristas Chris Cornwell e Oliver Lansley
Gênero Crime procedural, mistério e drama
Ambientação Releitura moderna
Status Em desenvolvimento
Disponibilidade no Brasil Ainda sem emissora ou plataforma

Quando o gênio do crime entra na delegacia

A premissa é boa porque mexe no motor da franquia. Em vez de acompanhar Sherlock resolvendo casos, a série põe Professor James Moriarty no centro da investigação.

A versão descrita para a TV é a de um professor de psicologia criminal da Universidade de Durham. Em segredo, ele seria o cérebro por trás de crimes sofisticados no norte da Inglaterra.

Quando um rival do submundo ameaça seu império, Moriarty faz o movimento mais venenoso possível: entra no sistema. Ele passa a atuar como consultor da polícia para destruir o inimigo por dentro.

Ao lado dele estará a detetive Imogen Burrows, policial de Yorkshire descrita como estoica. É uma dupla curiosa na teoria. Na prática, pode render atrito toda semana.

Tem cheiro de série feita para brincar com confiança. A polícia acha que ganhou um aliado. O público sabe que colocou a raposa dentro do galinheiro.

James Moriarty (Donal Finn) e Sherlock Holmes (Hero Fiennes Tiffin) em Young Sherlock
James Moriarty (Donal Finn) e Sherlock Holmes (Hero Fiennes Tiffin) em Young Sherlock (Reprodução)

Mais perto de Hannibal do que de Sherlock

Se a execução vier certa, Moriarty pode ficar mais perto de Hannibal e Dexter do que da estrutura clássica de Sherlock. Menos duelo cerebral entre herói e vilão. Mais convivência tóxica com um anti-herói brilhante.

Isso combina com um mercado que gosta de colocar o vilão no volante. The Penguin funcionou assim. Joker também. O truque é simples de entender: personagens moralmente tortos costumam render conflitos melhores do que mocinhos muito limpos.

Moriarty ajuda ainda mais porque já chega conhecido. Mesmo quem nunca leu Arthur Conan Doyle sabe que esse nome significa problema.

Há outra vantagem comercial. Procedural policial é um formato fácil de vender, porque mistura caso da semana com trama longa e não assusta quem entra no meio.

Faz sentido, então, que a Fremantle esteja levando o projeto ao mercado global. Quem comprar não leva só uma série nova; leva uma marca clássica com cara de produto premium.

O universo de Sherlock Holmes está virando catálogo

Nos últimos anos, Sherlock Holmes saiu do pedestal literário e virou um ecossistema de adaptações. A BBC fez Sherlock com Benedict Cumberbatch. A Netflix achou outro caminho com Enola Holmes. E agora existe até Young Sherlock no radar recente da franquia.

Moriarty puxa a expansão para outro lado. Em vez de rejuvenescimento ou releitura familiar, a aposta agora é o antagonista como protagonista.

É uma mudança esperta. Repetir Sherlock resolvendo charadas já foi feito muitas vezes. Dar ao maior inimigo dele uma vida dupla, um distintivo emprestado e acesso à polícia abre espaço para algo menos previsível.

Mas tem risco. Se a série suavizar demais o personagem, perde veneno. Se exagerar no charme, vira só mais um gênio sarcástico em sala de interrogatório.

Eric Porter como Moriarty em The Adventures of Sherlock Holmes
Eric Porter como Moriarty em The Adventures of Sherlock Holmes (Reprodução)

Sem elenco e sem Sherlock confirmado

Aqui está a parte que segura a empolgação. Nenhum nome do elenco foi anunciado, e isso inclui o próprio Moriarty.

Se você pensou em Andrew Scott, é memória afetiva de Sherlock, não pista de casting. Até agora, não existe qualquer ligação oficial com aquela série da BBC.

O mesmo vale para Sherlock Holmes dentro da trama. A presença do detetive não foi confirmada.

Isso deixa a série numa posição curiosa. O projeto usa uma das marcas mais fortes da ficção policial, mas pode vender sua primeira temporada sem o personagem que normalmente carrega a capa.

Funciona? Funciona, se o roteiro segurar a ambiguidade moral e a parceria com Imogen Burrows tiver faísca. Sem isso, vira só uma inversão bonitinha de premissa.

Sem plataforma no Brasil, por enquanto

No momento, Moriarty não está disponível no Brasil porque ainda não foi comprada por nenhuma emissora ou streaming. Isso também significa sem data de estreia e sem dublagem em português confirmada.

A única certeza é o estágio do projeto: desenvolvimento e venda internacional. A Fremantle já aparece por trás da série no site oficial da produtora, mas o próximo passo ainda depende de quem vai bancar a brincadeira.

Se alguma plataforma fechar esse acordo, vai precisar vender uma ideia incomum: um Sherlock Holmes em que o nome mais confiável da sala talvez seja justamente o menos honesto. E essa é uma aposta que pouca gente compra sem hesitar.