Van Gogh na Pixar? Gatto muda a cara do estúdio

Por Rafael Duarte 27/06/2026 às 03:46 4 min de leitura
Van Gogh na Pixar? Gatto muda a cara do estúdio
4 min de leitura

Gatto, nova animação original da Pixar, saiu do papel com uma ideia que foge do visual mais polido do estúdio: Enrico Casarosa define o filme como a sensação de “entrar em uma pintura de Van Gogh”. E, pelo que já foi confirmado, a estética importa tanto quanto a história do gato preto Nero vagando por Veneza.

Resumo rápido

  • Gatto é dirigido por Enrico Casarosa e se passa em Veneza
  • Filme estreia em 5 de março de 2027 nos EUA
  • Mark Ruffalo e Laurence Fishburne estão no elenco de vozes

A Pixar já brincou com água, luz e textura em Luca e Elementos. Agora, a conversa é outra. Gatto quer parecer menos “CGI perfeito” e mais pintura viva, com textura manual por cima da animação digital.

A Pixar quer um filme que pareça pintado à mão

Essa frase de Casarosa não saiu à toa. Gatto está sendo vendido justamente por esse desvio visual, com composição pictórica e acabamento que lembra tela em movimento, não só imagem renderizada.

É um movimento interessante. A Pixar passou anos refinando o realismo cartunesco, mas o mercado abriu espaço para coisa mais ousada depois de Homem-Aranha no Aranhaverso e Gato de Botas 2: O Último Pedido.

“Entrar em uma pintura de Van Gogh.”

Se Luca parecia verão italiano em aquarela, Gatto aparenta ir por um caminho mais carregado, mais texturizado, quase tátil. Não é exagero dizer que esse pode ser o original mais diferente da Pixar em anos, pelo menos no acabamento visual.

O próprio cenário ajuda. Veneza já tem luz, cor e arquitetura que pedem um filme mais artesanal. Colocar um gato que não sabe nadar no meio desse labirinto aquático é o tipo de premissa simples que rende piada, tensão e imagem bonita ao mesmo tempo.

Nero, Rocco e a confusão felina em Veneza

Na trama, Nero é um gato preto apaixonado por música. Só que ele carrega o peso das superstições locais e ainda precisa sobreviver numa cidade onde cair na água não é exatamente uma opção confortável.

O antagonista felino se chama Rocco, um chefão da máfia dos gatos. Já Maya entra como uma jovem artista de rua. Só por esse trio, dá para sentir o tom: aventura familiar, humor físico e um verniz de drama leve.

Ficha técnica Detalhe
Título Gatto
Estúdio Pixar Animation Studios
Distribuição Walt Disney Studios Motion Pictures
Direção Enrico Casarosa
Produção Andrea Warren
Gênero Animação, aventura e comédia dramática
Ambientação Veneza, Itália
Protagonista Nero
Antagonista Rocco
Elenco de vozes Mark Ruffalo e Laurence Fishburne
Estreia confirmada 5 de março de 2027 nos EUA

A história, sozinha, não parece revolucionária. E tudo bem. O gancho de Gatto está menos no “o que acontece” e mais em “como isso vai ser mostrado”. Em animação, isso faz toda a diferença.

O que esse filme mostra sobre a Pixar agora

Tem um recado industrial aqui. A Pixar sabe que não basta mais vender “novo original do estúdio” como selo automático de evento. O público quer identidade visual clara. Quer bater o olho e entender por que aquele filme existe.

Gatto parece responder exatamente a isso. Em vez de repetir a linguagem clássica da casa, o projeto tenta juntar CGI moderno com textura artesanal. É uma escolha que aproxima o filme de obras como Wolfwalkers e Flow, sem deixar de ser Pixar.

Mas há um risco. Quando o discurso visual cresce demais antes da estreia, o roteiro precisa acompanhar. Senão vira aquele caso clássico de animação linda com história só correta. Bonita, mas esquecível.

Ainda não existem notas consolidadas no Rotten Tomatoes nem no Metacritic porque o filme segue em pré-lançamento. Por enquanto, a conversa gira em torno do conceito e do que a Pixar já exibiu em sua comunicação oficial no site do estúdio.

Quando Gatto chega aos cinemas

A data confirmada hoje é 5 de março de 2027 nos Estados Unidos. O filme, que antes estava marcado para junho, foi adiantado pela Disney. Isso costuma mexer no calendário global, mas a estreia brasileira ainda pode variar por mercado.

No Brasil, o caminho natural é cinema primeiro. Streaming, nem pensar agora. Também não há detalhes públicos sobre dublagem brasileira ou elenco nacional de vozes neste momento.

Para o público daqui, a notícia boa é simples: Gatto já nasceu com personalidade própria, coisa que muita animação grande tenta e não consegue. A dúvida que fica até março de 2027 é outra: a Pixar achou um novo salto visual — ou só um conceito lindo demais para o tamanho da história?

Trailer