Gatto, novo original da Pixar, ganhou detalhes de trama e visual no Festival de Annecy. O longa de Enrico Casarosa coloca um gato preto endividado no meio da máfia felina de Veneza e já tem estreia marcada no Brasil: 4 de março de 2027.
Resumo rápido
- Gatto estreia no Brasil em 4 de março de 2027
- Mark Ruffalo dubla Nero; Laurence Fishburne vive Rocco
- Visual busca textura de pintura inspirada em Monet, Sargent e Tintoretto
A premissa é simples, mas boa. Nero trabalha para Rocco, um chefão que usa a superstição contra gatos pretos a seu favor, e recebe a missão de roubar o violino de Maya. O crime vira outra coisa quando os dois se conectam pela música.
Um gato preto no pior trabalho possível
O centro da história é Nero, preso a uma dívida com Rocco em Veneza, na Itália. Esse detalhe da dívida já deixa o filme mais interessante do que uma aventura fofinha padrão da Pixar.
Tem crime, tem superstição e tem arte no meio. Maya entra como a virada emocional da trama, enquanto Saverio, um pombo que defende os direitos dos pombos, adiciona o tipo de humor lateral que a Pixar costuma usar bem.
Mark Ruffalo dá voz a Nero, e Laurence Fishburne assume Rocco. O restante do elenco ainda não foi detalhado pela Disney, mas o próprio Casarosa dubla Saverio.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | Gatto |
| Estúdio | Pixar Animation Studios |
| Distribuição | Walt Disney Pictures / Disney Studios Motion Pictures |
| Direção | Enrico Casarosa |
| Produção | Andrea Warren |
| Produção executiva | Pete Docter |
| Gênero | Animação, aventura, comédia dramática, fantasia |
| Ambientação | Veneza, Itália |
| Elenco de vozes confirmado | Mark Ruffalo, Laurence Fishburne |
| Estreia no Brasil | 4 de março de 2027 |
| Estreia nos EUA | 5 de março de 2027 |
| Status | Pós-produção |
A Pixar quer parecer pintura, não vitrine de CGI
O visual é o gancho mais forte até agora. A proposta é fazer o público sentir que está vendo uma pintura viva, com pinceladas visíveis, texturas de tinta e um acabamento menos liso que o CGI tradicional do estúdio.
As referências citadas não são pequenas: Tintoretto, John Singer Sargent e Claude Monet. Isso explica o caminho. Em vez do brilho plástico que muita animação grande ainda persegue, Gatto quer uma imagem mais orgânica.
Bonito ele já parece. A dúvida é outra: a Pixar vai bancar essa ousadia até o fim ou vai suavizar o traço para agradar todo mundo?
Se funcionar, o filme entra na conversa das animações comerciais mais autorais dos últimos anos. A comparação óbvia é com Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, que transformou textura em linguagem, não só em enfeite visual.
Outra ponte útil é Robô Selvagem, que também usou um visual pictórico para sustentar emoção. A diferença é que Gatto parece mais íntimo, menos épico, e isso combina com a assinatura de Casarosa.
Casarosa volta à Itália, mas não repete Luca
Quem gostou de Luca vai reconhecer o afeto italiano de cara. Só que agora o diretor sai da nostalgia ensolarada e entra numa Veneza mais carregada, com dívida, superstição e uma camada de melancolia.
Esse movimento faz sentido. Casarosa já mostrou em Luca que sabe trabalhar cultura local sem virar cartão-postal, e aqui a cidade parece ter mais peso dramático.
A melhor notícia é essa: a Pixar segue apostando em original. Em um estúdio cada vez mais puxado por continuações, ver um filme novo, com identidade visual própria e trama menos genérica, já muda o jogo.
Andrea Warren produz, com Pete Docter na produção executiva. Não é detalhe pequeno. Docter costuma entrar em projetos que tentam equilibrar apelo popular com ambição estética, como aconteceu em Soul.
Também vale ficar de olho no tom. A missão de roubar um violino pode soar leve no papel, mas a combinação de máfia felina, arte e música abre espaço para um filme mais agridoce do que o marketing inicial sugere.
Gatto chega primeiro aos cinemas brasileiros
No Brasil, Gatto estreia em 4 de março de 2027, um dia antes do lançamento amplo nos Estados Unidos. Para quem acompanha Pixar por aqui, o caminho inicial é cinema mesmo; streaming ainda não foi anunciado.
A Disney também não detalhou, por enquanto, as vozes brasileiras nem os formatos de exibição. Então a confirmação de dublagem e sessões legendadas deve aparecer mais perto da estreia, como costuma acontecer com lançamentos grandes do estúdio.
Outra coisa importante: ainda não existe nota no Rotten Tomatoes, Metacritic ou bilheteria para citar. O filme segue em pré-lançamento, então qualquer termômetro de crítica ou público seria chute.
O material oficial da apresentação pode ser acompanhado no site da Pixar. Até lá, o que dá para cravar é isto: a ideia de Gatto é forte, o visual é dos mais ousados da Pixar em anos, e 4 de março de 2027 já entrou no calendário dos cinemas brasileiros. Falta ver se a história vai sustentar uma moldura tão bonita.