Gatto estreia no Brasil com visual ousado da Pixar

Por Rafael Duarte 27/06/2026 às 02:31 5 min de leitura
Gatto estreia no Brasil com visual ousado da Pixar
5 min de leitura

Gatto, novo original da Pixar, ganhou detalhes de trama e visual no Festival de Annecy. O longa de Enrico Casarosa coloca um gato preto endividado no meio da máfia felina de Veneza e já tem estreia marcada no Brasil: 4 de março de 2027.

Resumo rápido

  • Gatto estreia no Brasil em 4 de março de 2027
  • Mark Ruffalo dubla Nero; Laurence Fishburne vive Rocco
  • Visual busca textura de pintura inspirada em Monet, Sargent e Tintoretto

A premissa é simples, mas boa. Nero trabalha para Rocco, um chefão que usa a superstição contra gatos pretos a seu favor, e recebe a missão de roubar o violino de Maya. O crime vira outra coisa quando os dois se conectam pela música.

Um gato preto no pior trabalho possível

O centro da história é Nero, preso a uma dívida com Rocco em Veneza, na Itália. Esse detalhe da dívida já deixa o filme mais interessante do que uma aventura fofinha padrão da Pixar.

Tem crime, tem superstição e tem arte no meio. Maya entra como a virada emocional da trama, enquanto Saverio, um pombo que defende os direitos dos pombos, adiciona o tipo de humor lateral que a Pixar costuma usar bem.

Mark Ruffalo dá voz a Nero, e Laurence Fishburne assume Rocco. O restante do elenco ainda não foi detalhado pela Disney, mas o próprio Casarosa dubla Saverio.

Ficha técnica Detalhe
Título Gatto
Estúdio Pixar Animation Studios
Distribuição Walt Disney Pictures / Disney Studios Motion Pictures
Direção Enrico Casarosa
Produção Andrea Warren
Produção executiva Pete Docter
Gênero Animação, aventura, comédia dramática, fantasia
Ambientação Veneza, Itália
Elenco de vozes confirmado Mark Ruffalo, Laurence Fishburne
Estreia no Brasil 4 de março de 2027
Estreia nos EUA 5 de março de 2027
Status Pós-produção

A Pixar quer parecer pintura, não vitrine de CGI

O visual é o gancho mais forte até agora. A proposta é fazer o público sentir que está vendo uma pintura viva, com pinceladas visíveis, texturas de tinta e um acabamento menos liso que o CGI tradicional do estúdio.

As referências citadas não são pequenas: Tintoretto, John Singer Sargent e Claude Monet. Isso explica o caminho. Em vez do brilho plástico que muita animação grande ainda persegue, Gatto quer uma imagem mais orgânica.

Bonito ele já parece. A dúvida é outra: a Pixar vai bancar essa ousadia até o fim ou vai suavizar o traço para agradar todo mundo?

Se funcionar, o filme entra na conversa das animações comerciais mais autorais dos últimos anos. A comparação óbvia é com Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, que transformou textura em linguagem, não só em enfeite visual.

Outra ponte útil é Robô Selvagem, que também usou um visual pictórico para sustentar emoção. A diferença é que Gatto parece mais íntimo, menos épico, e isso combina com a assinatura de Casarosa.

Casarosa volta à Itália, mas não repete Luca

Quem gostou de Luca vai reconhecer o afeto italiano de cara. Só que agora o diretor sai da nostalgia ensolarada e entra numa Veneza mais carregada, com dívida, superstição e uma camada de melancolia.

Esse movimento faz sentido. Casarosa já mostrou em Luca que sabe trabalhar cultura local sem virar cartão-postal, e aqui a cidade parece ter mais peso dramático.

A melhor notícia é essa: a Pixar segue apostando em original. Em um estúdio cada vez mais puxado por continuações, ver um filme novo, com identidade visual própria e trama menos genérica, já muda o jogo.

Andrea Warren produz, com Pete Docter na produção executiva. Não é detalhe pequeno. Docter costuma entrar em projetos que tentam equilibrar apelo popular com ambição estética, como aconteceu em Soul.

Também vale ficar de olho no tom. A missão de roubar um violino pode soar leve no papel, mas a combinação de máfia felina, arte e música abre espaço para um filme mais agridoce do que o marketing inicial sugere.

Gatto chega primeiro aos cinemas brasileiros

No Brasil, Gatto estreia em 4 de março de 2027, um dia antes do lançamento amplo nos Estados Unidos. Para quem acompanha Pixar por aqui, o caminho inicial é cinema mesmo; streaming ainda não foi anunciado.

A Disney também não detalhou, por enquanto, as vozes brasileiras nem os formatos de exibição. Então a confirmação de dublagem e sessões legendadas deve aparecer mais perto da estreia, como costuma acontecer com lançamentos grandes do estúdio.

Outra coisa importante: ainda não existe nota no Rotten Tomatoes, Metacritic ou bilheteria para citar. O filme segue em pré-lançamento, então qualquer termômetro de crítica ou público seria chute.

O material oficial da apresentação pode ser acompanhado no site da Pixar. Até lá, o que dá para cravar é isto: a ideia de Gatto é forte, o visual é dos mais ousados da Pixar em anos, e 4 de março de 2027 já entrou no calendário dos cinemas brasileiros. Falta ver se a história vai sustentar uma moldura tão bonita.

Trailer