Sinopse
O Homem Que Desafiou o Diabo é o filme brasileiro de comédia fantástica de 2007 dirigido por Moacyr Góes (Estômago, 2007, com Marcos Palmeira) e produzido pela Globo Filmes em parceria com Total Entertainment. O filme adapta o romance Pelejas de Ojuara de Nei Leandro de Castro — obra que mistura elementos do cordel nordestino, mitologia popular brasileira e história de Lampião e do cangaço.
A história se passa no sertão nordestino do início do século 20. Zé Araújo (Marcos Palmeira) é caixeiro-viajante mulherengo que chega em Jardim dos Caiacós e seduz a filha do comerciante local. Quando ele descobre que virou motivo de chacota da cidade após o casamento forçado, foge para o sertão e adota nova identidade — Ojuara, o homem que desafia o diabo. A partir daí, suas aventuras viram lenda nordestina.
O elenco coadjuvante traz Flávia Alessandra como Maria do Carmo, paixão de Ojuara, Sérgio Mamberti como o Diabo, Lívia Falcão, Fernanda Paes Leme e José Wilker em participações. O roteiro foi escrito por Moacyr Góes, Bráulio Tavares e o próprio Nei Leandro de Castro — autor do romance original que fez questão de participar da adaptação. A produção rodou em Pernambuco e Rio Grande do Norte em 2006, com financiamento Globo Filmes e patrocínio Petrobras.
Análise — Notícias Flix
O Homem Que Desafiou o Diabo é um caso interessante de cinema brasileiro que tenta abraçar simultaneamente vários elementos da cultura popular nordestina — cordel, cangaço, lenda do diabo, mitologia rural, comédia escatológica — e consegue equilíbrio raro entre todos. Moacyr Góes, diretor experiente da TV Globo e do teatro, conheceu o material de Nei Leandro de Castro em 2003 e perseguiu os direitos por quatro anos antes de viabilizar a produção.
A escolha de Marcos Palmeira como Zé Araújo/Ojuara é central. O ator, então com 43 anos e em fase de prestígio (Carandiru, 2003, Olga, 2004), entrega o personagem com fisicalidade convincente — sertanejo elegante que vira mito popular. Sua atuação dialoga com a tradição do cinema de Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964) e Lima Barreto (O Cangaceiro, 1953) — referências declaradas pelo diretor. Palmeira aprendeu a tocar viola e domou cavalo para as cenas.
Sérgio Mamberti como o Diabo é o destaque cômico do filme. O ator (Estômago, Auto da Compadecida, Toda Forma de Amor) entrega versão sertaneja do personagem clássico do folclore — pequeno, vermelho, traiçoeiro, mas vencido por Ojuara em uma das cenas mais lembradas do filme. A interpretação é tributo direto ao Diabo do Auto da Compadecida de Ariano Suassuna — Suassuna foi consultor cultural informal do filme antes de falecer em 2014.
A recepção crítica foi positiva no Brasil — o filme ganhou Prêmio do Júri no Festival de Brasília 2007 e foi indicado a categorias técnicas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2008. Bilheteria nacional moderada — cerca de 600 mil espectadores em circuito brasileiro, sucesso para padrão de cinema autoral nordestino. Pelas escolhas formais (cordel narrativo, paleta seca de vermelhos e laranjas), o filme se firmou como um dos representantes do cinema regional brasileiro dos anos 2000. No Brasil, está disponível no Prime Video e Apple TV (aluguel/compra). A Globo Filmes mantém os direitos.
Ficha técnica
- Roteiro
- Bráulio Tavares
- Fotografia
- Jacques Cheuiche
- Trilha sonora
- André Moraes
- Edição
- Leticia Giffoni
- Duração
- 106 min
Curiosidades sobre O Homem Que Desafiou o Diabo
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Adaptado de romance de Nei Leandro de Castro
O filme adapta o romance Pelejas de Ojuara de Nei Leandro de Castro — escritor potiguar (Rio Grande do Norte) nascido em 1940, conhecido por obras que misturam realismo mágico nordestino com fantasia popular. O autor coassinou o roteiro do filme com Moacyr Góes e Bráulio Tavares. É um dos casos raros de autor original brasileiro participando ativamente da adaptação cinematográfica.
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Direção de Moacyr Góes (Estômago, 2007)
Moacyr Góes dirigiu também Estômago (2007), filme com Marcos Palmeira no papel-título — Festival de Trieste e Sundance Latin American. Os dois filmes foram lançados no mesmo ano com o mesmo ator principal. Góes vinha da carreira sólida no teatro brasileiro e em direção de novelas Globo desde os anos 90. Faleceu em 2024, aos 67 anos, deixando a carreira inteira ligada ao cinema regional brasileiro.
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Marcos Palmeira aprendeu viola para o papel
Marcos Palmeira aprendeu a tocar viola caipira durante três meses de preparação para o papel — instrumento essencial para representar a tradição musical nordestina. Também domou cavalo para as cenas de cavalgada pelo sertão. O ator declarou em entrevistas que considera Ojuara um dos papéis mais físicos da carreira, ao lado de Zé Bicicleta em Carandiru (2003).
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Filmagens em Pernambuco e Rio Grande do Norte
A produção rodou em locações reais no sertão pernambucano e potiguar entre setembro e dezembro de 2006. As cidades-chave foram Triunfo (PE), Caicó (RN) e Lajes (RN) — paisagens que evocam o cangaço de Lampião dos anos 1920-30. A produção contratou cerca de 200 figurantes locais como atores ocasionais. O orçamento total foi cerca de R$ 7 milhões, alto para padrão de cinema nordestino.
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Sérgio Mamberti como o Diabo nordestino
Sérgio Mamberti (1939-2021) entrega versão sertaneja do Diabo — pequeno, vermelho, traiçoeiro. A interpretação é tributo direto ao Diabo do Auto da Compadecida de Ariano Suassuna (peça de 1955, filme de 2000). Mamberti tinha 67 anos durante as filmagens e fez o personagem em cinco aparições principais ao longo do filme — sempre vencido por Ojuara em diferentes pelejas (combates típicos do cordel).
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Prêmio do Júri no Festival de Brasília 2007
O Homem Que Desafiou o Diabo ganhou Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília 2007 (40ª edição) — uma das maiores premiações do cinema brasileiro. Também foi indicado a Melhor Filme, Direção, Roteiro, Direção de Arte e Fotografia no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2008 — sem vencer nenhuma categoria principal, mas levando prêmios técnicos.
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Bilheteria de 600 mil espectadores
Em circuito teatral brasileiro, o filme atingiu cerca de 600 mil espectadores em 2007-2008 — sucesso comercial sólido para cinema autoral nordestino, à frente de filmes do mesmo gênero como Cartola (2006, ~300 mil) e Estômago (2007, mesmo diretor, ~400 mil). Bilheteria total estimada em R$ 5,5 milhões — recuperou aproximadamente 80% do investimento. Não circulou internacionalmente em escala comercial.
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Disponível no Prime Video Brasil
O filme está disponível no Prime Video Brasil (incluído na assinatura) e Apple TV (aluguel/compra). Não está em catálogo de assinatura Netflix, Disney+ ou Globoplay no momento — apesar de produzido pela Globo Filmes. O filme também aparece regularmente em programações de canal Canal Brasil e Telecine Brasil. Em 2024, foi indicado a inclusão no catálogo permanente Globoplay, decisão pendente.
Datas-chave
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Lançamento mundial
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