Morra, Amor
Filme

Morra, Amor

"Viva. Ame. Odeie."

★ 6.2 2025 1h 59m 16 Drama

Grace (Jennifer Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson) deixam Nova York para se mudar para uma casa antiga isolada no interior de Montana, herdada da família. A ideia é simples: ela escreverá o romance que sempre quis terminar, ele trabalhará à…

Onde assistir
Diretor
Lynne Ramsay
Elenco
Jennifer Lawrence, Robert Pattinson, Sissy Spacek
Produção
Excellent Cadaver, Sikelia Productions
Origem
EUA
Título original
Die My Love

Onde Assistir Morra, Amor no Brasil

MUBI
MUBI Amazon Channel

Sinopse

Grace (Jennifer Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson) deixam Nova York para se mudar para uma casa antiga isolada no interior de Montana, herdada da família. A ideia é simples: ela escreverá o romance que sempre quis terminar, ele trabalhará à distância, terão o filho que planejaram. O bebê chega cedo. O romance, não. E Jackson começa a viajar a trabalho com frequência cada vez maior.

Sozinha durante os dias longos da rotina materna, Grace mergulha em depressão pós-parto severa que ela mesma não consegue nomear. Os dias passam dentro da casa silenciosa, alternados por episódios cada vez mais violentos: ela quebra coisas, foge nua pelo bosque, persegue Jackson com ciúme paranoico. A sogra Pam (Sissy Spacek) tenta intervir sem conseguir ler. Karl (LaKeith Stanfield), vizinho próximo, vira tentação adicional num casamento à beira do colapso.

Dirigido por Lynne Ramsay (Precisamos Falar Sobre o Kevin), Morra, Amor adapta o romance Matate, amor (2012) de Ariana Harwicz. Foi indicado à Palma de Ouro em Cannes 2025 e comprado pela MUBI por US$ 24 milhões.

Análise — Notícias Flix

7.8
de 10

Morra, Amor é o tipo de filme que divide audiência crítica e audiência popular em campos quase irreconciliáveis — e ambos os campos têm razão sobre o que estão vendo. Lynne Ramsay, em retorno depois de Você Estava Aqui (2017) que já havia rendido prêmio de melhor roteiro em Cannes, entrega aqui uma das obras mais formalmente arriscadas de sua filmografia: estudo psicológico sobre depressão pós-parto severa filmado com a ferocidade estilística que ela aprendeu em Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011).

A maior força do filme é Jennifer Lawrence em performance que provavelmente entra no top três da carreira dela. A atriz, que também produziu o filme através de sua produtora Excellent Cadaver, abre mão de qualquer noção de glamour ou simpatia para construir Grace como personagem emocionalmente irreconhecível — mulher inteligente que perde o controle do corpo, do desejo, da função materna, da lucidez. Cenas de violência psicótica alternam com momentos de desespero animal e silêncios prolongados onde Lawrence apenas observa o nada. Roger Ebert e o Deadline já mencionaram nomeação ao Oscar — provavelmente justa.

Robert Pattinson, em parceria que prolonga sua linha de escolhas sofisticadas pós-Crepúsculo (Os Farois, O Rei, Tenet, Mickey 17), entrega Jackson como marido que oscila entre afeto verdadeiro e omissão covarde — homem que não entende o que está acontecendo com a esposa e prefere não tentar entender. A química com Lawrence é quase desconfortável de tão crua. Sissy Spacek (em uma de suas raras aparições recentes) e Nick Nolte como sogros adicionam textura emocional sem virar caricatura geracional.

O ponto mais discutido é o estilo visual. Ramsay, sempre conhecida por estética agressiva — câmera próxima, montagem fragmentada, uso expressivo de música — dobra a aposta aqui. Cenas longas de Grace nua na floresta, sequências em câmera lenta com punk-rock no fundo, ângulos invertidos durante crises dissociativas. A crítica americana premium aplaudiu (74% Rotten Tomatoes, 72 Metacritic). O público comercial rejeitou: CinemaScore D+ — uma das notas mais baixas que um filme premiado em Cannes pode receber em sala americana. A divisão é real: é cinema autoral exigente que nunca foi feito para sair confortável dos cinemas.

A MUBI pagou US$ 24 milhões em Cannes 2025 — recorde de aquisição on-site do festival naquele ano. Para fãs de Lynne Ramsay, é peça obrigatória da filmografia. Para quem acompanha Jennifer Lawrence em transição definitiva para autoral, é evidência. Para quem busca drama familiar convencional, é experiência possivelmente traumática.

Pontos fortes

  • Jennifer Lawrence em performance que provavelmente rende indicação ao Oscar
  • Lynne Ramsay no estilo formal mais arriscado de sua filmografia
  • Robert Pattinson sustenta marido entre afeto verdadeiro e omissão covarde
  • Sissy Spacek e Nick Nolte adicionam textura sem caricatura geracional
  • Portrait raro e honesto de depressão pós-parto severa no cinema

Pontos fracos

  • Estilo visual agressivo de Ramsay pode parecer manierismo a parte do público
  • CinemaScore D+ revela rejeição do público comercial americano
  • Cenas de psicose contínua exigem fôlego emocional do espectador
  • Estrutura fragmentada pode dificultar quem busca narrativa convencional
  • Falta resolução emocional final que parte do público espera
Vale a pena se: Você curte cinema autoral feminino no estilo de Precisamos Falar Sobre o Kevin, Antichrist de Lars von Trier ou A Mulher do Lago, gosta de Jennifer Lawrence em fase autoral, e topa um drama formalmente exigente sobre depressão pós-parto sem catarse fácil.

Bilheteria

Arrecadação mundial
US$ 12 mi

Ficha técnica

Roteiro
Enda Walsh
Fotografia
Seamus McGarvey
Trilha sonora
George Vjestica
Edição
Toni Froschhammer
Duração
119 min

Curiosidades sobre Morra, Amor

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

Galeria