Onde Assistir Hereditário no Brasil
Sinopse
Hereditário (Hereditary no original) é o filme americano de terror psicológico de 2018 escrito e dirigido por Ari Aster em sua estreia em longa-metragem. Foi distribuído pela A24 em 7 de junho de 2018, depois de estrear no Festival de Sundance em janeiro do mesmo ano — onde foi aclamado como o filme de terror mais perturbador da década por crítica especializada.
A história começa com a morte de Ellen Leigh (Kathleen Chalfant), matriarca reclusa da família Graham. A filha dela, Annie (Toni Collette), é artista de miniaturas que constrói dioramas de cenas pessoais — incluindo o velório da mãe. Annie convive com o marido Steve (Gabriel Byrne), o filho adolescente Peter (Alex Wolff) e a filha mais nova Charlie (Milly Shapiro), criança peculiar de 13 anos especialmente próxima da avó falecida.
A partir do velório, eventos sobrenaturais começam a se manifestar na casa. Charlie tem comportamentos estranhos — corta cabeças de pombos, faz ruídos com a língua. Annie procura ajuda em grupos de luto, onde conhece Joan (Ann Dowd), figura misteriosa que oferece sessões espíritas. O que parece drama de luto familiar gradualmente revela uma estrutura de horror cósmico em torno de Paimon, um dos oito reis do inferno na demonologia ocidental.
Análise — Notícias Flix
Hereditário é o filme que estabeleceu Ari Aster como uma das vozes mais importantes do terror americano contemporâneo. Aos 32 anos, o cineasta debutou em longa com uma produção da A24 que rapidamente foi comparada a O Exorcista (1973) por crítica especializada — comparação alta para qualquer estreia. O Festival de Sundance 2018 elogiou o filme em uníssono, e a A24 lançou em junho como aposta de horror de prestígio para a temporada de premiações.
A atuação de Toni Collette é o coração do filme. A atriz australiana, então com 45 anos, vinha de carreira sólida em comédias dramáticas (Pequena Miss Sunshine, O Sexto Sentido) sem grande reconhecimento crítico recente. Em Hereditário, ela entrega uma das atuações mais físicas e emocionalmente devastadoras do gênero — gritos de luto que parecem reais, monólogos no jantar familiar de cinco minutos sem corte. Foi considerada uma das maiores omissões do Oscar 2019: a Academia ignorou completamente apesar das indicações de Globo de Ouro e Critics' Choice. Alex Wolff como Peter entrega contraponto silencioso de horror — sustenta o terceiro ato quase sozinho.
A direção é onde Aster se diferencia. As miniaturas que Annie constrói — pequenas casas que reproduzem cenas reais — viram metáfora visual: a família Graham é o conjunto de bonecos manipulados por forças externas. Aster usa o cenário em movimento — câmeras que descem do andar superior, planos perfeitamente simétricos, sons quase imperceptíveis (estalos de língua, pratos batendo) — para construir tensão sem recorrer a jump scares baratos. As miniaturas reais foram construídas em Toronto pelo escultor Steve Newburn.
A recepção foi histórica para terror. 90% no Rotten Tomatoes, bilheteria de US$ 80 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 10 milhões — sucesso comercial e marco crítico que abriu espaço para Midsommar (Aster, 2019), Saint Maud (Rose Glass, 2019) e a onda de terror autoral A24 dos anos seguintes. O ending — possessão de Peter por Paimon, coroado por culto satânico no telhado — virou referência cultural. Disponível no Brasil em Netflix, HBO Max, Prime Video, Apple TV e Google Play. Ari Aster fez Eddington (2025) com Joaquin Phoenix e Beau Tem Medo (2023) com Phoenix.
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 10 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 88 mi
- Retorno
- 8,8× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Ari Aster
- Fotografia
- Pawel Pogorzelski
- Trilha sonora
- Colin Stetson
- Edição
- Lucian Johnston
- Duração
- 127 min
Curiosidades sobre Hereditário
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Estreia em longa de Ari Aster aos 32 anos
Foi o primeiro longa-metragem de Ari Aster, então com 32 anos, depois de uma carreira em curtas-metragens experimentais (The Strange Thing About the Johnsons, 2011). O filme foi recebido como uma das estreias mais impactantes do terror desde Hitchcock, e Aster se tornou referência imediata do gênero — codirigiu Midsommar (2019), Beau Tem Medo (2023) e Eddington (2025), todos pela A24.
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Miniaturas construídas em Toronto pelo escultor Steve Newburn
As miniaturas usadas no filme — pequenas casas e dioramas que Annie constrói — foram feitas no estúdio de Steve Newburn em Toronto e enviadas para Park City Studios em Heber City, Utah. A maior é a réplica da casa Graham: 2,7 metros por 1,4 metros. A miniatura aparece já no primeiro plano do filme, com a câmera descendo de fora para dentro do quarto, transição entre maquete e set real.
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Toni Collette descreveu como 'o trabalho mais difícil da vida'
A atriz declarou em entrevistas que a experiência foi exaustiva: 'foi infinitamente emocional', com gritos de luto e monólogos longos que duravam semanas inteiras de filmagem. Collette aceitou o papel pela ambiguidade do estado mental da personagem — não saber se Annie está enlouquecendo ou descobrindo a verdade. Foi indicada ao Globo de Ouro e Critics' Choice mas ignorada pelo Oscar 2019, omissão que a crítica considerou histórica.
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Charlie é hospedeira de Paimon desde o nascimento
O ending revela que Charlie nunca foi humana — desde o nascimento, seu corpo hospedava Paimon, um dos oito reis do inferno na demonologia clássica (Lemegeton, século 17). A morte aparentemente acidental dela no início do filme foi planejada pelo culto: Paimon precisa de hospedeiro masculino para alcançar potencial pleno, então o culto orquestrou a transferência para Peter (Alex Wolff).
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Inspiração pessoal — luto de Aster
Ari Aster declarou em várias entrevistas que o filme é dramatização de luto familiar pessoal. O cineasta viveu uma série de mortes próximas durante o desenvolvimento do roteiro e usou a experiência como matéria narrativa. O monólogo de Annie no jantar — em que ela revela o passado familiar e o ressentimento pelo filho — foi escrito a partir de áudios de sessões de terapia que Aster ouviu durante esse período.
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90% no Rotten Tomatoes — marco do terror dos 2010
Com 90% de aprovação entre 401 críticos no Rotten Tomatoes, é um dos filmes de terror melhor avaliados da história — junto com Corra! (98%, Jordan Peele 2017), O Bebê de Rosemary (96%, Roman Polanski 1968) e o original O Exorcista (88%, William Friedkin 1973). Estabeleceu o padrão do que se chamaria 'elevated horror' — terror autoral A24 da segunda metade da década 2010.
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Bilheteria 8x o orçamento
Arrecadou US$ 80 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 10 milhões — retorno de 8x. Para padrão A24, sucesso comercial enorme. Foi a maior bilheteria da A24 até então, superada apenas em 2019 por Midsommar (também Aster). O resultado consolidou a A24 como produtora de terror de prestígio, posicionamento que mantém até hoje com filmes como Talk to Me (2023), Substância (2024) e Saint Maud (2019).
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Disponível em Netflix, HBO Max e Prime Video
No Brasil, Hereditário está disponível em três plataformas de assinatura: Netflix, HBO Max e Prime Video — caso raro de filme com presença simultânea nas três principais. Também em Apple TV (compra/aluguel) e Google Play. A dublagem brasileira foi feita pela Delart com Iara Riça como Annie e Diogo Aguilar como Peter.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal