Onde Assistir Besouro no Brasil
Sinopse
Recôncavo Baiano, anos 1920. Em uma região onde a abolição é recente e o trabalho nos engenhos ainda funciona como escravidão disfarçada, um jovem negro chamado Besouro (Aílton Carmo) aprende capoeira com seu Mestre Alípio. A arte é proibida por lei — e quem a pratica é caçado pela polícia montada do Coronel Venâncio (Flávio Rocha), dono da terra e da vida dos trabalhadores.
Besouro não se conforma. Inspirado pelo inseto que voa desafiando as leis da física, ele entra em conflito direto com o coronel ao defender outros capoeiristas e camponeses. A capoeira aqui é mais que luta — é língua de resistência, herança ancestral ligada aos orixás, especialmente Iansã, encarnada na figura de Dinorá (Jéssica Barbosa), por quem ele se apaixona.
Dirigido por João Daniel Tikhomiroff em sua estreia em longa-metragem, o filme mistura ação, fantasia e mitologia afro-brasileira para contar a história real de Manoel Henrique Pereira, capoeirista lendário de Santo Amaro da Purificação. A coreografia de luta veio das mãos de Huen Chiu Ku, especialista em cenas aéreas que assinou também Kill Bill.
Análise — Notícias Flix
Besouro é uma das tentativas mais ambiciosas do cinema brasileiro de transformar mitologia popular afro-brasileira em blockbuster nacional. João Daniel Tikhomiroff, em sua estreia na direção depois de carreira como diretor de comerciais e videoclipes, aposta tudo num gesto raro pra época: filmar um herói negro real, sem traduzir a capoeira, o candomblé ou o português baiano para um público presumido como branco do Sudeste.
A escolha mais corajosa do filme está em onde ele decide gastar o orçamento. Tikhomiroff trouxe Huen Chiu Ku — coreógrafo de cenas aéreas em Kill Bill — para criar lutas que misturam capoeira com kung fu wuxia. O resultado funciona em momentos espetaculares (sequências de cabos, saltos impossíveis filmados em câmera lenta) e estranha em outros, quando a estilização tira realismo de uma luta que historicamente acontecia no chão de terra batida. A fotografia de Enrique Chediak (28 Semanas Depois, 127 Horas) sustenta a paleta tropical sem cair no postal turístico.
Aílton Carmo, escolhido em casting que privilegiou capoeiristas de verdade sobre atores conhecidos, entrega Besouro com presença física legítima e fragilidade emocional ainda em construção. Jéssica Barbosa, Irandhir Santos no papel de Noca de Antonia e Servílio de Holanda completam um elenco quase totalmente formado por nomes da cena baiana.
O ponto fraco está no roteiro. A trajetória do herói é apresentada em traços largos, e a fusão entre realismo histórico e fantasia mística (Iansã aparece em manifestações sobrenaturais) nem sempre encontra equilíbrio — o filme oscila entre drama social e fantasia de aventura sem decidir totalmente onde apostar. Ainda assim, a ambição compensa as falhas. Levou mais de 600 mil espectadores aos cinemas, ganhou o prêmio Campus Giuventù em Taormina (Itália) e abriu espaço narrativo que Marighella e outros filmes brasileiros sobre figuras históricas afro-brasileiras vieram preencher anos depois.
Pontos fortes
- Aílton Carmo entrega Besouro com presença física legítima de capoeirista
- Coreografia aérea de Huen Chiu Ku assina sequências espetaculares
- Fotografia de Enrique Chediak captura o Recôncavo sem virar postal turístico
- Tikhomiroff respeita capoeira, candomblé e português baiano sem traduzir
- Mitologia afro-brasileira tratada como protagonista, não folclore
Pontos fracos
- Roteiro apresenta a trajetória do herói em traços largos
- Fusão entre realismo histórico e fantasia mística não encontra equilíbrio
- Estilização wuxia tira realismo de cenas que pediam chão de terra
- Filme oscila entre drama social e aventura sem decidir o tom
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 5 mi
Ficha técnica
- Roteiro
- Bráulio Tavares
- Fotografia
- Enrique Chediak
- Trilha sonora
- Rica Amabis
- Edição
- Gustavo Giani
- Duração
- 94 min
Curiosidades sobre Besouro
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Coreografia de luta veio do parceiro de Tarantino
Huen Chiu Ku, responsável pelas cenas de luta, é especialista em ação aérea e havia coreografado Kill Bill e Kill Bill Vol. 2. Foi ele quem desenhou as sequências em que Aílton Carmo voa adaptando golpes de capoeira a movimentos de wuxia.
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Filmagens em Chapada Diamantina e Recôncavo Baiano
A produção rodou inteiramente em locações na Bahia, com mais de 150 profissionais envolvidos. As cenas de paisagem aproveitam a Chapada Diamantina e os engenhos do Recôncavo, sem reconstrução em estúdio.
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Manoel Henrique Pereira, o Besouro real
O personagem é baseado em capoeirista que viveu de fato no Recôncavo Baiano (1897-1924). Filho de pais ex-escravizados, Manoel Henrique Pereira virou figura mítica da capoeira regional baiana antes de morrer aos 27 anos.
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Mais de 600 mil espectadores nos cinemas
Lançado em 30 de outubro de 2009, Besouro ultrapassou 600 mil espectadores no circuito comercial brasileiro — número expressivo para um filme de gênero com elenco majoritariamente negro e baiano.
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Prêmio em festival italiano
Besouro venceu o prêmio Campus Giuventù 2010 no Taormina Film Festival, na Itália — selo importante de circulação internacional para um filme brasileiro de gênero.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal