Besouro
Filme

Besouro

"Nasce um herói"

★ 6.1 2009 1h 34m 14 Ação · Aventura · Drama

Recôncavo Baiano, anos 1920. Em uma região onde a abolição é recente e o trabalho nos engenhos ainda funciona como escravidão disfarçada, um jovem negro chamado Besouro (Aílton Carmo) aprende capoeira com seu Mestre Alípio. A arte é proibida por…

Onde assistir
Diretor
João Daniel Tikhomiroff
Elenco
Aílton Carmo, Jéssica Barbosa, Anderson Santos de Jesus
Produção
Globo Filmes, Mixer Films
Origem
Brasil

Onde Assistir Besouro no Brasil

Netflix
Netflix Standard with Ads

Sinopse

Recôncavo Baiano, anos 1920. Em uma região onde a abolição é recente e o trabalho nos engenhos ainda funciona como escravidão disfarçada, um jovem negro chamado Besouro (Aílton Carmo) aprende capoeira com seu Mestre Alípio. A arte é proibida por lei — e quem a pratica é caçado pela polícia montada do Coronel Venâncio (Flávio Rocha), dono da terra e da vida dos trabalhadores.

Besouro não se conforma. Inspirado pelo inseto que voa desafiando as leis da física, ele entra em conflito direto com o coronel ao defender outros capoeiristas e camponeses. A capoeira aqui é mais que luta — é língua de resistência, herança ancestral ligada aos orixás, especialmente Iansã, encarnada na figura de Dinorá (Jéssica Barbosa), por quem ele se apaixona.

Dirigido por João Daniel Tikhomiroff em sua estreia em longa-metragem, o filme mistura ação, fantasia e mitologia afro-brasileira para contar a história real de Manoel Henrique Pereira, capoeirista lendário de Santo Amaro da Purificação. A coreografia de luta veio das mãos de Huen Chiu Ku, especialista em cenas aéreas que assinou também Kill Bill.

Análise — Notícias Flix

6.4
de 10

Besouro é uma das tentativas mais ambiciosas do cinema brasileiro de transformar mitologia popular afro-brasileira em blockbuster nacional. João Daniel Tikhomiroff, em sua estreia na direção depois de carreira como diretor de comerciais e videoclipes, aposta tudo num gesto raro pra época: filmar um herói negro real, sem traduzir a capoeira, o candomblé ou o português baiano para um público presumido como branco do Sudeste.

A escolha mais corajosa do filme está em onde ele decide gastar o orçamento. Tikhomiroff trouxe Huen Chiu Ku — coreógrafo de cenas aéreas em Kill Bill — para criar lutas que misturam capoeira com kung fu wuxia. O resultado funciona em momentos espetaculares (sequências de cabos, saltos impossíveis filmados em câmera lenta) e estranha em outros, quando a estilização tira realismo de uma luta que historicamente acontecia no chão de terra batida. A fotografia de Enrique Chediak (28 Semanas Depois, 127 Horas) sustenta a paleta tropical sem cair no postal turístico.

Aílton Carmo, escolhido em casting que privilegiou capoeiristas de verdade sobre atores conhecidos, entrega Besouro com presença física legítima e fragilidade emocional ainda em construção. Jéssica Barbosa, Irandhir Santos no papel de Noca de Antonia e Servílio de Holanda completam um elenco quase totalmente formado por nomes da cena baiana.

O ponto fraco está no roteiro. A trajetória do herói é apresentada em traços largos, e a fusão entre realismo histórico e fantasia mística (Iansã aparece em manifestações sobrenaturais) nem sempre encontra equilíbrio — o filme oscila entre drama social e fantasia de aventura sem decidir totalmente onde apostar. Ainda assim, a ambição compensa as falhas. Levou mais de 600 mil espectadores aos cinemas, ganhou o prêmio Campus Giuventù em Taormina (Itália) e abriu espaço narrativo que Marighella e outros filmes brasileiros sobre figuras históricas afro-brasileiras vieram preencher anos depois.

Pontos fortes

  • Aílton Carmo entrega Besouro com presença física legítima de capoeirista
  • Coreografia aérea de Huen Chiu Ku assina sequências espetaculares
  • Fotografia de Enrique Chediak captura o Recôncavo sem virar postal turístico
  • Tikhomiroff respeita capoeira, candomblé e português baiano sem traduzir
  • Mitologia afro-brasileira tratada como protagonista, não folclore

Pontos fracos

  • Roteiro apresenta a trajetória do herói em traços largos
  • Fusão entre realismo histórico e fantasia mística não encontra equilíbrio
  • Estilização wuxia tira realismo de cenas que pediam chão de terra
  • Filme oscila entre drama social e aventura sem decidir o tom
Vale a pena se: Você curte cinema brasileiro de gênero, gosta de ação coreografada com cabos e saltos no estilo Kill Bill, e quer ver um filme que coloca um herói negro real do Recôncavo Baiano como protagonista de blockbuster nacional.

Bilheteria

Orçamento
US$ 5 mi

Ficha técnica

Roteiro
Bráulio Tavares
Fotografia
Enrique Chediak
Trilha sonora
Rica Amabis
Edição
Gustavo Giani
Duração
94 min

Curiosidades sobre Besouro

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

Galeria