Onde Assistir Alice no País das Maravilhas no Brasil
Sinopse
Alice no País das Maravilhas é o live-action de 2010 dirigido por Tim Burton para a Walt Disney Pictures, com Mia Wasikowska como Alice Kingsleigh aos 19 anos, retornando a Underland depois de chamar o lugar de Wonderland na infância. Johnny Depp dá vida ao Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter é a Rainha Vermelha e Anne Hathaway entra como Rainha Branca. O elenco vocal inclui Alan Rickman como Absolem, Stephen Fry como o Gato de Cheshire, Christopher Lee como o Jabberwocky e Michael Sheen como o Coelho Branco. Trilha de Danny Elfman e canção tema de Avril Lavigne. Bilheteria global passou de US$ 1 bilhão.
Análise — Notícias Flix
Alice no País das Maravilhas chegou aos cinemas em março de 2010 com a missão de reformatar o cofre Disney. Antes do filme de Tim Burton, o estúdio só tinha experimentado live-actions pontuais como 101 Dálmatas em 1996. O resultado virou marco comercial e simbólico para a companhia.
A bilheteria global atingiu US$ 1,025 bilhão sobre orçamento de US$ 200 milhões, sendo o sexto filme da história a ultrapassar US$ 1 bilhão. Foi o primeiro a chegar lá que não era dirigido por James Cameron e não se tratava de uma sequência. A estreia doméstica somou US$ 116,3 milhões.
A abertura doméstica de US$ 116,3 milhões superou Avatar e marcou a maior abertura 3D doméstica até então. O roteiro de Linda Woolverton não adapta diretamente o livro de Lewis Carroll. Nesta versão, Alice tem 19 anos e retorna a Underland, que ela chamava de Wonderland por engano na infância.
No enredo, Alice precisa cumprir a profecia de matar o Jabberwocky no Dia Frabjous. Mia Wasikowska, australiana de 18 anos na época, foi confirmada em julho de 2008 após quatro audições com Burton. O diretor citou a qualidade de alma antiga dela como decisiva para a escolha.
Johnny Depp interpreta Tarrant Hightopp, o Chapeleiro Maluco, com cabelo alaranjado em alusão ao envenenamento por mercúrio dos chapeleiros do século 19. Depp afirmou que a cor saía pelo cabelo, unhas e olhos do personagem, uma escolha temática rara em blockbusters. Helena Bonham Carter é Iracebeth, a Rainha Vermelha.
A cabeça da Rainha Vermelha foi digitalmente aumentada em até três vezes pela Sony Pictures Imageworks. Para preservar resolução nos closes, a equipe usou câmera Dalsa 4K, permitindo ampliação na pós-produção sem perda de qualidade. Anne Hathaway interpreta Mirana, a Rainha Branca.
O elenco vocal inclui Alan Rickman, Stephen Fry, Christopher Lee em uma de suas últimas grandes participações, Michael Sheen, Timothy Spall e Barbara Windsor. A produção foi rodada em apenas 40 dias entre Plymouth e Charlestown, no condado da Cornualha, Inglaterra, e Culver City, Califórnia.
Cerca de 90% do filme foi capturado em chroma key, com fundo verde. O 3D foi adicionado em pós-produção, escolha que Burton defendeu como superior à filmagem nativa. A decisão técnica afetou debate entre cineastas e públicos sobre processo e resultado visual.
Antes da estreia, a Disney reduziu de 17 para 12 semanas o intervalo entre cinema e DVD/Blu-ray, provocando crise. As maiores redes do Reino Unido — Odeon, Vue e Cineworld — ameaçaram boicote. AMC e Cinemark nos Estados Unidos também entraram em atrito com o estúdio.
Cineworld cedeu primeiro, Vue negociou, e Odeon recuou em 25 de fevereiro de 2010, dez dias antes da estreia. O filme abriu em 270 telas IMAX simultâneas, recorde mundial na época, sendo 188 domésticas e 82 internacionais. Esse lançamento reforçou a estratégia comercial agressiva da Disney.
A recepção crítica foi morna: Rotten Tomatoes registra 51% de aprovação e Metacritic 53, enquanto o CinemaScore ficou com A menos. O consenso dos agregadores descreve o filme como sacrifício da coerência narrativa mínima do livro, mas um inegável deleite visual. A divisão entre público e crítica se consolidou.
Mesmo com críticas divididas, o filme levou dois Oscars em 2011: Direção de Arte para Robert Stromberg e Karen O'Hara, e Figurino para Colleen Atwood. Atwood conquistou seu terceiro troféu após Chicago em 2002 e Memórias de uma Gueixa em 2005. Houve ainda indicação a Efeitos Visuais.
A trilha original de Danny Elfman foi complementada pelo álbum conceitual Almost Alice, que rendeu o single Alice (Underground) de Avril Lavigne. A canção foi escrita durante reunião nos escritórios da Disney em janeiro de 2010 e tocada nos créditos finais. Esse álbum ampliou o alcance pop do filme.
O impacto da bilheteria foi sentido na estratégia do estúdio: Alice abriu a era moderna dos live-actions baseados em clássicos animados. Sustentou a esteira de títulos como Malévola (2014), Cinderela (2015), A Bela e a Fera (2017), O Rei Leão (2019) e Aladdin (2019). O modelo se tornou lucrativo para a Disney.
A sequência Alice Através do Espelho, dirigida por James Bobin em 2016, fracassou comercialmente. Custou US$ 170 milhões e arrecadou apenas US$ 300 milhões mundialmente, com queda de 77% na estreia doméstica em relação ao original. O prejuízo estimado para a Disney foi de US$ 70 milhões.
O filme de 2010 segue como referência divisora: tecnicamente ambicioso, comercialmente vencedor e criticamente questionado. Foi definitivo na reformulação do modelo de negócios do estúdio na década seguinte. Seu legado é misto, entre triunfo financeiro e debate artístico permanente.
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 200 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 1,0 bi
- Retorno
- 5,1× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Linda Woolverton
- Fotografia
- Dariusz Wolski
- Trilha sonora
- Danny Elfman
- Edição
- Chris Lebenzon
- Duração
- 109 min
Curiosidades sobre Alice no País das Maravilhas
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Sexto filme da história a passar de US$ 1 bilhão
Alice no País das Maravilhas se tornou apenas o sexto filme da história a cruzar a marca de US$ 1 bilhão globalmente, juntando-se a Avatar, Titanic, O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei, Piratas do Caribe O Baú da Morte e Batman O Cavaleiro das Trevas. Foi também o primeiro filme que não foi dirigido por James Cameron e não era continuação a entrar no clube bilionário.
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Mia Wasikowska conquistou Alice em quatro audições
A atriz australiana, então com 18 anos, enviou um vídeo de teste em fevereiro de 2008 e voou ao Reino Unido para fazer mais quatro audições presenciais com Tim Burton antes de ser confirmada em julho daquele ano. Burton citou sua qualidade de alma antiga como decisivo na escolha, depois de descartar várias candidatas mais conhecidas.
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Johnny Depp se machucou ensaiando a dança Futterwacken
Depp se feriu durante os ensaios do Futterwacken, dança maluca que o Chapeleiro executa em momentos de alegria extrema. Como o ator estava relutante em dançar em cena depois do machucado, a equipe contratou o dançarino David Elsewhere Bernal, descoberto no YouTube, para dublá-lo na sequência final do filme.
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A cabeça gigante da Rainha Vermelha foi triplicada por CGI
A Sony Pictures Imageworks aumentou digitalmente a cabeça de Helena Bonham Carter em até três vezes o tamanho original. Para preservar a resolução, a equipe usou uma câmera Dalsa 4K, permitindo ampliar a cabeça em pós-produção sem perda de qualidade. Foi referência direta aos esboços de Burton, que sempre desenhava personagens com cabeças e olhos enormes.
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Cabelo laranja do Chapeleiro alude a envenenamento por mercúrio
Depp e Burton decidiram que roupas, pele, sotaque e personalidade do Chapeleiro mudariam ao longo do filme conforme suas emoções. O cabelo alaranjado é alusão direta ao envenenamento por mercúrio sofrido pelos chapeleiros reais do século 19, que usavam o material para curar feltro. Ele foi envenenado, e isso estava saindo pelos cabelos, unhas e olhos, explicou Depp.
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Boicote de redes de cinema por janela curta para DVD
A Disney reduziu de 17 para 12 semanas o intervalo entre estreia no cinema e lançamento em DVD ou Blu-ray, provocando ameaça de boicote das maiores redes do Reino Unido. Odeon, Vue e Cineworld pressionaram, e houve atrito com AMC e Cinemark nos Estados Unidos. No fim, Cineworld cedeu primeiro, Vue negociou, e Odeon recuou em 25 de fevereiro de 2010, dez dias antes da estreia.
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Recorde mundial de salas IMAX simultâneas
O filme estreou em 188 salas IMAX domésticas e 82 internacionais, totalizando 270 telas IMAX simultâneas, recorde mundial na época. A estreia doméstica foi de US$ 116,3 milhões, superando Avatar e marcando a maior abertura 3D doméstica até então. O 3D do filme, porém, foi adicionado em pós-produção, não capturado nativamente.
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Avril Lavigne pediu a música ao Burton em reunião de moda
Em janeiro de 2010, Avril Lavigne estava numa reunião nos escritórios da Disney revisando designs da linha Abbey Dawn inspirados em Alice quando, de improviso, mencionou que adoraria escrever uma canção para a trilha. Burton aprovou. Alice (Underground) tocou nos créditos finais, virou single principal do álbum Almost Alice e vendeu 45 mil cópias nas primeiras quatro semanas.
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Quatro Oscars de Figurino para Colleen Atwood
Colleen Atwood venceu seu terceiro Oscar de Melhor Figurino com o trabalho em Alice, depois de Chicago em 2002 e Memórias de uma Gueixa em 2005. Ela viria a conquistar o quarto em 2017 por Animais Fantásticos e Onde Habitam, consolidando-se como uma das figurinistas mais premiadas da história do prêmio.
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Christopher Lee em papel-mistério: o Jabberwocky
Christopher Lee, então com 87 anos, foi anunciado em papel não revelado e só na estreia o público descobriu que ele dublava o Jabberwocky, o monstro gigante derrotado por Alice no clímax. Foi uma das últimas grandes participações da lenda britânica, que faleceria em 2015 e cuja voz cavernosa virou marca registrada do dragão.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal