Dois Homens e Meio (2003), sitcom da CBS criada por Chuck Lorre, foi um dos maiores sucessos de audiência da TV americana e passou por uma das trocas de elenco mais comentadas da história da comédia, com a saída polêmica de Charlie Sheen em 2011. Veja quem são os atores por trás da família Harper, seus personagens e o que aconteceu com cada um deles.
Jon Cryer — Alan Harper

Jon Cryer interpreta Alan Harper, o irmão quiroprático, certinho e cronicamente sem dinheiro, que vive à sombra e às custas do irmão Charlie. É ele quem sustenta o equilíbrio cômico da série, sempre pego entre a mãe controladora e a bagunça do irmão mais velho.
Antes da série, Cryer já era rosto conhecido do cinema dos anos 1980: ficou famoso como Duckie em Namorados para Sempre (1986), clássico escrito por John Hughes, e passou por títulos como Super-Homem IV (1987) e Hot Shots! (1991). Também tentou a sorte em sitcoms próprios, sem repetir o sucesso.
O papel de Alan recolocou sua carreira nos trilhos de vez, rendendo a ele sete indicações ao Emmy e duas vitórias, incluindo a de Melhor Ator em Comédia em 2012, quando assumiu o protagonismo após a saída de Charlie Sheen.
Curiosidade de bastidor real: Cryer só foi escalado porque Sheen, amigo pessoal, o recomendou pessoalmente aos executivos da CBS, que hesitavam diante dos tropeços recentes do ator no currículo.
Angus T. Jones — Jake Harper

Angus T. Jones deu vida a Jake Harper, o filho de Alan e o meio homem que batiza o título da série, crescendo diante das câmeras ao longo de dez temporadas.
Jones começou a atuar ainda criança e tinha poucos créditos relevantes antes de ser escalado, sendo praticamente descoberto pela própria série, que o transformou em um dos jovens atores mais bem pagos da TV americana durante sua adolescência.
Em 2012, já adulto e recém convertido à Igreja Adventista do Sétimo Dia, Jones surpreendeu ao aparecer em um vídeo ao lado do pregador Christopher Hudson chamando a série que o sustentava de lixo e pedindo que o público parasse de assistir, um dos repúdios mais dramáticos já feitos por um ator à própria produção de sucesso.
Deixou o elenco fixo em 2013, retornando apenas para uma participação especial no episódio final, e afastou-se quase por completo da atuação depois disso, dizendo mais tarde lamentar a forma como magoou colegas que via como família.
Conchata Ferrell — Berta

Conchata Ferrell interpretava Berta, a governanta ríspida, sarcástica e implacável da casa de Charlie e Alan, um dos alívios cômicos mais queridos da série.
Antes de Dois Homens e Meio, ela já tinha carreira sólida no teatro, com prêmios Drama Desk, Obie e Theatre World, além de papéis no cinema, como a dona da pizzaria em Mystic Pizza (1988), ao lado de Julia Roberts, e na TV, com passagem marcante por L.A. Law (1988 a 1992), que lhe rendeu uma indicação ao Emmy.
Como Berta, conquistou duas indicações ao Emmy de coadjuvante em comédia, em 2005 e 2007, consolidando o papel como o auge de popularidade de sua carreira.
Conchata faleceu em 12 de outubro de 2020, aos 77 anos, por complicações de uma parada cardíaca, após semanas internada na UTI de um hospital na Califórnia em decorrência de uma infecção grave. Sua morte foi lamentada por todo o elenco original da série.
Charlie Sheen — Charlie Harper

Charlie Sheen viveu Charlie Harper, o compositor de jingles boêmio, mulherengo e dono da casa de praia em Malibu que dá o tom irreverente aos primeiros anos da série.
Antes de Dois Homens e Meio, Sheen já era estrela consolidada do cinema, com filmes como Platoon (1986), Wall Street (1987) e Major League (1989), além de ter substituído Michael J. Fox no sitcom Spin City, o que chamou a atenção da CBS para escalá-lo em 2003.
Em 2011, após um hiato de produção causado por problemas de saúde, Sheen atacou publicamente o criador Chuck Lorre em entrevistas, e o contrato dele foi rescindido pela CBS e pela Warner Bros., encerrando sua passagem pela série de forma abrupta e amplamente noticiada.
Curiosidade verificável: em 2010 ele havia se tornado o ator mais bem pago da TV, a US$ 1,78 milhão por episódio. Mais de dez anos depois, ele e Lorre reataram a relação profissional, e Sheen voltou a trabalhar com o criador na série Bookie (2023).
Holland Taylor — Evelyn Harper

Holland Taylor interpreta Evelyn Harper, a mãe dominadora, crítica e sempre inconveniente de Charlie e Alan, presença recorrente que rouba cena em cada aparição.
Antes da série, já tinha décadas de carreira, com sitcoms como Bosom Buddies (1980-1982) e The Naked Truth (1995-1998), além de uma sólida trajetória na Broadway e off-Broadway, incluindo indicação ao Tony.
Em 1999, havia vencido o Emmy de coadjuvante em drama pelo papel da juíza Roberta Kittleson em The Practice, prêmio anterior à sua passagem por Dois Homens e Meio.
Como Evelyn, recebeu quatro indicações ao Emmy, reforçando sua fama de veterana capaz de roubar qualquer cena com poucas falas certeiras. Depois da série, seguiu colecionando reconhecimento: em 2020, recebeu sua oitava indicação ao Emmy pela minissérie Hollywood, da Netflix.
Marin Hinkle — Judith Harper

Marin Hinkle interpretava Judith Harper, a ex-esposa neurótica e controladora de Alan, presença constante nas brigas e desentendimentos do núcleo familiar da série.
Antes de Dois Homens e Meio, ela começou a carreira na novela Another World e ganhou notoriedade ao interpretar Judy Brooks no aclamado drama Once and Again, da ABC, entre 1999 e 2002.
Depois de deixar a série, viveu o momento mais marcante da carreira ao integrar o elenco de The Marvelous Mrs. Maisel (2017 a 2023), da Amazon, como Rose Weissman, papel que lhe rendeu duas indicações ao Emmy de coadjuvante em comédia, em 2019 e 2020.
Curiosidade pouco conhecida: Marin nasceu em Dar es Salaam, na Tanzânia, filha de pais americanos, e sonhava em ser bailarina profissional. Uma lesão no tornozelo aos 16 anos encerrou essa possibilidade e a levou a estudar teatro, primeiro na Brown e depois na NYU.
Ashton Kutcher — Walden Schmidt

Ashton Kutcher entrou na série como Walden Schmidt, um bilionário da internet ingênuo, recém abandonado pela esposa, que compra a casa de Charlie após a morte do personagem, substituindo Charlie Sheen a partir da nona temporada, em 2011.
Antes disso, Kutcher já era conhecido como Michael Kelso em That 70s Show (1998-2006), havia trabalhado como modelo e estrelado comédias como Dude, Where’s My Car? (2000) e The Butterfly Effect (2004), além de criar e apresentar o programa Punk’d, da MTV.
Ao assumir o papel de Walden, Kutcher passou a receber cerca de US$ 700 mil por episódio, um dos maiores salários da TV na época, e permaneceu na série até o encerramento, em 2015, ajudando a produção a sobreviver ao escândalo da saída de Sheen.
Curiosidade de bastidor: ao ser anunciado, declarou publicamente que não pretendia substituir Sheen, apenas se esforçar para entreter o público. O episódio de estreia dele começou matando o personagem de Charlie, com suas ex-namoradas reunidas no funeral, e teve audiência recorde apesar das críticas mistas.
Melanie Lynskey — Rose

Melanie Lynskey deu vida a Rose, a vizinha stalker de Charlie, uma personagem charmosa e obsessiva por trás de uma fachada meiga e educada, um dos ganchos cômicos mais duradouros da série.
Antes disso, havia estreado no cinema aos 15 anos em Almas Gêmeas (1994), de Peter Jackson, contracenando com uma também estreante Kate Winslet, em um filme baseado em caso real de assassinato que ganhou o Leão de Prata em Veneza.
Foi regular nas duas primeiras temporadas da série e depois seguiu como recorrente até o final, somando 63 dos 262 episódios. Ela mesma revelou, tempos depois, que o cachê recebido era bem menor que o dos colegas homens, e que buscava papéis com mais peso dramático.
Curiosidade real: o próprio criador Chuck Lorre declarou respeitar a decisão dela de reduzir a participação. Anos depois, Lynskey se consagrou como Shauna em Yellowjackets e Kathleen em The Last of Us, ambos com indicações ao Emmy.
Courtney Thorne-Smith — Lyndsey Mackelroy

Courtney Thorne-Smith interpretava Lyndsey MacElroy, a namorada e companheira de Alan Harper a partir da sétima temporada, trazendo estabilidade romântica a um dos personagens mais neuróticos da série.
Antes de Dois Homens e Meio, ela já era rosto conhecido da TV americana, tendo vivido Alison Parker em Melrose Place (1992-1997), Georgia Thomas em Ally McBeal (1997-2000) e Cheryl em According to Jim (2001-2009), acumulando quase duas décadas de papéis fixos em sitcoms e dramas de sucesso.
Sua entrada na série, em fevereiro de 2010, marcou um novo fôlego para o arco de Alan, que finalmente ganhava um relacionamento estável depois de anos de fracassos amorosos dentro da trama.
Permaneceu no elenco até a temporada final, em 2015, consolidando Lyndsey como uma das parceiras mais duradouras já vistas na série, ao lado da própria Judith interpretada por Marin Hinkle.
Ryan Stiles — Herb

Ryan Stiles interpretava o Dr. Herb Melnick, ex-marido de Judith e padrasto de Jake, presença recorrente e engraçada desde 2004 até o encerramento da série, em 2015.
Antes disso, já era um nome consagrado da comédia de improviso: começou como comediante stand-up no Canadá, passou pelo Second City de Toronto e, em 1988, tornou-se membro fixo do programa britânico Whose Line Is It Anyway?, sendo o ator mais recorrente da atração, com 76 participações em 136 episódios.
Foi justamente por ser fã da versão britânica que o apresentador Drew Carey o convidou para The Drew Carey Show, papel que o projetou nos Estados Unidos antes de chegar a Dois Homens e Meio.
Curiosidade real e pouco lembrada: Stiles conciliou o papel de Herb com o trabalho simultâneo na versão americana de Whose Line Is It Anyway?, sendo um dos poucos atores do elenco a equilibrar dois programas de humor ao mesmo tempo por mais de uma década.
Amber Tamblyn — Jenny Harper

Amber Tamblyn interpretava Jenny Harper, filha ilegítima e perdida de Charlie, que se muda para Los Angeles em busca de carreira como atriz e tenta reatar laços com a família na temporada 11, a última protagonizada com esse arco.
Antes da série, já era conhecida desde os 11 anos como Emily Quartermaine na novela General Hospital (1995-2001) e havia estrelado Joan of Arcadia (2003-2005), série que lhe rendeu indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro, além de filmes como The Ring (2002) e The Sisterhood of the Traveling Pants (2005 e 2008).
Na série, somou 24 episódios entre as temporadas 11 e 12, incluindo participação central no episódio final, Of Course He’s Dead (2015), fechando o arco da família Harper.
Curiosidade real: Tamblyn entrou como recorrente, com opção contratual de se tornar regular, refletindo o quanto a produção apostava em expandir o universo familiar de Charlie após a saída de Sheen.
Jane Lynch — Dra. Linda Freeman

Jane Lynch fazia participações especiais recorrentes como a Dra. Linda Freeman, a terapeuta sarcástica de Charlie, uma das presenças coadjuvantes mais lembradas da série.
Antes disso, já era veterana do teatro de improviso em Chicago, no Steppenwolf e no Second City, ao lado de nomes como Steve Carell e Stephen Colbert, e havia ganhado notoriedade em mockumentaries de Christopher Guest, como Best in Show (2000) e A Mighty Wind (2003), além de Virgem Aos 40 (2005), de Judd Apatow.
Pelo papel da Dra. Linda Freeman em Dois Homens e Meio, recebeu uma indicação ao Emmy de Melhor Atriz Convidada, reconhecimento que antecedeu seu maior estouro de popularidade.
Curiosidade real: pouco depois, em 2009, Jane Lynch se consagrou globalmente como a temida técnica Sue Sylvester em Glee, vencendo o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia em 2010 e o Globo de Ouro, consolidando de vez sua carreira como uma das comediantes mais premiadas da TV americana.
Elenco de apoio
| Ator | Personagem |
|---|---|
| Sophie Winkleman | Zoey |
| April Bowlby | Kandi |
| Graham Patrick Martin | Eldridge Mackelroy |
| Judy Greer | Bridget Schmidt |