Dungeons & Dragons vai voltar? O que já é real na TV

Por Marina Costa 25/06/2026 às 10:01 5 min de leitura
Dungeons & Dragons vai voltar? O que já é real na TV
5 min de leitura

Dungeons & Dragons voltou ao papo de série depois de Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes (Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves), mas a história precisa de freio. Existem, sim, dois projetos ligados à marca circulando em desenvolvimento — só que um deles nem deve ser tratado como “série de Baldur’s Gate 3” de forma tão direta.

Resumo rápido

  • Honra Entre Rebeldes arrecadou cerca de US$ 208 milhões nos cinemas
  • Dois projetos de TV ligados a D&D foram citados por bastidores
  • Nenhuma das séries tem data, elenco ou produção detalhada oficialmente

A manchete é boa. A realidade ainda está no rascunho.

Hoje, o cenário mais seguro é este: a marca Dungeons & Dragons tem uma frente associada à HBO com ligação a Baldur’s Gate 3 e outra na Netflix chamada Reinos Esquecidos (Forgotten Realms). Só que ambas seguem como projetos em desenvolvimento, não como séries prontas para entrar no catálogo.

Duas séries no radar, mas em estágios bem nebulosos

O primeiro ajuste é importante. Baldur’s Gate 3 não é uma série; é um RPG da Larian Studios lançado em 2023 para PC, PS5 e Xbox Series X|S.

Se houver adaptação, ela seria uma série baseada no universo do jogo. Craig Mazin aparece ligado ao projeto, o que imediatamente puxa a comparação com The Last of Us. Faz sentido. Mazin virou sinônimo de adaptação premium.

Do outro lado, a Netflix aparece com Reinos Esquecidos, o cenário mais famoso de D&D. Shawn Levy é citado como produtor, e Drew Crevello como roteirista do piloto e showrunner.

Isso já basta para cravar duas séries? Ainda não. Falta o básico: anúncio formal com data, elenco, número de episódios e status de produção.

Projeto Formato Nomes ligados Status Brasil
Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes Filme live-action Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Chris Pine Lançado em 2023 Já circulou em streaming e aluguel digital
Baldur’s Gate 3 Possível série live-action baseada no jogo Craig Mazin Desenvolvimento citado por bastidores Sem janela anunciada
Reinos Esquecidos Possível série live-action Shawn Levy, Drew Crevello Desenvolvimento citado por bastidores Sem janela anunciada
Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves (2023) Movie Poster
Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves (2023) Movie Poster (Reprodução)

O filme de 2023 segurou a reputação da marca

Honra Entre Rebeldes não virou arrasa-quarteirão. Também não afundou a franquia. Esse meio-termo explica por que D&D saiu do cinema e ficou mais interessante para TV e streaming.

O filme custou cerca de US$ 150 milhões e arrecadou por volta de US$ 208 milhões no mundo. Para uma fantasia desse porte, é pouco para garantir continuação imediata. Só que a recepção foi muito melhor que a bilheteria.

No Rotten Tomatoes, a aprovação da crítica ficou na casa dos 90%+. No Metacritic, passou dos 70 pontos. Não é detalhe pequeno. É o tipo de resultado que faz estúdio insistir na IP, só que por outro caminho.

E o filme acerta onde muita fantasia tropeça: grupo carismático, humor que não envergonha e ação fácil de acompanhar. Chris Pine segura o tom, Michelle Rodriguez entrega presença física, e Hugh Grant se diverte como vilão canalha.

Quem viu sabe. Ele tem energia de sessão da tarde com orçamento de blockbuster.

No Brasil, o longa já apareceu com dublagem em português em sua circulação digital. Como catálogo muda o tempo todo, a disponibilidade atual depende da plataforma, mas ele não sumiu do mapa como certos títulos de estúdio costumam sumir.

Craig Mazin de um lado, Shawn Levy do outro

A escolha dos nomes diz bastante sobre o que Hollywood enxerga nessa franquia. Mazin puxa D&D para um lado mais prestígio, mais sério, mais “domingo à noite”.

É inevitável comparar com The Last of Us. Não pelo tom, mas pelo tipo de ambição. Se a HBO realmente avançar com algo ligado a Baldur’s Gate 3, a ideia parece ser vender fantasia adulta, e não aventura genérica com dragão no fundo.

Já Shawn Levy aponta para outra direção. Ele sabe trabalhar fantasia pop, ritmo rápido e produto de grande alcance. Basta lembrar o peso dele em Stranger Things.

Reinos Esquecidos cabe melhor nesse molde. É o coração mais conhecido de D&D, cheio de cidades, facções, magos e monstros. Traduzindo: material que funciona para várias temporadas, se a primeira acertar.

Mas será que isso garante qualidade? Nem de longe. The Witcher provou que nome forte e universo famoso não bastam quando o texto começa a patinar.

O que já dá para acompanhar no Brasil

Se a sua pressa é assistir, ainda não há série nova de Dungeons & Dragons com data marcada no Brasil. Nem a frente associada a Baldur’s Gate 3, nem Reinos Esquecidos teve lançamento nacional detalhado, muito menos confirmação de dublagem.

O caminho concreto hoje passa por duas portas. A primeira é revisitar Honra Entre Rebeldes, que já circulou por aqui em streaming e aluguel digital. A segunda é jogar Baldur’s Gate 3, oficialmente disponível no Brasil em PC, PS5 e Xbox Series X|S.

Na prática, a franquia está viva. Só não voltou de verdade para a TV ainda.

Depois de um filme querido e de um jogo gigante, Dungeons & Dragons tem material de sobra para acertar. Falta o passo mais difícil: sair do desenvolvimento e provar que consegue virar série sem parecer só mais uma fantasia cara perdida no catálogo.

Trailer