Quais craques inspiraram Ted Lasso na Apple TV+?

Por Marina Costa 28/06/2026 às 08:45 6 min de leitura
Quais craques inspiraram Ted Lasso na Apple TV+?
6 min de leitura

Ted Lasso virou uma das séries mais queridas da Apple TV+ porque entende futebol de um jeito raro: menos tática de lousa, mais personalidade de vestiário. E quando você olha de perto, fica claro que vários jogadores do AFC Richmond nasceram de referências bem reais.

Resumo rápido

  • Roy Kent tem paralelo direto com Roy Keane
  • Dani Rojas lembra principalmente Chicharito, com ecos de outros astros
  • Sam, Jamie e Zava funcionam mais como personagens compostos

Não é uma série que copia atleta por atleta. Ted Lasso mistura traços de carreira, ego, liderança e carisma para montar personagens que parecem familiares até para quem só acompanha Premier League por alto.

Antes do apito inicial

Ficha técnica Detalhes
Título Ted Lasso
Criadores Jason Sudeikis, Bill Lawrence, Brendan Hunt e Joe Kelly
Elenco principal Jason Sudeikis, Hannah Waddingham, Brett Goldstein, Juno Temple, Phil Dunster, Toheeb Jimoh e Cristo Fernández
Gênero Comédia dramática esportiva
Temporadas 3
Episódios 34
Plataforma no Brasil Apple TV+
Dublagem Português e legendas em pt-BR disponíveis no catálogo brasileiro

A série como um todo já foi associada a figuras reais do futebol, incluindo Jürgen Klopp, além de referências vindas de jogos como FIFA. Mas, entre os jogadores, alguns paralelos saltam aos olhos mais do que outros.

Roy Kent (Brett Goldstein) no campo de futebol em Ted Lasso
Roy Kent (Brett Goldstein) no campo de futebol em Ted Lasso (Reprodução)

Roy Kent é o caso mais fácil de ler

Se existe um personagem de Ted Lasso com inspiração quase escancarada, é Roy Kent. O veterano durão, explosivo e respeitado pelo elenco inteiro lembra Roy Keane em tudo que importa: liderança, cobrança e aquela energia de “não enche”.

Keane foi o tipo de capitão que comandava no grito e na presença. Roy Kent pega exatamente esse molde emocional. Não é biografia disfarçada. É espelho de personalidade.

Funciona porque Brett Goldstein nunca tenta fazer imitação. Ele pega a rigidez, a intimidação e o senso de dever competitivo. O resto é construção de personagem.

Dani Rojas puxa para Chicharito, mas não para só nele

Dani Rojas é o mais solar do time. O bordão “Football is life” e o jeito elétrico fazem dele quase um mascote humano, mas a comparação mais forte vai para Javier “Chicharito” Hernández.

Tem origem mexicana, carisma imediato e aquele perfil de atacante que compra a ideia do time em segundos. Esse é o coração da referência. O resto parece colagem.

Outros nomes entram mais como tempero. Alexis Sánchez, Neymar e Kylian Mbappé ajudam a explicar a velocidade, a confiança e a aura de astro. Mas Dani não é “baseado em Neymar”, por exemplo. Ele é um personagem montado com pedaços de várias estrelas.

Curiosidade boa: a ideia inicial teria levado Dani para outra direção, com uma versão islandesa. A troca para um atacante mexicano deixou o personagem muito mais vivo e, francamente, muito mais engraçado.

Cristo Fernández como Dani Rojas em Ted Lasso Temporada 2 na Apple TV+
Cristo Fernández como Dani Rojas em Ted Lasso Temporada 2 na Apple TV+ (Reprodução)

Sam, Jamie e Zava não são cópias. São colagens

Aqui Ted Lasso fica mais esperto. Sam Obisanya, Jamie Tartt e Zava parecem inspirados no futebol real, mas nenhum deles encaixa direito na lógica de “esse é aquele jogador”.

Sam Obisanya e o atleta que toma posição

Sam funciona como símbolo do jogador ativista. Jovem, talentoso e disposto a se posicionar publicamente, ele puxa mais para um arquétipo moderno do esporte do que para um nome fechado.

Essa escolha faz sentido. O futebol atual está cheio de atletas que falam sobre racismo, política e responsabilidade social. Sam absorve essa postura e vira um personagem composto, não uma cópia de craque específico.

Jamie Tartt e o prodígio com ego nas alturas

Jamie é outro caso de composição. Ele representa o atacante britânico muito talentoso, muito midiático e, no começo, insuportável.

A série usa um tipo reconhecível de estrela jovem: ego inflado, disciplina seletiva e necessidade constante de validação. Depois, a graça está na virada. Jamie amadurece sem perder a marra. Isso é bem mais importante do que apontar um nome só.

Zava e a sombra de Zlatan

Zava chega como lenda ambulante. Fala como guru, anda como celebridade e domina qualquer ambiente antes mesmo de tocar na bola. Soa familiar?

O paralelo mais forte é Zlatan Ibrahimović. Não tanto pela carreira em si, mas pelo tamanho da persona. Zava parece maior que o clube, maior que o elenco e, às vezes, maior que a própria série. Essa é a piada.

Zava em Ted Lasso
Zava em Ted Lasso (Reprodução)

Por que essas comparações batem tão bem

Ted Lasso entende uma coisa básica do futebol: o torcedor não lembra só de gol. Lembra de temperamento, entrevista atravessada, liderança no vestiário e vaidade de estrela.

Por isso a série acerta mesmo quando exagera. Roy parece real porque muitos capitães já agiram como ele. Dani convence porque o futebol adora atacantes carismáticos. Jamie existe em quase toda geração. E Zava é o tipo de superastro que todo clube sonha contratar, mesmo sabendo o risco.

Tem também um mérito de escrita. A série não usa essas referências só como piscadinha para fã de bola. Usa para deixar a comédia mais humana. Quem conhece futebol pega a camada extra. Quem não conhece continua entendendo tudo.

Na Apple TV+, com dublagem e um detalhe que muda a leitura

As três temporadas de Ted Lasso seguem disponíveis no Brasil pela Apple TV+, com dublagem em português e legendas em pt-BR. Para o público brasileiro, isso pesa porque a série depende muito de ritmo de diálogo, mas a dublagem segura bem o humor.

No fim, a melhor leitura não é “quem é quem”. É outra. Ted Lasso pega tipos muito reais do futebol e transforma tudo em personagem memorável. A pergunta que fica é simples: se a série continuar expandindo o universo do Richmond, quais outros monstros do futebol ainda vão aparecer disfarçados?