Por que Sugar virou o melhor papel recente de Colin Farrell

Por Marina Costa 28/06/2026 às 03:21 5 min de leitura
Por que Sugar virou o melhor papel recente de Colin Farrell
5 min de leitura

Sugar, série da Apple TV+ com Colin Farrell, cresceu de tamanho desde a estreia em 05/04/2024. Renovada para a 2ª temporada e com 81% no Rotten Tomatoes, ela hoje deixa uma impressão bem clara: o ator está encontrando na TV um espaço mais interessante do que em parte do cinema recente.

Resumo rápido

  • Sugar estreou em 05/04/2024 na Apple TV+ e foi renovada para a 2ª temporada
  • Colin Farrell vive John Sugar em trama neo-noir com virada de ficção científica
  • A 1ª temporada tem 81% no Rotten Tomatoes e opções em PT-BR na plataforma

Não é só por causa da nota. A série entende melhor o que Farrell tem de mais forte hoje: carisma de astro antigo, cansaço no olhar e uma estranheza que o cinema comercial anda usando pouco.

Sugar mistura gêneros sem virar bagunça

Na superfície, Sugar parece um noir clássico. John Sugar é um investigador particular elegante, calmo e observador, circulando por uma Los Angeles cheia de sombras, gente rica e segredos mal escondidos.

Mas a série não para aí. Ela começa como drama criminal, flerta com mistério psicológico e depois empurra a história para a ficção científica. Esse desvio de rota divide parte do público, claro, mas também é o que separa Sugar de thrillers policiais mais genéricos.

Funciona porque a virada não existe só para chocar. Ela muda a leitura do protagonista e dá outra textura ao que vinha antes. Em vez de parecer truque, parece uma aposta narrativa de verdade.

Sugar de Colin Farrell com expressão intensa segurando um revólver em Sugar temporada 2
Sugar de Colin Farrell com expressão intensa segurando um revólver em Sugar temporada 2 (Reprodução)

Também ajuda o acabamento. A direção da temporada inclui Fernando Meirelles, e isso aparece no ritmo e no olhar para a cidade. A câmera observa mais do que explica, e o visual abraça esse ar de thriller elegante sem ficar engessado.

O básico antes de apertar play

Item Detalhe
Título Sugar
Título original Sugar
Criador Mark Protosevich
Protagonista Colin Farrell como John Sugar
Elenco principal Kirby, Amy Ryan, Dennis Boutsikaris, Alex Hernandez, James Cromwell, Anna Gunn
Gênero Neo-noir, crime, mistério e ficção científica
Estreia 05/04/2024
Plataforma no Brasil Apple TV+
Áudio/localização Opções em português na plataforma
Direção Tem episódios dirigidos por Fernando Meirelles
Status Renovada para a 2ª temporada
Nota no Rotten Tomatoes 81% na 1ª temporada

Por que a série encaixa melhor em Colin Farrell

Farrell sempre foi melhor quando o papel pede charme e rachadura ao mesmo tempo. Foi assim em Os Banshees de Inisherin (The Banshees of Inisherin). Foi assim em Batman (The Batman). E foi assim, de novo, em The Penguin, na Max.

Em Sugar, ele ganha tempo para trabalhar isso sem pressa. Um filme de duas horas precisa correr. Série, não. O personagem pode seduzir, mentir, cansar e esconder coisa feia aos poucos.

Já os filmes recentes usados nessa comparação, Ballad of a Small Player e A Big Bold Beautiful Journey, chegaram cercados de bem menos força crítica. O segundo ainda tinha Margot Robbie no pacote e, mesmo assim, não deixou a mesma marca.

Essa diferença importa. Não porque cinema e TV disputem troféu, mas porque o formato serial está oferecendo a Farrell papéis com mais camadas do que alguns longas recentes conseguiram entregar.

Sugar de Colin Farrell e Charlotte de Laura Donnelly olhando para o céu com seus rostos próximos em Sugar temporada 2 YT
Sugar de Colin Farrell e Charlotte de Laura Donnelly olhando para o céu com seus rostos próximos em Sugar temporada 2 YT (Reprodução)

A Apple TV+ virou casa de thriller adulto

Tem outro fator aí. A Apple TV+ montou uma prateleira forte de suspense “premium” para adulto, coisa que o cinema de estúdio anda largando pelo caminho. Sugar cabe perfeitamente nesse pacote.

Basta olhar para os vizinhos de catálogo. Ruptura (Severance) joga com paranoia corporativa. Slow Horses aposta em espionagem cansada e cruel. Black Bird trabalha claustrofobia. Acima de Qualquer Suspeita (Presumed Innocent) leva o thriller jurídico para um terreno bem mais tóxico.

Série Plataforma Clima
Sugar Apple TV+ Noir investigativo com virada sci-fi
Ruptura Apple TV+ Suspense corporativo e ficção científica
Slow Horses Apple TV+ Espionagem suja e humor amargo
Black Bird Apple TV+ Crime real e tensão psicológica
Acima de Qualquer Suspeita Apple TV+ Tribunal, adultério e assassinato
Silo Apple TV+ Distopia fechada e mistério em camadas

Não é pouca coisa. Enquanto o cinema empurra Farrell para projetos que nem sempre acertam o alvo, a TV o coloca dentro de séries que sabem o que querem ser. Ou melhor: que sabem mudar de forma sem perder a mão.

Sugar tem um pouco de True Detective no verniz, mas não tenta copiar o peso existencial da HBO. Ela prefere brincar com a tradição do detetive solitário e entortar essa tradição no meio do caminho.

O que já dá para ver no Brasil

A 1ª temporada de Sugar está disponível no Brasil na Apple TV+, com opções de áudio e localização em português. Para quem gosta de suspense de clima mais adulto, é uma maratona curta e fácil de encaixar em um fim de semana.

Vale um cuidado com a conversa sobre a 2ª temporada. Circula a informação de que o novo ano teria 97% no Rotten Tomatoes, mas esse número ainda pede checagem pública mais sólida. Hoje, o dado seguro continua sendo o 81% da temporada inicial.

Talvez Ballad of a Small Player, Batman: Parte II, Sgt. Rock ou Art mudem a fase recente de Farrell no cinema. Por enquanto, o trabalho mais vivo dele segue na Apple TV+ — e a 2ª temporada de Sugar deixa uma dúvida boa no ar: até onde essa série ainda consegue se reinventar?

Trailer