Sugar 2ª temporada pisa no freio da própria loucura

Por Marina Costa 19/06/2026 às 14:46 5 min de leitura
Sugar 2ª temporada pisa no freio da própria loucura
5 min de leitura

Sugar voltou ao circuito de crítica com a 2ª temporada, e a leitura mais honesta é simples: a série da Apple TV+ continua intrigante, visualmente forte e muito bem defendida por Colin Farrell. Só não parece tão corajosa quanto no primeiro ano.

Resumo rápido

  • Colin Farrell retorna como John Sugar na 2ª temporada
  • Novo caso gira em torno do desaparecimento de Ji Moon
  • Críticas divergem sobre o peso do lado alienígena

Funciona. Mas por outro caminho.

O mistério continua afiado

A base da temporada segue boa. John Sugar continua investigando o paradeiro da irmã e, ao mesmo tempo, entra num novo caso ligado ao sumiço de Ji Moon, irmão de um jovem boxeador.

Esse desenho ainda segura a atenção. A série mistura investigação, trauma e pistas espalhadas com uma elegância rara no streaming, sem cair naquele policial genérico que parece feito no piloto automático.

Também ajuda o fato de Sugar continuar linda. Los Angeles aparece como personagem, com ruas vazias, luz baixa e enquadramentos que lembram Chinatown e Blade Runner sem virar cópia barata.

Close de Colin Farrell como John Sugar em escritório com luz baixa, visual clássico de filme noir
Close de Colin Farrell como John Sugar em escritório com luz baixa, visual clássico de filme noir (Reprodução)

Noir, para quem não vive nesse termo, é isso aqui: sombra, culpa, cidade grande e gente quebrada tentando esconder alguma coisa. A série entende essa gramática muito bem.

Parte da crítica foi nessa linha. O mistério ainda prende, a investigação continua sólida e a atmosfera segue sendo um dos maiores diferenciais do catálogo da Apple TV+.

O alien ficou no banco de trás

Ela arregou um pouco. O grande choque do primeiro ano foi revelar que John Sugar não era só um detetive melancólico, mas um alienígena infiltrado em meio ao noir clássico.

Na 2ª temporada, esse elemento continua existindo, mas parece mais contido. Em vez de empurrar a estranheza para frente, a série prefere se comportar como um suspense sofisticado com leve tempero de ficção científica.

Há quem veja isso como maturidade. Há quem veja como recuo. A divisão da crítica passa exatamente por aí, porque o gancho de Sugar sempre foi ser diferente do policial elegante padrão.

Ficha técnica Detalhes
Título Sugar
Tipo Série live-action
Plataforma Apple TV+
Criador Mark Protosevich
Temporada em foco 2ª temporada
Protagonista Colin Farrell como John Sugar
Gênero Mistério, noir, suspense e ficção científica
Ambientação Los Angeles contemporânea
Elenco principal Colin Farrell, Kirby Howell-Baptiste, Amy Ryan, Dennis Boutsikaris, Alex Hernandez, Nate Corddry, James Cromwell e Anna Gunn
Duração Episódios de cerca de 30 a 45 minutos
Classificação TV-MA na Apple TV+
Estreia da série 2024
Temporada atual 2026

Quando essa camada alienígena perde espaço, algumas subtramas parecem menos firmes. O quebra-cabeça continua interessante, mas a conexão entre os núcleos nem sempre tem o mesmo impacto do primeiro ano.

Painel de investigação de Sugar com fotos, pistas e referências ao caso de Ji Moon em sala escura
Painel de investigação de Sugar com fotos, pistas e referências ao caso de Ji Moon em sala escura (Reprodução)

Colin Farrell continua sendo o centro de tudo

Se a série não desanda, muito passa por Colin Farrell. Ele segura a tela com um cansaço elegante, quase de astro de noir antigo, sem transformar John Sugar num detetive caricatural.

É um papel de presença. Mesmo quando o roteiro segura demais a mão no lado mais estranho da trama, Farrell mantém o interesse porque faz Sugar parecer ferido, observador e deslocado o tempo todo.

O elenco ao redor ajuda. Kirby Howell-Baptiste, Amy Ryan, James Cromwell e Anna Gunn reforçam o clima adulto da série, embora ninguém roube a cena do jeito que Farrell rouba.

A leitura mais elogiosa da temporada vai por esse caminho. Não importa tanto se a ficção científica está mais tímida; com Farrell em cena, ainda existe um magnetismo que poucos thrillers recentes conseguem sustentar.

Apple TV+ tem uma joia estranha nas mãos

A Apple gosta desse tipo de série. Produções adultas, polidas e levemente tortas, como Severance e Slow Horses, ajudaram a plataforma a construir uma imagem de prestígio com personalidade.

Sugar entra nesse pacote, mas com um detalhe importante: ela sempre foi mais arriscada do que parecia. Era um policial estiloso, sim, só que escondendo uma maluquice cósmica no meio da fumaça.

Quando a 2ª temporada pisa no freio dessa maluquice, ela fica mais acessível. Só que também fica menos singular. E série elegante, o streaming já tem várias.

Colin Farrell como John Sugar, levantando uma bola de tênis na frente de um grupo de cachorros em Sugar temporada 2
Colin Farrell como John Sugar, levantando uma bola de tênis na frente de um grupo de cachorros em Sugar temporada 2 (Reprodução)

Por isso a recepção saiu rachada. Uma parte da imprensa comprou o mistério mais controlado; outra sentiu falta da coragem que transformava Sugar em algo difícil de comparar com qualquer outra série policial.

Sugar segue na Apple TV+ no Brasil

Sugar faz parte do catálogo brasileiro da Apple TV+. A 2ª temporada entrou em janela de crítica nesta semana, em 19/06/2026, mantendo a série como uma das apostas adultas mais curiosas da plataforma.

Quem gostou da 1ª temporada pelo mistério ainda tem motivo para voltar. Quem gostou pelo risco, pela virada alienígena e pela ousadia de gênero talvez sinta a diferença já nos primeiros episódios.

A pergunta que fica é boa: Sugar está amadurecendo ou só aprendendo a se esconder melhor? A resposta, desta vez, depende menos do caso da semana e mais da coragem de encarar o próprio alien no espelho.

Trailer