Sam Raimi vai dirigir o reboot de Magia Negra para a Lionsgate, e isso muda o peso do projeto na hora. O filme já existia no radar do estúdio, mas agora ganha um nome que entende terror de verdade, do susto físico ao surto psicológico.
Faz sentido? Demais. Poucos diretores combinam tanto com uma história sobre um ventríloquo dominado pelo próprio boneco.
Ficha rápida do reboot
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | Magic |
| Título no Brasil | Magia Negra |
| Formato | Filme |
| Gênero | Terror psicológico / sobrenatural |
| Estúdio | Lionsgate |
| Direção | Sam Raimi |
| Roteiro | Mark Swift e Damian Shannon |
| Produção | Roy Lee e Sam Raimi |
| Status | Roteiro em finalização e produção perto de começar |
A Lionsgate comprou o projeto em setembro de 2025. Raimi já estava ligado como produtor, mas agora assume a direção também, o que sinaliza um filme menos genérico e com mais identidade.
Elenco, data de estreia e janela no Brasil seguem em aberto. Até aqui, também não existe confirmação de lançamento nacional, plataforma de streaming ou dublagem em português.

Sam Raimi encaixa como uma luva
Raimi sabe filmar pânico com personalidade. A Morte do Demônio, Uma Noite Alucinante 2 e Arraste-me para o Inferno provam isso há décadas.
O ponto mais interessante aqui é o material de origem. Magia Negra não é terror de monstros pulando da sombra. É obsessão, colapso mental e um boneco que vira extensão do pior lado do protagonista.
Esse tipo de história combina com o diretor de um jeito quase óbvio. Raimi sempre gostou de possessão, culpa, corpos em crise e personagens perdendo o controle diante da própria mente.
Até quando ele sai do terror puro, esse traço continua lá. Basta lembrar o caos visual de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que tinha mais cara de Raimi do que boa parte dos filmes de estúdio do gênero.
Na prática, a dúvida não é se ele consegue filmar isso. A dúvida é quanto a Lionsgate vai deixar Raimi enlouquecer a forma.
O cult de 1978 que pouca gente revisita
O original de 1978 tem um pedigree forte. Foi dirigido por Richard Attenborough, escrito por William Goldman e estrelado por Anthony Hopkins em um papel bem diferente do terror mais famoso que ele faria anos depois.
Na história, um ventríloquo em crise emocional passa a ser dominado por seu boneco, Corky, enquanto tenta retomar um romance antigo. O terror vem menos do sobrenatural explícito e mais da erosão mental do personagem.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | Magic |
| Título no Brasil | Magia Negra |
| Ano | 1978 |
| Direção | Richard Attenborough |
| Roteiro | William Goldman |
| Elenco principal | Anthony Hopkins, Ann-Margret e Burgess Meredith |
| Gênero | Terror psicológico, drama e suspense |
| Duração | 107 minutos |
Não foi um arrasa-quarteirão na época. Mesmo assim, ganhou status cult com o tempo, muito pela atuação de Hopkins e pela ideia desconfortável de um artista sendo consumido pela própria criação.
Isso importa porque o reboot não parte de uma franquia já mastigada. A Lionsgate está pescando um título conhecido por cinéfilos de terror, mas ainda fresco para a maior parte do público.
Se o estúdio acertar o tom, dá para mirar dois lados de uma vez. O fã de horror clássico entra pelo nome de Raimi; o público mais novo entra pela estranheza do conceito.
Onde a Lionsgate quer encaixar esse filme
A escolha do diretor diz bastante sobre a ambição do estúdio. Isso não parece desenho de terror automático, desses montados só para repetir susto e poster com boneco sinistro.
Com Raimi e Roy Lee produzindo, Magia Negra pode ficar num meio-termo curioso. Menos plastificado que um derivado de Annabelle, mas ainda acessível o bastante para circular fora do nicho cult.
A Lionsgate conhece bem o terror comercial, como mostra o histórico com Jogos Mortais. A diferença aqui é a chance de colocar um diretor autoral no comando de uma IP antiga, em vez de só empurrar mais um reboot de catálogo.
Quem quiser acompanhar os próximos anúncios do estúdio pode ficar de olho no site oficial da Lionsgate. É lá que devem aparecer os movimentos de elenco e calendário mais adiante.
O próximo passo é o que realmente interessa
O roteiro de Mark Swift e Damian Shannon está sendo finalizado, e a produção deve começar em breve. Esse é o estágio em que projeto de terror costuma ganhar forma de verdade, porque elenco e tom aparecem juntos.
Por enquanto, o dado prático para o Brasil é simples: nada de data nacional, nada de plataforma e nada de confirmação sobre dublagem. Só que Sam Raimi no comando já basta para mudar a conversa — e deixar uma pergunta boa no ar: ele vai respeitar o silêncio do original ou transformar Corky num novo ícone de pesadelo?