Crank: High Voltage voltou ao radar do streaming e, 17 anos depois do lançamento, virou o filme nº 1 no mundo no Starz. Para um filme que arrecadou cerca de US$ 34,6 milhões e sempre dividiu a crítica, é uma sobrevida bem barulhenta.
Resumo rápido
- Crank: High Voltage lidera o ranking global do Starz
- Sequência com Jason Statham estreou em 17/04/2009 e dura 85 minutos
- Filme custou US$ 13 milhões e fez cerca de US$ 34,6 milhões
A volta faz sentido. É um daqueles filmes curtos, agressivos e sem vergonha do próprio exagero. Abaixo, o que puxou esse retorno e como fica a situação para quem tenta assistir no Brasil.
Por que o Starz ressuscitou Crank: High Voltage
Streaming adora redescobrir filme de catálogo com identidade forte. Crank: High Voltage tem isso de sobra. São 85 minutos de câmera nervosa, piada de mau gosto, violência extrema e Jason Statham correndo contra o relógio.
Também ajuda o momento do ator. Statham segue sendo nome de consumo rápido em plataforma, especialmente em ação direta, sem enrolação. Você abre o catálogo, vê a cara dele e já sabe o pacote.
No caso de Crank: High Voltage, o pacote é ainda mais específico. Não é ação “limpinha”. É cinema de excesso, quase um primo surtado de Atirar para Matar, só que mais sujo e mais escandaloso.

O filme mais insano da fase 2000 de Statham
Crank: High Voltage é a sequência de Crank, lançado em 2006. Aqui, Chev Chelios volta com uma premissa que já diz tudo sobre o tom: seu coração é removido e trocado por um artificial.
Daí em diante, ele precisa manter carga elétrica para continuar vivo. Sim, é absurdo. E é justamente esse absurdo que fez o filme envelhecer melhor entre fãs de ação do que entre críticos tradicionais.
Mark Neveldine e Brian Taylor dirigem e assinam o roteiro no mesmo modo de sempre: câmera colada no corpo, montagem acelerada e zero interesse em parecer elegante. Funciona para quem entra na proposta. Para quem não entra, vira gritaria.
A recepção mostra bem essa divisão. No Rotten Tomatoes, o filme tem 64% de aprovação entre críticos. No Metacritic, a nota cai para 41/100.
Não tem contradição aí. A crítica reconheceu a energia, mas muita gente rejeitou o tom propositalmente trash. Só que esse tipo de filme costuma crescer com o tempo, não na estreia.
Ficha rápida do filme
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título | Crank: High Voltage |
| Direção | Mark Neveldine e Brian Taylor |
| Roteiro | Mark Neveldine e Brian Taylor |
| Elenco principal | Jason Statham, Amy Smart, David Carradine, Dwight Yoakam |
| Gênero | Ação, comédia, crime e thriller |
| Duração | 85 minutos |
| Estreia | 17/04/2009 |
| Classificação | 18+ |
| Distribuidora | Lionsgate |
| Orçamento | US$ 13 milhões |
| Bilheteria mundial | US$ 34,6 milhões |
| Rotten Tomatoes | 64% |
| Metacritic | 41/100 |
| Plataforma em destaque | Starz |
Bilheteria comum, fama de cult
Quando saiu nos cinemas, Crank: High Voltage não foi um fenômeno. Abriu com cerca de US$ 11,1 milhões nos EUA e fechou a corrida doméstica perto de US$ 16,8 milhões.
Fora dos EUA e Canadá, somou algo em torno de US$ 17,8 milhões. No total, bateu cerca de US$ 34,6 milhões. Para um orçamento de US$ 13 milhões, não foi desastre. Também não virou franquia gigante.
Mesmo assim, a reputação ficou. O filme virou peça de culto porque entrega uma coisa rara até hoje: ação de estúdio com cara de delírio de madrugada, sem se policiar o tempo todo.
Boa parte do charme vem daí. Crank: High Voltage parece saído de uma era em que Hollywood ainda bancava filme médio completamente sem freio. Hoje, esse tipo de maluquice quase sempre nasce menor ou vai direto para nicho.
O elenco secundário também ajuda a manter essa aura estranha. Amy Smart, David Carradine, Dwight Yoakam, Bai Ling, Clifton Collins Jr. E Efren Ramirez entram no caos com convicção total, sem tentar “normalizar” a bagunça.
No Brasil, o caminho é menos direto
O topo no Starz é um movimento do streaming internacional. No Brasil, a disponibilidade de Crank: High Voltage depende de licenciamento e pode mudar conforme a janela de cada plataforma.
O ponto prático é simples: esse destaque global não significa presença fixa em catálogo brasileiro. Se o filme aparecer por aqui, ele costuma circular com opções dubladas e legendadas, mas isso varia de serviço para serviço.
Para o leitor brasileiro, a notícia pesa mais como termômetro do que como estreia local. O que ela mostra é outra coisa: um filme de 2009, com 64% no Rotten Tomatoes e fama de exagerado, ainda consegue sentar no topo quando o streaming encontra o público certo.
E talvez esse seja o detalhe mais curioso dessa volta. Em um mercado lotado de lançamentos caros, um delírio de 85 minutos com Jason Statham ainda consegue gritar mais alto que muito original novo.