Monopoly voltou a mexer no roteiro. A Lionsgate encomendou duas novas abordagens para o filme baseado no jogo da Hasbro, sinal claro de que a versão anterior não andou. O projeto segue vivo, mas ainda está longe de virar um longa de verdade.
Resumo rápido
- Duas duplas entregaram tratamentos concorrentes para o filme de Monopoly
- Lionsgate, LuckyChap e Hasbro seguem no desenvolvimento do projeto
- Longa continua sem diretor, elenco e data de estreia
Não foi uma troca simples de nomes nos créditos. O estúdio está escolhendo entre dois caminhos diferentes de história, o que mostra um filme ainda sem tom definido. E, para uma marca desse tamanho, isso diz bastante.
Duas duplas, uma vaga
Neil Widener e Gavin James, de Um Filme Minecraft (A Minecraft Movie), apresentaram uma proposta. Rebecca Angelo e Lauren Schuker Blum, de Dinheiro Fácil (Dumb Money), entregaram outra.
Agora, os produtores vão escolher uma dessas versões para virar o roteiro. Ou seja: ninguém sentou para escrever a versão final ainda. O trabalho está num estágio anterior.
Vale explicar. “Tratamento” é uma estrutura de história, com tom, personagens e direção geral, mas sem o detalhamento de um roteiro fechado. É o mapa. O filme mesmo ainda não tem estrada pavimentada.
| Ficha técnica | Detalhes confirmados |
|---|---|
| Título | Monopoly |
| Baseado em | Jogo de tabuleiro da Hasbro |
| Estúdios | Lionsgate, LuckyChap Entertainment e Hasbro Entertainment |
| Status | Em desenvolvimento |
| Roteiristas em disputa | Neil Widener e Gavin James; Rebecca Angelo e Lauren Schuker Blum |
| Versão anterior | John Francis Daley e Jonathan Goldstein, contratados em março de 2025 |
| Disponibilidade no Brasil | Indisponível; o filme ainda não entrou em produção |

A versão de 2025 ficou para trás
Em março de 2025, John Francis Daley e Jonathan Goldstein entraram no projeto. A dupla vinha do ótimo Dungeons & Dragons: Honra entre Rebeldes (Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves), que acertou justamente onde adaptações de marca costumam errar: ritmo, humor e carisma.
Só que essa abordagem não avançou. E aqui está o recado real da notícia: o filme não foi cancelado, mas o estúdio entendeu que aquele caminho não bastava.
Isso acontece bastante em Hollywood, ainda mais com IPs sem narrativa fechada. Monopoly não tem herói, vilão ou mitologia pronta. Tem imagem forte de marca, dinheiro, ganância, disputa e uma ideia de capitalismo de tabuleiro. O resto precisa ser inventado.
LuckyChap entrou com o rastro de Barbie
A entrada da LuckyChap Entertainment, oficializada na CinemaCon de 2024, não parece casual. A produtora de Margot Robbie saiu de Barbie com moral suficiente para transformar qualquer brinquedo ou jogo em reunião de estúdio milionária.
Mas convém segurar a empolgação. Barbie funcionou porque tinha uma diretora com visão clara, um texto afiado e uma ironia muito bem calibrada. Monopoly ainda está tentando descobrir qual é o próprio filme.
Será comédia de estúdio? Sátira sobre riqueza? Aventura familiar? Mistério empresarial? Hoje, ninguém de fora do projeto consegue responder com segurança. Nem o desenvolvimento interno parece ter batido o martelo ainda.

Hollywood insiste porque a marca é gigante
Monopoly existe desde 1935. A marca tem reconhecimento global de cerca de 99%, quase 500 milhões de unidades vendidas e presença em mais de 100 países. A própria Hasbro mantém a franquia como um dos pilares oficiais da empresa.
Traduzindo: é o tipo de nome que executivo adora ver na apresentação. Pouca gente no mundo sabe quem é um personagem novo. Quase todo mundo sabe o que é Monopoly.
Mesmo assim, nome forte não resolve filme fraco. Battleship: A Batalha dos Mares (Battleship) continua como lembrança amarga dessa conta. O jogo era conhecido. O filme não funcionou. E a Universal esfriou bastante com adaptações de tabuleiro depois daquilo.
A trajetória de Monopoly mostra esse medo com clareza. A ideia já passou por Universal, teve Ridley Scott cotado lá atrás, mudou de casa, ganhou versões diferentes e até uma comédia pensada para Kevin Hart e Tim Story. Nada saiu do papel.
No Brasil, ainda não há estreia nem plataforma
Para o leitor brasileiro, a resposta prática é bem simples: não existe filme de Monopoly para assistir ainda. Não há data de estreia, elenco, diretor, plataforma de streaming ou previsão de lançamento nos cinemas do Brasil.
Também não faz sentido falar em dublagem neste momento. O longa nem entrou em produção, então qualquer expectativa sobre elenco de voz, janela de streaming ou classificação indicativa ainda seria chute.
O que existe é uma disputa criativa em aberto. A Lionsgate comprou a eOne em 2023, reforçou o controle sobre a biblioteca ligada à Hasbro e não largou o projeto. Só falta o principal: descobrir que filme Monopoly quer ser — e esse atraso já dura desde 2008.