Prime Video aposta em nova versão de Jem e as Hologramas

Por Leandro Lopes 08/06/2026 às 17:36 5 min de leitura
Prime Video aposta em nova versão de Jem e as Hologramas
5 min de leitura

Jem e as Hologramas (Jem and the Holograms) voltou ao radar com uma nova série live-action em desenvolvimento no Prime Video. A produção fica com a Kilter Films, de Fallout e Westworld, ao lado da Hasbro Entertainment — e isso já coloca a franquia em outro patamar.

Não é continuação do filme de 2015. É uma nova adaptação da animação de 1985. E essa diferença importa bastante.

Ficha técnica Detalhe confirmado
Título original Jem and the Holograms
Título no Brasil Jem e as Hologramas
Formato Série live-action em desenvolvimento
Plataforma Prime Video
Produção Kilter Films e Hasbro Entertainment
Produtores executivos Lisa Joy, Jonathan Nolan, Athena Wickham e Gabriel Marano
Baseada em Animação original de 1985
Criadora da franquia Christy Marx
Status Em desenvolvimento

O que já está confirmado

O pacote de certezas ainda é curto, mas bom. O Prime Video fechou o desenvolvimento da série com a Kilter, braço de produção de Lisa Joy e Jonathan Nolan, em parceria com a Hasbro.

Por enquanto, não saíram nomes de elenco, descrição oficial da trama nem janela de estreia. Nada de teaser, nada de foto de set. Só o anúncio e os responsáveis.

Isso já basta para entender o tamanho da aposta. O streaming não pegou uma lembrança oitentista qualquer. Pegou uma marca que mistura música, identidade secreta e drama pop.

Boa escolha

Kilter Films não entra pequena em projeto de catálogo. Foi assim com Westworld. Foi assim, mais recentemente, com Fallout, que virou um dos lançamentos mais fortes do Prime Video e ainda saiu com 93% no Rotten Tomatoes.

Não significa acerto automático. Significa outra ambição. Se a produtora repetir o cuidado visual e o senso de mundo que mostrou em Fallout, Jem pode finalmente ganhar uma adaptação com escala de série, não de experimento perdido no cinema.

Tem um detalhe importante aí. Jem sempre pediu formato seriado. A animação vivia de rivalidade, clipes, romance e exagero colorido. Em duas horas de filme, isso aperta. Em episódios, respira.

Jem e as Hologramas
Jem e as Hologramas (Reprodução)

O filme de 2015 ainda pesa

Esse retorno vem com fantasma junto. O longa de 2015, dirigido por Jon M. Chu e estrelado por Aubrey Peeples, foi mal de crítica e pior ainda na conversa com os fãs.

Faltou justamente o que vendia a marca. Menos exagero, menos glamour, menos fantasia pop. Sobrou uma versão mais pé no chão que poderia funcionar para outra história, mas não para Jem.

Quem lembra da animação sabe o básico: Jerrica Benton comandava uma gravadora e virava Jem, líder da banda Jem e as Hologramas. Cada episódio tinha videoclipes, música original e aquele refrão impossível de esquecer: “Truly Outrageous”.

Sem isso, vira só mais um drama adolescente com guitarra ao fundo. E esse mercado já está lotado.

Sem música, não funciona

A nova série tem um caminho bem claro. Precisa aceitar que a franquia é musical até a alma. Não basta usar o nome e trocar o resto por um drama genérico sobre fama.

Funciona melhor se mirar em duas frentes ao mesmo tempo. Para o público 30+, vale a nostalgia da estética neon, da rivalidade de banda e da heroína dividida entre Jerrica e Jem. Para quem nunca viu o desenho, a porta de entrada é outra: canções fortes e personagens com presença.

Pensa em algo entre Josie e as Gatinhas e Hannah Montana, mas com mais exagero oitentista e menos ironia. Se a série fugir disso, erra o alvo de novo.

Também existe um desafio de tom. A marca nasceu colorida, quase camp, mas precisa conversar com 2026 sem virar piada de si mesma. Parece simples. Não é.

O que o Prime Video quer com isso

O movimento encaixa perfeitamente no momento do streaming. Plataformas grandes estão correndo atrás de marcas já conhecidas, porque IP pronta custa menos na apresentação e chega com público embutido.

A Hasbro vem fazendo isso com frequência. O brinquedo e o desenho viram ativo de catálogo, não só memória afetiva. Quando acerta, nasce franquia. Quando erra, some em uma semana.

No caso de Jem, a lógica é boa. É uma marca reconhecível, tem apelo musical e abre espaço para trilha, clipes e merchandising. O problema é outro: quase todo mundo lembra do conceito, mas nem todo mundo lembra da história.

Ou seja, não basta despertar nostalgia. A série vai precisar criar barulho próprio.

No Prime Video Brasil, por enquanto, só espera

Como o projeto está na casa do Prime Video, o destino natural é o catálogo brasileiro quando a produção avançar. Ainda não houve confirmação sobre dublagem em português, o que é normal para uma série que nem entrou em fase de elenco.

O cenário hoje é simples: série confirmada em desenvolvimento, Kilter e Hasbro no comando, e zero sinal de quando as câmeras começam a rodar. O nome é forte. A equipe também. Falta descobrir se essa volta vai abraçar o lado “Truly Outrageous” da franquia — ou repetir o erro mais óbvio de 2015.