Backrooms: Adaptação da creepypasta aposta no terror psicológico

Por Leandro Lopes 08/06/2026 às 01:46 5 min de leitura Atualizado: 09/06/2026
Backrooms: Adaptação da creepypasta aposta no terror psicológico
5 min de leitura

Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms) pega uma creepypasta de internet e tenta virar cinema de verdade nas mãos de Kane Parsons. Com Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, o filme troca susto fácil por limbo psicológico, memória quebrada e corredores fora da lógica.

Funciona? Em boa parte, sim. Quando abraça o vazio e deixa a câmera respirar, Backrooms incomoda do jeito certo. Quando tenta organizar demais a dor dos personagens, perde um pouco da estranheza que o torna interessante.

Ficha técnica Detalhes
Título no Brasil Backrooms: Um Não-Lugar
Título original Backrooms
Direção Kane Parsons
Estúdio A24
Elenco principal Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve
Personagens citados Clark e Mary
Gênero Terror psicológico, experimental
Origem da ideia Creepypasta e mitologia de internet
Ano 2026

Mais espaço que monstro

Clark é dono de uma loja de móveis obsoletos. Já quis ser arquiteto, desistiu pela estabilidade e agora vive cercado por objetos que parecem sobrar do tempo.

Mary, sua terapeuta, entra como a ponte mais racional da história. Só que o filme não quer racionalidade por muito tempo. O porão da loja abre uma passagem impossível, e dali em diante o espaço vira ameaça.

Acerta porque entende uma coisa básica sobre Backrooms: o medo está no lugar, não no bicho. Os corredores repetidos, a luz cansada e a sensação de eco montam um labirinto quase kafkiano, mais existencial do que físico.

Crítica de Backrooms: Um Não-Lugar
Crítica de Backrooms: Um Não-Lugar (Reprodução)

Kane Parsons entende o medo da internet

Kane Parsons nasceu nesse universo. Antes do longa, o nome dele já estava ligado aos vídeos que ajudaram a transformar Backrooms em febre entre fãs de horror analógico, ARG e liminal spaces.

Isso aparece no filme inteiro. A câmera não serve só para registrar ação; ela guia o desconforto. Em vários momentos, parece a verdadeira protagonista, tateando as paredes e procurando um sentido que nunca chega completo.

Tem parentesco com Skinamarink e com o tipo de terror sensorial que a A24 gosta de bancar. Menos explicação, mais textura. Menos lore mastigada, mais silêncio que aperta o peito.

Para o público jovem, esse caminho faz sentido. Backrooms nasceu da internet e continua falando a língua dela: nostalgia torta, espaços familiares que parecem errados e a impressão de que o mundo ficou vazio de repente.

Quando a abstração pesa

Nem sempre dá certo.

Backrooms é fragmentado de propósito, e isso tem força. O filme quer soar como memória ruim, daquelas que voltam em flashes. Só que fragmentação, sozinha, não cria profundidade.

Há cenas em que o longa encosta numa falsa subjetividade. A imagem sugere muito, o som empurra tensão, mas a emoção não acompanha no mesmo nível. Fica bonito, estranho e um pouco distante.

Esse descompasso aparece mais no miolo. O começo prende rápido, porque a descoberta do espaço é ótima. Depois, quando o trauma vira explicação mais direta, o mistério perde parte do veneno.

Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve seguram a parte humana

Chiwetel Ejiofor segura o filme pelo cansaço. Clark é um homem empacado, e o ator entende isso no corpo. Ele anda como quem já desistiu um pouco antes da primeira cena.

Renate Reinsve faz mais com menos. Mary poderia virar personagem de exposição, dessas que explicam o tema em voz alta. Ela evita isso e deixa dúvidas no olhar, o que combina melhor com um filme que vive de rachaduras.

Os dois ajudam a impedir que Backrooms vire só exercício visual. Sem esse peso humano, a experiência corria o risco de parecer um clipe longo de horror liminar. Com eles, ao menos existe carne dentro do conceito.

Backrooms é melhor como sensação do que como resposta

O filme cresce quando aceita não explicar tudo. A melhor leitura não está no enigma do espaço, mas no que ele faz com gente parada na própria vida. Clark entra no labirinto físico porque já estava preso antes.

Esse retrato de estagnação adulta funciona bem. Móveis velhos, sonho abandonado, terapia, fuga emocional. O horror nasce dessa mistura entre lugar impossível e rotina reconhecível. É aí que o “não-lugar” do título encontra peso real.

Ao mesmo tempo, quem entrar esperando sustos em sequência ou regras claras pode se irritar. Backrooms joga mais perto do desconforto e da deriva. Se você curte terror que explica tudo no terceiro ato, aqui a porta fecha cedo.

No Brasil, ainda sem plataforma definida

Até agora, Backrooms segue sem plataforma anunciada no Brasil. Também não há detalhes fechados sobre lançamento em streaming, circuito nacional de cinemas ou dublagem em português.

Isso pesa, porque esse tipo de filme muda muito de escala conforme a tela. No cinema, o vazio engole. Em casa, pode soar mais frio. Quando Backrooms aparecer por aqui, a dúvida vai ser essa: experiência de terror de verdade ou só uma lenda da internet esticada por 100 minutos?

Trailer