Quem matou Adrien em O Verão de 1936?

Por Marina Costa 02/07/2026 às 00:31 6 min de leitura
Quem matou Adrien em O Verão de 1936?
6 min de leitura

O Verão de 1936 termina do jeito que bom suspense europeu gosta: menos catarse, mais incômodo. Se você chegou ao último episódio se perguntando quem matou Adrien Jacquart, a resposta existe — e o mais interessante vem logo depois dela.

Resumo rápido

  • Anne Marie Meunier Dauphin matou Adrien com um abridor de cartas
  • Marthe envenena Edgar Girault com arsênico para proteger a irmã
  • Raven descobre a verdade e escolhe não prender Anne Marie

O desfecho da minissérie troca o “quem matou?” por algo mais espinhoso: quem o sistema protegia o tempo todo? Adrien não cai por acaso. Ele cai porque carregava um crime antigo, poder demais e a certeza de que conseguiria comprar mais um silêncio.

Spoiler sem rodeio: quem matou Adrien Jacquart

A assassina de Adrien Jacquart é Anne Marie Meunier Dauphin. Ela o mata com um abridor de cartas, tomada pela revolta depois de confrontá-lo sobre a morte do filho.

O motivo pesa. Adrien teria atropelado a criança e, pior, usado sua posição para encobrir o caso. Quando Anne Marie exige resposta, ele tenta comprar seu silêncio. Péssima ideia. O crime explode ali, no impulso, misturando luto, raiva e anos de impunidade.

Funciona porque a série esconde bem a carta. Durante quase toda a trama, a narrativa empurra a suspeita para outros nomes:

  • Blanche
  • Eugénie
  • Giulia
  • Léonie

No último episódio, nenhuma delas é a autora do assassinato. Elas orbitam o segredo. Não puxam o gatilho — ou, neste caso, não cravam a lâmina.

Ficha técnica Detalhes confirmados
Título O Verão de 1936
Título original O Verão de 1936
Formato Série / minissérie
Gênero Suspense dramático de época
Plataforma no Brasil Netflix
Vítima central Adrien Jacquart
Assassina revelada Anne Marie Meunier Dauphin
Arma usada Abridor de cartas
Segunda vítima no final Edgar Girault
Tom do desfecho Justiça imperfeita e ambiguidade moral
Comissário Raven em cena final, olhando em silêncio após descobrir a verdade
Comissário Raven em cena final, olhando em silêncio após descobrir a verdade (Reprodução)

O truque do roteiro está nos falsos culpados

Boa parte do jogo dramático está em fazer o público olhar para o lugar errado. Blanche, Eugénie, Giulia e Léonie parecem suspeitas plausíveis porque todas têm motivo, presença e uma relação atravessada por segredo.

Mas a série não quer só montar um quebra-cabeça policial. Ela quer mostrar um ambiente podre. O hotel Riviera vira um aquário de classe, poder e medo, onde todo mundo sabe demais e ninguém pode falar tudo.

Vale notar a escolha. Adrien é promotor, não um vilão qualquer. A morte dele mexe com o eixo da história porque derruba alguém que se escondia atrás da lei. Parece The Night Of nessa fricção entre justiça formal e verdade humana.

Edgar Girault entra no jogo e piora tudo

O final não para na morte de Adrien. Edgar Girault, gerente do hotel, presencia o assassinato e faz o que personagens assim sempre fazem em thrillers de época: tenta lucrar com a desgraça alheia.

Ele passa a chantagear Anne Marie. A partir daí, o caso deixa de ser um crime isolado e vira uma corrente de proteção familiar. Quem reage é Marthe, que mata Edgar com arsênico para salvar a irmã.

Essa segunda morte muda o peso do último episódio. Não é mais só vingança. É encobrimento, desespero e sobrevivência. Mais Mare of Easttown do que um simples mistério de sala fechada.

Na prática, o roteiro diz algo bem claro: quando o sistema falha por tempo demais, as personagens começam a fabricar a própria versão de justiça. Feia, torta e impossível de limpar depois.

Por que Raoul vira o culpado perfeito

Raoul Delaunay é incriminado por Blanche, Eugénie, Giulia e Léonie. Não por heroísmo. Nem por pureza moral. Elas escolhem Raoul porque ele já tem histórico criminal e circula há anos perto da Justiça sem pagar de verdade.

A armação é pragmática. Se a polícia seguir por esse caminho, Anne Marie fica protegida. Sujo? Bastante. Só que a série não tenta dourar isso. Pelo contrário. Ela esfrega a ambiguidade na cara do espectador.

E tem um detalhe importante. A decisão coletiva cria uma rede feminina de sobrevivência. Não é só mentira. É pacto. Em um mundo desenhado por homens influentes, elas distorcem a verdade para impedir que outra mulher seja esmagada.

Raven sabe de tudo — e decide não agir

O comissário Raven descobre a verdade. Esse é o golpe final do episódio. O investigador chega perto do que seria a solução clássica, mas recusa o caminho mais óbvio.

Ele não prende Anne Marie. Isso pode irritar quem queria fechamento limpo. Só que a série nunca esteve interessada em limpeza. Raven entende que punir Anne Marie não resolveria o crime original, nem o abuso de poder que tornou tudo possível.

A escolha dele encaixa o tom inteiro da minissérie. Justiça legal de um lado. Justiça emocional do outro. As duas não caminham juntas aqui.

É um final que lembra Broadchurch na dor comunitária e The Undoing na relação entre elite e encobrimento. A diferença é que O Verão de 1936 pesa mais a mão na solidariedade entre mulheres.

Na Netflix, o final vale a maratona?

Vale, principalmente se você gosta de suspense que termina com gosto amargo. A revelação de Anne Marie funciona, mas o melhor do episódio está no que vem depois: Marthe cruzando a linha, Raoul virando bode expiatório e Raven escolhendo conviver com a verdade.

O Verão de 1936 está disponível na Netflix no Brasil. Quem entrar esperando só um “quem matou?” encontra outra coisa: uma história em que o assassinato importa, claro, mas a pergunta que sobra é pior — quantos Adrien Jacquart continuam protegidos até alguém resolver quebrar o jogo?

Trailer

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