Cannes trata Velozes e Furiosos como clássico

Por Leandro Lopes 16/05/2026 às 19:36 4 min de leitura
Cannes trata Velozes e Furiosos como clássico
4 min de leitura

Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious) ganhou o selo de Clássico de Cannes, e Vin Diesel usou a homenagem para defender o cinema popular. Não teve trailer nem anúncio de elenco. O peso da noite foi outro: blockbuster tratado como legado cultural.

Isso pega porque Cannes raramente abraça franquia desse jeito. Quando abraça, manda recado.

Três décadas depois, Cannes abriu a porta de novo

Diesel voltou ao festival quase 30 anos após exibir o curta Multi-Facial, em 1995. Para quem lembra só do Toretto, o detalhe importa: antes da saga milionária, ele chegou ali como cineasta independente.

Desta vez, o centro da conversa foi o primeiro Velozes e Furiosos. A sessão de gala reuniu Michelle Rodriguez, Jordana Brewster e Meadow Walker, filha de Paul Walker.

Ficha técnica Detalhe
Título original The Fast and the Furious
Título no Brasil Velozes e Furiosos
Direção Rob Cohen
Elenco principal Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster
Gênero Ação, crime, corrida clandestina
Duração 106 minutos
Estúdio Universal Pictures
Estreia 2001
Reconhecimento em 2026 Selo de Clássico de Cannes
Disponibilidade no Brasil Streaming rotativo e aluguel digital

Na Variety, o ator foi direto ao ponto. Ele comprou a briga por um tipo de cinema que muita gente ainda trata como menor só porque enche multiplex.

“O cinema popular, feito com convicção e amor, não é uma forma inferior de arte”

A fala combina com o momento. Cannes costuma reservar sua aura mais “nobre” para filmes autorais, então ver Velozes e Furiosos entrar pela porta dos clássicos diz bastante sobre a mudança de olhar.

Vin Diesel comprou a briga pelo blockbuster

Diesel não falou só de carro, nitro e bilheteria. Ele puxou o argumento para identidade, pertencimento e família escolhida — três ideias que viraram marca da franquia muito antes de meme.

“A história dizia que o sentimento de pertencimento não é herdado, mas sim construído pelas escolhas que fazemos”

Ele também lembrou que o filme original colocou um elenco multirracial no centro de uma grande produção de estúdio. Em 2001, isso não era exatamente padrão de Hollywood.

Tem exagero nessa leitura? Um pouco, porque a franquia também virou caricatura de si mesma em vários momentos. Ainda assim, Diesel acerta na tese principal: blockbuster popular não nasce vazio só porque fala com muita gente.

A emoção da sessão veio daí. Ao rever o desfecho do primeiro filme ao lado de Meadow Walker, ele disse que segurar as lágrimas foi impossível.

“Diante de tanto amor, e era isso que o ambiente representava, pura harmonia, lutar contra a emoção era impossível”

De filme de rua a patrimônio pop

O salto é grande. Velozes e Furiosos nasceu como filme de corrida clandestina, meio policial, meio drama de lealdade, com escala bem menor do que a saga viraria depois.

Hoje, a marca está no mesmo papo de franquias como Missão: Impossível, John Wick e Top Gun: Maverick. Nem sempre pela qualidade uniforme. Pela força cultural, sim.

Não custa lembrar: o primeiro longa teve recepção crítica mista quando saiu. Na página oficial de Rotten Tomatoes, o filme ainda aparece longe de consenso, mas o público nunca largou a saga.

E aí está o ponto mais interessante da homenagem. Cannes não premiou perfeição formal. Cannes reconheceu impacto, memória afetiva e a forma como aquele filme ajudou a moldar o blockbuster dos anos 2000.

Como rever a saga no Brasil hoje

No Brasil, os filmes de Velozes e Furiosos vivem pulando entre Netflix, Prime Video, Telecine via Globoplay Channels e aluguel digital. Catálogo fixo, mesmo, não existe. Mudou de janela, saiu do app.

A parte boa é simples: dublagem em português quase nunca falta. Para quem quer rever o original depois do barulho em Cannes, esse costuma ser um dos casos mais fáceis de encontrar em versão dublada.

O próximo filme da franquia segue planejado para 2028, mas o título final ainda não foi consolidado publicamente. Até lá, sobra uma pergunta boa: se Cannes já chamou o original de clássico, quanto tempo falta para Hollywood parar de fingir que blockbuster popular precisa pedir desculpa para ser levado a sério?

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