Steps, novo longa animado original da Netflix, já tem data e primeiras imagens oficiais. A releitura de Cinderela troca a princesa pelas meias-irmãs e põe Ali Wong no centro da confusão.
Resumo rápido
- Steps estreia na Netflix em 20 de novembro de 2026
- Ali Wong vive Lilith; Amanda Seyfried dubla Cinderela
- Akiva Schaffer dirige a releitura focada nas meias-irmãs
Cinderela quase vira coadjuvante. Esse é o gancho que faz Steps chamar atenção logo de cara, ainda mais com Bette Midler como Fada-Madrinha e um caos que começa com uma varinha roubada.
Cinderela sai do centro em Steps
A premissa é simples e boa. Lilith, a meia-irmã “má”, rouba a varinha da Fada-Madrinha, toma o Baile Real e desmonta a lógica do conto.
Depois, o filme força uma aliança improvável entre Lilith e Cinderela para salvar o reino. Parece piada de conceito? Parece. Mas é o tipo de ideia que costuma render bem quando a execução acompanha.
As primeiras imagens divulgadas pela Netflix em seu hub oficial Tudum vendem exatamente isso: fantasia colorida, cara de conto clássico e energia de comédia mais afiada.
O ponto mais interessante é histórico. Cinderela já foi recontada em livro, teatro, TV e cinema tantas vezes que virou quase um idioma próprio da cultura pop. Da animação da Disney de 1950 às versões com humor, musical ou romance adolescente, o conto sempre volta porque oferece arquétipos muito reconhecíveis: a oprimida, a madrasta, as irmãs invejosas, o baile e a transformação. Ao tirar a heroína tradicional do eixo e entregar a ação para uma das antagonistas, Steps mexe num dos papéis mais estáveis dessa estrutura.
Essa troca de foco tem implicações claras. Em vez de vender apenas um “e se a vilã fosse a protagonista?”, o filme abre espaço para discutir culpa, rivalidade doméstica e a ideia de que personagens antes tratados como caricaturas podem sustentar conflito emocional real. Se funcionar, a história deixa de ser só uma paródia do conto e vira uma comédia de relações familiares com fantasia por cima.

Ficha técnica de Steps
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | Steps |
| Título no Brasil | Steps |
| Formato | Longa-metragem animado |
| Gênero | Animação, fantasia e comédia |
| Base da história | Releitura de Cinderela focada nas meias-irmãs |
| Direção | Akiva Schaffer |
| Roteiro | Akiva Schaffer e Michael Montemayor, com Dan Gregor e Doug Mand |
| Produção | Ali Bell / Party Over Here |
| Elenco de voz | Ali Wong, Amanda Seyfried, Stephanie Hsu, Nikki Glaser e Bette Midler |
| Estreia | 20/11/2026 |
| Plataforma no Brasil | Netflix |
No elenco, Ali Wong faz Lilith, Amanda Seyfried vive Cinderela, Stephanie Hsu interpreta Margot, Nikki Glaser faz Priscilla e Bette Midler assume a Fada-Madrinha.
É um grupo forte para voz. Wong segura sarcasmo, Seyfried traz o lado clássico, Hsu e Glaser empurram a comédia, e Midler entra com peso geracional. Escalação pensada para chamar clique e conversa.
Também existe uma lógica criativa nessa combinação. Ali Wong tem ritmo de fala e acidez que ajudam a vender uma personagem egoísta sem deixá-la totalmente antipática; Amanda Seyfried funciona como contraponto mais doce e tradicional; Stephanie Hsu costuma se destacar em papéis de energia caótica; e Bette Midler, por si só, já carrega uma aura de exagero teatral perfeita para uma Fada-Madrinha menos etérea e mais imprevisível. Em animação, esse tipo de contraste vocal costuma definir o tom tanto quanto o visual.
Akiva Schaffer explica o tipo de humor
Tem um detalhe importante nessa estreia: Akiva Schaffer não costuma fazer comédia reta. Ele veio do The Lonely Island e dirigiu Tico e Teco: Defensores da Lei, um filme que brincava com nostalgia sem ficar preso a ela.
Traduzindo: dá para esperar meta-humor, piada rápida e alguma zoeira com o próprio conto de fadas. Se funcionar, Steps pode ficar mais perto de Shrek e Nimona do que de uma adaptação certinha da Disney.
A Netflix também acerta ao mirar as vilãs. Essa onda de releituras por outro ponto de vista já cansou quando vem sem ideia nova, mas aqui existe um motor dramático claro: a relação quebrada entre as irmãs.
Funciona melhor assim. Em vez de repetir o vestido, o sapatinho e o príncipe, o filme parece interessado na família bagunçada por trás do conto.
As comparações ajudam a medir o desafio. Shrek virou referência porque desmontava contos de fadas sem perder coração, enquanto Nimona modernizava arquétipos com identidade visual forte e emoção genuína. Já projetos centrados em vilões ou coadjuvantes nem sempre encontraram esse equilíbrio: alguns ficaram só no truque do “olhe por outro ângulo”, sem material suficiente para sustentar a mudança. Steps precisa provar que o ponto de vista das meias-irmãs é mais do que uma piada estendida.
Pelas imagens, o filme parece apostar justamente nesse contraste entre tradição e irreverência. O design mantém castelo, salão e figurinos de conto clássico, mas a premissa da varinha roubada sugere uma bagunça mais cartunesca, quase de comédia de assalto. É uma escolha útil: preservar a iconografia conhecida facilita a leitura imediata do público, enquanto o humor deslocado cria a sensação de novidade sem precisar reinventar todo o universo visual.
Nas redes, a reação inicial foi de curiosidade cautelosa. O anúncio chamou atenção pelo elenco e pela ideia de “Cinderela vista pelas meias-irmãs”, algo que naturalmente rende comentário, meme e comparação com outras desconstruções de princesas. Ao mesmo tempo, existe a desconfiança normal com releituras de IPs muito exploradas, especialmente quando o mercado já está cheio de revisões de contos famosos tentando parecer mais espertas do que realmente são.
Entre crítica e público, a expectativa deve girar em torno do mesmo ponto: texto. Produção colorida e vozes conhecidas ajudam no primeiro impacto, mas filmes desse tipo costumam ser julgados pela consistência do humor e pela capacidade de transformar sátira em narrativa. Se Steps encontrar esse equilíbrio, pode entrar na conversa das animações de estúdio com personalidade autoral; se errar a mão, vira apenas mais uma releitura com bom logline.
Steps chega à Netflix em novembro
Steps estreia no catálogo brasileiro da Netflix em 20/11/2026. Até agora, a plataforma não publicou duração, classificação indicativa, estúdio de animação nem detalhes sobre dublagem em português.
Também não houve anúncio de passagem pelos cinemas. Por enquanto, é tratado como um original do streaming mesmo, daqueles feitos para entrar no fim do ano e disputar atenção com o calendário pesado de novembro.
Essa janela também diz bastante sobre a aposta da Netflix. Fim de ano costuma ser terreno de animação familiar, títulos de prestígio e lançamentos pensados para maratona doméstica. Colocar Steps em novembro sugere confiança no apelo transversal do projeto: um filme capaz de conversar com crianças pelo visual, com adultos pelo elenco de voz e com o público online pelo conceito facilmente compartilhável.
Com esse elenco e um conceito fácil de vender, o filme já sai na frente no marketing. Falta ver o principal: quando o trailer longo aparecer, a piada das meias-irmãs vai sustentar 90 e tantos minutos ou vai parar no primeiro ato?