Sou a Frankelda (Soy Frankelda) chegou à Netflix nesta sexta, 12/06, com um peso raro no catálogo brasileiro: é o primeiro longa mexicano em stop motion, animação quadro a quadro, feito inteiramente no México. E não chega do nada — o filme expande uma série cult, mistura terror gótico com musical e ainda estreia com 100% no Rotten Tomatoes.
Resumo rápido
- Sou a Frankelda entrou na Netflix Brasil em 12/06/2026
- Filme é o primeiro longa mexicano em stop motion feito no país
- Abriu com 100% no Rotten Tomatoes, média 7,9/10
Tem cara de descoberta escondida. Mas o projeto é bem maior que isso.
Os irmãos Arturo Ambriz e Roy Ambriz transformaram o universo de Os Sustos Ocultos de Frankelda em um longa de 113 minutos. No caminho, puxaram referências de Gustave Doré, Remedios Varo, Jim Henson e Guillermo del Toro.
Não saiu do nada
Sou a Frankelda nasce direto de Os Sustos Ocultos de Frankelda (Los Sustos Ocultos de Frankelda), série lançada em 2021 na HBO Max Latinoamérica e no Cartoon Network LA. O longa pega esse mundo e amplia a escala.
A história se passa no México do século XIX. Francisca Imelda, futura Frankelda, escreve contos de terror em segredo enquanto lida com editores que a ignoram e com a vigilância da avó.
Quando ela descobre que suas criaturas existem em Topus Terrenus, a fantasia vira pesadelo. É aí que entra Herneval, figura alada que pede ajuda para restaurar o equilíbrio entre ficção e realidade.

Funciona por um motivo simples: o filme tem origem clara. Não parece spin-off montado às pressas para algoritmo.
A Netflix costuma receber muita animação bonita e esquecível. Aqui, o diferencial está no fato de existir uma mitologia anterior, com personagens e estética já amadurecidos.
Pesadelos, música e um visual fora do padrão Netflix
O melhor gancho de Sou a Frankelda está no visual. Os bonecos, cenários e texturas têm aquele acabamento artesanal que lembra Coraline e o Mundo Secreto e A Noiva Cadáver, mas com identidade mexicana bem marcada.
Não para no stop motion tradicional. O filme também usa pinturas a óleo animadas, desenhos em papel e composições expressionistas. É um pacote visual incomum até dentro do próprio nicho.
Mas será que é só embalagem? Pelo menos na largada da crítica, não.
No Rotten Tomatoes, o longa abriu com 100% de aprovação em 10 críticas, média 7,9/10. É um número pequeno de reviews, claro, mas forte o bastante para chamar atenção.
A bilheteria mundial ficou em US$ 2.709.440. Parece pouco perto de uma animação de estúdio grande. Para um stop motion autoral mexicano, depois de festival e circuito local, é outro jogo.

Guillermo del Toro aparece como influência e mentor criativo. Só que o filme não vive de sombra emprestada. Se Pinóquio de Guillermo del Toro era melancólico, Sou a Frankelda vai mais para o gótico juvenil com gosto por monstros e canções.
Esse cruzamento de terror leve, fantasia sombria, musical e história de amadurecimento pode afastar quem espera uma animação infantil convencional. Em compensação, abre espaço para um público que anda órfão de filmes estranhos de verdade.
Ficha técnica de Sou a Frankelda
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | Soy Frankelda |
| Título no Brasil | Sou a Frankelda |
| País | México |
| Direção | Arturo Ambriz e Roy Ambriz |
| Roteiro | Arturo Ambriz e Roy Ambriz |
| Gênero | Animação, fantasia sombria, terror, musical |
| Duração | 113 minutos |
| Estreia em festival | 06/06/2025, Festival de Guadalajara |
| Estreia nos cinemas do México | 23/10/2025 |
| Estreia na Netflix | 12/06/2026 |
| Origem da franquia | Os Sustos Ocultos de Frankelda |
| Voz principal | Mireya Mendoza como Francisca Imelda / Frankelda |
| Outra voz central | Arturo Mercado Jr. Como Herneval |
| Nota no Rotten Tomatoes | 100% em 10 críticas, média 7,9/10 |
| Bilheteria mundial | US$ 2.709.440 |
| Plataforma no Brasil | Netflix |
No elenco de vozes, além de Mireya Mendoza e Arturo Mercado Jr., entram nomes como Luis Leonardo Suárez, Beto Castillo, Magda Giner e Laura Torres. É um elenco grande, puxado para teatro musical e dublagem mexicana.
Esse detalhe pesa. Como o filme mistura fantasia e números musicais, a voz não está ali só para preencher personagem. Ela carrega atmosfera.
Na Netflix Brasil a partir de hoje
Sou a Frankelda já está disponível na Netflix Brasil. Até a publicação, o material consultado não confirmava elenco de dublagem brasileira, então o mais seguro é verificar no catálogo da sua conta se há áudio em português.
Quem nunca viu a série original ainda consegue entrar nesse universo pelo longa. Quem conhece Os Sustos Ocultos de Frankelda, porém, deve aproveitar melhor as camadas e referências.
Para o assinante brasileiro, o principal aqui não é só “tem filme novo”. É uma chance rara de pegar uma animação latino-americana autoral no streaming grande, sem passar por circuito de festival ou sessão perdida.
A dúvida agora é outra: a Netflix vai tratar Sou a Frankelda como estreia de catálogo qualquer ou vai empurrar esse marco do stop motion mexicano para a vitrine que ele merece?