Onde Assistir Dahmer: Um Canibal Americano no Brasil
Sinopse
Dahmer: Um Canibal Americano (Monster: The Jeffrey Dahmer Story) estreou na Netflix em 2022 e quebrou recordes da plataforma — mais de 1 bilhão de horas assistidas nos primeiros 60 dias, marca que só Stranger Things havia atingido. Criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, a série reconstrói a trajetória de Jeffrey Dahmer, assassino em série condenado pelos crimes contra 17 jovens entre 1978 e 1991, na maioria homens negros e latinos.
Evan Peters interpreta Dahmer em uma performance que rendeu ao ator o Globo de Ouro de Melhor Ator em Minissérie. O elenco inclui Niecy Nash como Glenda Cleveland, vizinha que denunciou o assassino diversas vezes sem ser ouvida pela polícia de Milwaukee — interpretação que rendeu a Nash o Emmy de Atriz Coadjuvante. Richard Jenkins vive o pai de Dahmer, e Penelope Ann Miller a mãe.
A série dividiu opiniões: enquanto críticos elogiaram a denúncia ao racismo e homofobia institucionais que permitiram que Dahmer agisse impunemente por mais de uma década, familiares das vítimas se manifestaram contra a produção, alegando não terem sido consultados. A Netflix retirou a tag LGBTQ+ da série após críticas. Monster se tornou antologia: a segunda temporada, sobre os irmãos Menendez, estreou em 2024.
Análise — Notícias Flix
A primeira temporada de Monster: The Jeffrey Dahmer Story é, ao mesmo tempo, o maior fenômeno comercial do gênero true crime no streaming e um dos projetos mais difíceis de defender eticamente da última década. Ryan Murphy e Ian Brennan estruturam a série em torno de uma escolha narrativa esperta: o episódio 6, Silenced, abandona Dahmer por completo para acompanhar Tony Hughes — uma das vítimas surdas do assassino — em um capítulo que se tornou referência sobre como contar histórias de violência sem fetichizar o agressor.
Mas a série se equilibra numa linha tênue. Quando funciona, opera como denúncia institucional: a polícia de Milwaukee aparece como cúmplice estrutural, devolvendo um adolescente laosiano nu e drogado para Dahmer depois que duas mulheres negras tentaram salvá-lo. Glenda Cleveland, vivida por Niecy Nash, é a verdadeira protagonista moral — e Nash usa o tempo de tela para construir um retrato denso da vizinha que ninguém escutou. O Emmy de Atriz Coadjuvante foi merecido.
O problema é o resto. Evan Peters compõe Dahmer com uma calma inquietante que beira a humanização — e familiares de vítimas reclamaram publicamente que não foram consultados, que reviveram o trauma ao ver suas histórias dramatizadas sem aviso. A Netflix, sintomaticamente, removeu a tag LGBTQ+ da série após reclamações de espectadores que não queriam ver crimes contra gays catalogados como entretenimento queer.
Tecnicamente, é impecável: direção contida, fotografia bege-doentia, trilha que sabe quando recuar. O ritmo de 10 episódios é longo demais — alguns capítulos do meio sustentam pouco — mas o desenho de produção dos anos 1980 e 1990 é minucioso. Vale assistir? Sim, mas com a consciência de que o boom do gênero true crime tem custo humano real para famílias que nunca pediram para ver seu pior dia transformado em série de prestígio.
Pontos fortes
- Performance histórica de Niecy Nash como Glenda Cleveland (Emmy merecido)
- Episódio 6 (Silenced) é referência sobre como contar histórias de vítimas
- Denúncia contundente do racismo e homofobia da polícia de Milwaukee
- Direção de arte e fotografia tecnicamente impecáveis
Pontos fracos
- Familiares de vítimas reais não foram consultados sobre a dramatização
- Evan Peters humaniza Dahmer a ponto de gerar empatia desconfortável
- Ritmo de 10 episódios é longo — alguns capítulos do meio se arrastam
- A Netflix teve que remover a tag LGBTQ+ depois de protestos
Datas-chave
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Lançamento mundial
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