Selton Mello entra em Zero K filmado em São Paulo

Por Leandro Lopes 15/05/2026 às 21:26 5 min de leitura Atualizado: 16/05/2026
Selton Mello entra em Zero K filmado em São Paulo
5 min de leitura

Zero K coloca Selton Mello em uma coprodução internacional de ficção científica com elenco forte e filmagens em São Paulo. O gancho mais chamativo é esse encontro com atrizes associadas a Corra! e A Noiva!, mas o pacote inteiro chama mais atenção quando você olha diretor, livro de origem e o perfil do projeto.

Não é filme de nave explodindo. É sci-fi de cabeça.

O que já está confirmado

Selton Mello está no elenco de Zero K, novo longa escrito e dirigido por Michael Almereyda. O filme adapta o romance homônimo de Don DeLillo, um dos autores mais respeitados quando o assunto é tecnologia, paranoia e angústia moderna.

Também estão confirmados Caleb Landry Jones, Peter Sarsgaard, Britt Lower e Inga Ibsdotter Lilleaas. As filmagens acontecem em São Paulo e devem seguir até o início de junho de 2026.

Vista urbana de São Paulo usada como locação de Zero K, com prédios e clima cinza futurista
Vista urbana de São Paulo usada como locação de Zero K, com prédios e clima cinza futurista (Reprodução)
Ficha técnica Informação
Título original Zero K
Título no Brasil Zero K
Formato Filme
Gênero Ficção científica, drama, suspense tecnológico
Direção Michael Almereyda
Roteiro Michael Almereyda
Baseado em Romance Zero K, de Don DeLillo
Produtoras RT Features, Keep Your Head, Oak Street Pictures
Elenco principal Selton Mello, Caleb Landry Jones, Peter Sarsgaard, Britt Lower, Inga Ibsdotter Lilleaas
Locação principal São Paulo
Status Em produção
Previsão de fim das filmagens Início de junho de 2026

Tem outro detalhe importante: Zero K segue com o mesmo título no Brasil. Até agora, nenhum nome em português foi divulgado.

Não espere ação. Espere um drama frio

A trama gira em torno de um bilionário da tecnologia, sua esposa em estado terminal e um filho distante. No centro disso tudo, entra um procedimento de preservação criogênica, técnica de congelamento extremo ligada à ideia de adiar a morte.

É uma premissa que puxa menos para Interestelar e mais para algo na linha de A Chegada, Ex Machina: Instinto Artificial e High Life: Uma Nova Vida. Menos explicação didática. Mais clima, dilema moral e desconforto.

Don DeLillo não escreve ficção científica pop. Ele escreve sobre medo contemporâneo. Quando esse material cai nas mãos de Almereyda, o sinal é claro: vem aí um filme mais cerebral do que comercial.

Set de filmagem de Zero K em São Paulo com equipe internacional e atmosfera futurista discreta
Set de filmagem de Zero K em São Paulo com equipe internacional e atmosfera futurista discreta (Reprodução)

Michael Almereyda e Don DeLillo mudam o peso da notícia

Selton Mello em filme internacional já seria assunto por si só. Só que Zero K não parece um projeto montado para grande estreia global com campanha barulhenta. Tem cara de circuito de festival, sessão lotada de imprensa e debate depois da exibição.

Almereyda costuma trabalhar numa chave autoral. É o tipo de diretor que prefere atmosfera a exposição. Se ele mantiver esse registro, Zero K deve apostar em silêncios, enquadramentos frios e tensão filosófica, não em reviravolta mastigada.

Já DeLillo é um nome pesado na literatura americana. Adaptar um livro dele nunca é tarefa simples. Isso, sozinho, já coloca o filme em um patamar diferente de muito sci-fi de catálogo.

São Paulo vira cenário de ficção científica internacional

Esse talvez seja o dado mais gostoso para o leitor brasileiro. Zero K está sendo rodado em São Paulo, com produção da RT Features, empresa de Rodrigo Teixeira que há anos funciona como ponte entre Brasil e mercado internacional.

Não é pouca coisa. São Paulo entrando como base de um sci-fi dramático com elenco global reforça uma imagem rara do cinema feito aqui: menos cartão-postal, mais cidade viva, dura e contemporânea.

Também ajuda a entender o lugar de Selton Mello nesse movimento. Ele não entra como curiosidade brasileira de elenco. Entra num projeto com assinatura, ambição de prestígio e time que conversa com o cinema de autor internacional.

Ainda sem data, sem plataforma e sem definição de lançamento

Por enquanto, Zero K não tem estreia marcada. Também não há distribuidora anunciada para o Brasil, nem confirmação de plataforma de streaming no catálogo brasileiro.

Traduzindo: ainda não dá para saber se o filme chega primeiro aos cinemas, passa por festivais ou cai direto em streaming. Dublagem em português também não foi informada até agora.

Com filmagens previstas até o início de junho, o próximo passo deve ser a corrida por festivais e distribuição. Se isso acontecer ainda em 2026, Selton Mello pode aparecer em um dos filmes de ficção científica mais curiosos do ano — e sem precisar de uma única explosão para chamar atenção.