Scarlet, novo filme de anime de Mamoru Hosoda, estreia na Netflix dos EUA em 6 de junho depois de uma passagem fraca pelos cinemas. Para quem assina no Brasil, a dúvida é outra: até este 31/05/2026, a Netflix Brasil ainda não confirmou o longa no catálogo local nem informou se haverá dublagem em português.
Isso importa porque Hosoda não é um nome qualquer. Ele dirigiu Belle, passou por Digimon e tem no currículo One Piece: A Ilha dos Barris e o Tesouro Secreto, um dos filmes mais cultuados da franquia.
Mas o novo projeto chega com um contraste curioso. Festival grande, indicação a prêmio e recepção crítica boa de um lado. Bilheteria fraca do outro.
O que é Scarlet
Scarlet é um longa de fantasia, ação e romance com 112 minutos, escrito e dirigido pelo próprio Hosoda. A história parte de uma inspiração livre em Hamlet, de William Shakespeare, o que já indica um filme menos pop do que Belle.
No elenco de vozes, o destaque vai para Mana Ashida como Scarlet e Masaki Okada como Hijiri. Completam o time Yutaka Matsushige como Cornelius e Kotaro Yoshida como Voltemand.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | Scarlet |
| Título original | Scarlet |
| Direção | Mamoru Hosoda |
| Roteiro | Mamoru Hosoda |
| Gênero | Fantasia, ação e romance |
| Duração | 112 minutos |
| Classificação indicativa | PG-13 |
| Elenco principal | Mana Ashida, Masaki Okada, Yutaka Matsushige, Kotaro Yoshida |
| Estreia no Japão | 21/11/2025 |
| Estreia nos cinemas dos EUA | 06/02/2026 |
| Estreia na Netflix dos EUA | 06/06/2026 |
| Distribuição na América do Norte | Sony Pictures Classics |
| Base de inspiração | Hamlet, de William Shakespeare |
O filme também circulou por festivais de peso, como Veneza, TIFF e New York Film Festival. E apareceu no radar do Annie Awards com indicações em direção e roteiro na categoria de longa.

Bilheteria ruim, mas não falta pedigree
Os números explicam o discurso de “decepção” que cercou o lançamento. No Japão, Scarlet abriu com cerca de 270 milhões de ienes em três dias.
É pouco quando você olha para Belle. No mesmo recorte, o filme anterior de Hosoda fez cerca de 890 milhões de ienes.
Na América do Norte, a situação ficou ainda menor: US$ 629.038 em EUA e Canadá. Para um diretor desse tamanho no anime contemporâneo, é um resultado bem abaixo do esperado.
Isso significa que o filme é ruim? Não necessariamente. Significa que ele não conseguiu vender ingresso.
Existe diferença. Anime autoral costuma sofrer mais quando o marketing não acha uma porta simples de entrada. Belle tinha música, visual chamativo e uma premissa imediata. Scarlet parece mais fechado, mais denso e menos fácil de empacotar.
Mesmo assim, a reação crítica foi melhor do que a resposta do público pagante. Esse tipo de caso vive acontecendo no streaming: o cinema rejeita, o catálogo resgata.
O peso de Mamoru Hosoda continua enorme
Quem acompanha anime há algum tempo sabe o tamanho do nome. Hosoda ajudou a moldar uma geração de filmes que tentam equilibrar espetáculo visual com emoção íntima, sem cair no automático de franquia.
Antes da fase autoral, ele passou por trabalhos em One Piece e Digimon. Depois vieram títulos como The Girl Who Leapt Through Time, Summer Wars, Wolf Children, O Menino e a Fera, Mirai e Belle.
É um currículo que vende curiosidade por si só. Mesmo quando a bilheteria falha, muita gente ainda para para ver o que ele tentou fazer.
Também por isso a chegada ao streaming faz sentido. Um filme assim cresce melhor no boca a boca do que no multiplex de fim de semana.
A casa criativa de Hosoda segue associada à Studio Chizu, estúdio que virou sinônimo do olhar do diretor. Não é garantia de hit. É garantia de personalidade.
Na Netflix dos EUA em 6 de junho. E no Brasil?
Fora dos cinemas, Scarlet já começou a circular melhor. O filme entrou em outros territórios da Netflix em 17 de maio, em pelo menos 15 países e regiões, e agora chega aos Estados Unidos no dia 6 de junho.
No Brasil, porém, o cenário ainda está aberto. Até a publicação deste texto, não havia confirmação pública no catálogo brasileiro da Netflix para a mesma data.
E a dublagem? Também não há informação oficial até agora. Sem essa confirmação, o assinante brasileiro fica dependente de atualização de catálogo mais perto da estreia internacional.
Na prática, o interesse existe. Anime de diretor conhecido costuma performar bem por aqui quando entra em plataforma grande, ainda mais com o nome de Hosoda ligado a obras que já encontraram público no streaming e no home video.
Resta saber se a Netflix vai aproveitar esse embalo no Brasil ou deixar o filme preso em lançamento fragmentado. Se Scarlet aparecer no catálogo brasileiro nos próximos dias, ele tem chance real de virar redescoberta; se não aparecer, vira mais um anime comentado nas redes que o público daqui só consegue ver de longe.