Scarlet cai na Netflix após tropeço nos cinemas

Por Leandro Lopes 30/05/2026 às 22:50 5 min de leitura Atualizado: 03/06/2026
Scarlet cai na Netflix após tropeço nos cinemas
5 min de leitura

Scarlet, novo filme de anime de Mamoru Hosoda, estreia na Netflix dos EUA em 6 de junho depois de uma passagem fraca pelos cinemas. Para quem assina no Brasil, a dúvida é outra: até este 31/05/2026, a Netflix Brasil ainda não confirmou o longa no catálogo local nem informou se haverá dublagem em português.

Isso importa porque Hosoda não é um nome qualquer. Ele dirigiu Belle, passou por Digimon e tem no currículo One Piece: A Ilha dos Barris e o Tesouro Secreto, um dos filmes mais cultuados da franquia.

Mas o novo projeto chega com um contraste curioso. Festival grande, indicação a prêmio e recepção crítica boa de um lado. Bilheteria fraca do outro.

O que é Scarlet

Scarlet é um longa de fantasia, ação e romance com 112 minutos, escrito e dirigido pelo próprio Hosoda. A história parte de uma inspiração livre em Hamlet, de William Shakespeare, o que já indica um filme menos pop do que Belle.

No elenco de vozes, o destaque vai para Mana Ashida como Scarlet e Masaki Okada como Hijiri. Completam o time Yutaka Matsushige como Cornelius e Kotaro Yoshida como Voltemand.

Ficha técnica Detalhe
Título Scarlet
Título original Scarlet
Direção Mamoru Hosoda
Roteiro Mamoru Hosoda
Gênero Fantasia, ação e romance
Duração 112 minutos
Classificação indicativa PG-13
Elenco principal Mana Ashida, Masaki Okada, Yutaka Matsushige, Kotaro Yoshida
Estreia no Japão 21/11/2025
Estreia nos cinemas dos EUA 06/02/2026
Estreia na Netflix dos EUA 06/06/2026
Distribuição na América do Norte Sony Pictures Classics
Base de inspiração Hamlet, de William Shakespeare

O filme também circulou por festivais de peso, como Veneza, TIFF e New York Film Festival. E apareceu no radar do Annie Awards com indicações em direção e roteiro na categoria de longa.

Indicados ao Crunchyroll Anime Awards 2026 - Scarlet (Filme do Ano)
Indicados ao Crunchyroll Anime Awards 2026 – Scarlet (Filme do Ano) (Reprodução)

Bilheteria ruim, mas não falta pedigree

Os números explicam o discurso de “decepção” que cercou o lançamento. No Japão, Scarlet abriu com cerca de 270 milhões de ienes em três dias.

É pouco quando você olha para Belle. No mesmo recorte, o filme anterior de Hosoda fez cerca de 890 milhões de ienes.

Na América do Norte, a situação ficou ainda menor: US$ 629.038 em EUA e Canadá. Para um diretor desse tamanho no anime contemporâneo, é um resultado bem abaixo do esperado.

Isso significa que o filme é ruim? Não necessariamente. Significa que ele não conseguiu vender ingresso.

Existe diferença. Anime autoral costuma sofrer mais quando o marketing não acha uma porta simples de entrada. Belle tinha música, visual chamativo e uma premissa imediata. Scarlet parece mais fechado, mais denso e menos fácil de empacotar.

Mesmo assim, a reação crítica foi melhor do que a resposta do público pagante. Esse tipo de caso vive acontecendo no streaming: o cinema rejeita, o catálogo resgata.

O peso de Mamoru Hosoda continua enorme

Quem acompanha anime há algum tempo sabe o tamanho do nome. Hosoda ajudou a moldar uma geração de filmes que tentam equilibrar espetáculo visual com emoção íntima, sem cair no automático de franquia.

Antes da fase autoral, ele passou por trabalhos em One Piece e Digimon. Depois vieram títulos como The Girl Who Leapt Through Time, Summer Wars, Wolf Children, O Menino e a Fera, Mirai e Belle.

É um currículo que vende curiosidade por si só. Mesmo quando a bilheteria falha, muita gente ainda para para ver o que ele tentou fazer.

Também por isso a chegada ao streaming faz sentido. Um filme assim cresce melhor no boca a boca do que no multiplex de fim de semana.

A casa criativa de Hosoda segue associada à Studio Chizu, estúdio que virou sinônimo do olhar do diretor. Não é garantia de hit. É garantia de personalidade.

Na Netflix dos EUA em 6 de junho. E no Brasil?

Fora dos cinemas, Scarlet já começou a circular melhor. O filme entrou em outros territórios da Netflix em 17 de maio, em pelo menos 15 países e regiões, e agora chega aos Estados Unidos no dia 6 de junho.

No Brasil, porém, o cenário ainda está aberto. Até a publicação deste texto, não havia confirmação pública no catálogo brasileiro da Netflix para a mesma data.

E a dublagem? Também não há informação oficial até agora. Sem essa confirmação, o assinante brasileiro fica dependente de atualização de catálogo mais perto da estreia internacional.

Na prática, o interesse existe. Anime de diretor conhecido costuma performar bem por aqui quando entra em plataforma grande, ainda mais com o nome de Hosoda ligado a obras que já encontraram público no streaming e no home video.

Resta saber se a Netflix vai aproveitar esse embalo no Brasil ou deixar o filme preso em lançamento fragmentado. Se Scarlet aparecer no catálogo brasileiro nos próximos dias, ele tem chance real de virar redescoberta; se não aparecer, vira mais um anime comentado nas redes que o público daqui só consegue ver de longe.