A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X-Men

Por Leandro Lopes 07/06/2026 às 12:31 5 min de leitura Atualizado: 09/06/2026
A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X-Men
5 min de leitura

Os X-Men finalmente deram nome a uma relação que já existia nas entrelinhas havia décadas. Em The Uncanny X-Men #29, Rogue trata Monet St. Croix como sua “irmã super-heroína” — e o detalhe mais importante é este: não existe parentesco de sangue aqui.

É irmandade simbólica. Daquelas bem X-Men mesmo.

Para quem conhece Rogue mais pelos desenhos e filmes, vale o ajuste: isso aconteceu nos quadrinhos da Marvel, não em adaptação. E mexe menos com choque de revelação e mais com memória afetiva de quem acompanha a cronologia mutante.

A edição que bateu o martelo

The Uncanny X-Men #29 é a HQ que formaliza a relação entre Rogue e Monet St. Croix. O roteiro é de Gail Simone, com arte de Luciano Vecchio e cores de Matthew Wilson.

Não é um retcon maluco. É quase o contrário. A revista só transforma em texto claro uma dinâmica que já vinha sendo construída em anos de convivência, missões e liderança compartilhada.

Ficha técnica Detalhe
Título The Uncanny X-Men #29
Editora Marvel Comics
Roteiro Gail Simone
Arte Luciano Vecchio
Cores Matthew Wilson
Franquia X-Men
Personagens centrais Rogue e Monet St. Croix
Formato HQ seriada mensal
Primeira aparição de Rogue Avengers Annual #10 (1981)
Primeira aparição de Monet X-Men #36 (1994)
Poder de Rogue Absorção de poderes, memórias e energia vital por toque
Poderes de Monet Força, voo, resistência e intelecto elevado

A página oficial da Marvel Comics reúne as publicações da linha mutante. É o caminho mais seguro para acompanhar a edição e futuras coletas da fase.

Página interna ou arte conceitual de The Uncanny X-Men com Rogue e Monet em momento de diálogo íntimo ou apoio mútuo
Página interna ou arte conceitual de The Uncanny X-Men com Rogue e Monet em momento de diálogo íntimo ou apoio mútuo (Reprodução)

Não é irmã de sangue. Melhor assim.

A expressão “irmã super-heroína” pode soar como revelação literal. Não é. O texto trabalha uma irmandade espiritual, construída por confiança, trauma e tempo de estrada.

Faz todo sentido. X-Men sempre viveu de família escolhida.

Essa franquia transformou escola, equipe e campo de batalha em casa faz muito tempo. Xavier e Magneto funcionam como família ideológica. Wolverine e Laura Kinney já ocuparam esse lugar em outra chave. Tempestade e Kitty Pryde também carregam essa energia.

Com Rogue e Monet, a lógica é parecida. As duas têm presença de líder, postura combativa e um tipo de força que raramente pede licença.

Monet fazia sentido faz tempo

Rogue apareceu em 1981. Monet St. Croix, também chamada de M, surgiu só em 1994 como peça central de Generation X. Por isso a “demora” não é estranha.

O laço entre elas não nasceu na estreia de nenhuma das duas. Ele foi sendo montado depois, em fases específicas da linha mutante.

  • 1981: Rogue estreia em Avengers Annual #10
  • 1994: Monet St. Croix estreia em X-Men #36
  • Anos 1990/2000: as duas cruzam caminhos em equipes e operações como X-Corps e X-Corporation
  • X-Men de Magneto: a relação ganha corpo em ambiente mais tenso e militarizado
  • Era Krakoa: X-Corp reforça a convivência entre as duas
  • 2026: The Uncanny X-Men #29 formaliza a irmandade espiritual

Quem lê X-Men há anos já via isso. Gail Simone apenas parou de tratar como subtexto.

E Monet merece esse espaço. Fora do núcleo mais fiel dos quadrinhos, ela ainda é subestimada. Só que a personagem sempre teve aura de elite: poderosa, afiada, segura e ótima em histórias de equipe.

A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X — foto de divulgação
A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X — foto de divulgação (Reprodução)

Rogue e Monet funcionam porque se parecem no que importa

As duas não têm personalidade igual. Ainda bem. O encaixe vem de outro lugar.

Rogue carrega culpa, força bruta e instinto de proteção. Monet opera com precisão, confiança e controle. Uma sente o peso da história no corpo. A outra entra na sala como se já soubesse que é a pessoa mais preparada ali.

Juntas, elas lembram uma das fórmulas que os X-Men mais acertam: mulheres fortíssimas, com atrito suficiente para gerar cena boa e respeito suficiente para vender vínculo real. Não é muito diferente do que a franquia já fez, em tons distintos, com Tempestade e Kitty Pryde.

Mas será que isso muda o rumo da fase atual? Talvez não de forma imediata. Só que muda a leitura. Quando a HQ dá nome a esse tipo de afeto, ela reorganiza décadas de conversa entre personagens.

A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X — pôster oficial
A família escolhida de Rogue enfim ganhou nome nos X — pôster oficial (Reprodução)

No Brasil, a leitura ainda passa pela fase americana

Essa revelação saiu na linha regular da Marvel Comics nos Estados Unidos. Para o leitor brasileiro, o acesso mais direto costuma ser a edição importada, o material digital da Marvel e futuras compilações da fase, dependendo do calendário local de publicação.

É um detalhe pequeno? Nem um pouco. Muita gente conhece Rogue, mas não conhece Monet quase nada. Se essa edição fizer mais leitores irem atrás de Generation X, X-Corps e X-Corp, já terá feito mais do que um bom diálogo: terá empurrado uma mutante ótima de volta para o centro do mapa. A dúvida agora é outra: depois de nomear essa irmandade, a Marvel vai tratá-la como peça fixa ou deixar tudo só no campo do “foi bonito enquanto durou”?