Pokémon Plakoro: A volta do lado mais raro da franquia

Por Leandro Lopes 01/06/2026 às 01:01 4 min de leitura
Pokémon Plakoro: A volta do lado mais raro da franquia
4 min de leitura

Pokémon Plakoro voltou ao radar depois de 29 anos. A Bandai relança em julho de 2026 um dos produtos mais obscuros da franquia, um jogo de mesa com dados lançado no Japão em 1997. Se você nunca ouviu falar nele, faz sentido — e é justamente aí que a notícia fica boa.

Não é game principal. Não é anime. Também não é TCG. Plakoro vem de outra prateleira da marca Pokémon: a dos brinquedos e jogos de nicho que quase sempre ficam presos ao mercado japonês.

Um brinquedo de 1997 volta em julho

Pokémon Plakoro nasceu em 1997 como um jogo de mesa da Bandai. Agora, em 2026, ele volta em formato de revival oficial, com novos itens e expansão do catálogo.

O retorno faz sentido pelo momento da franquia. Pokémon vive uma fase forte em colecionáveis, cartas e nostalgia noventista. Quando isso acontece, o Japão adora puxar coisa esquecida do armário.

Ficha Detalhe
Nome Pokémon Plakoro
Fabricante Bandai
Tipo Jogo de mesa com dados
Lançamento original 1997
Relançamento 2026
Janela de estreia Julho de 2026
Componentes Playmat, dados Charakoro, dados Enekoro, cartas de movimento e chips customizáveis
Preço do starter set US$ 7
Preço da box individual US$ 3
Preço da expansion box US$ 17

Na prática, Plakoro parece mais um híbrido de brinquedo colecionável com batalha leve do que um jogo competitivo no molde do Pokémon Estampas Ilustradas. É menos “montar deck” e mais “abrir a caixa, jogar no tapete e brincar”.

Componentes de Pokémon Plakoro sobre o playmat, com dados Charakoro de Pikachu, Bulbasaur e Charmander em destaque
Componentes de Pokémon Plakoro sobre o playmat, com dados Charakoro de Pikachu, Bulbasaur e Charmander em destaque (Reprodução)

Dados em forma de Pokémon e um apelo bem diferente do TCG

O coração do jogo está nos dados. Os Charakoro são peças em formato de Pokémon, enquanto os Enekoro funcionam como dados de energia. Some a isso um playmat dedicado, cartas de movimento e chips customizáveis.

É um desenho de produto bem japonês. Visual forte, entrada barata e aquele impulso de colecionar “só mais um”.

Entre os monstrinhos citados no relançamento estão Bulbasaur, Charmander, Squirtle, Pikachu e Eevee. Também aparecem nomes que puxam mais o lado colecionável, como Mew, Articuno, Zapdos, Moltres, Pinsir, Onix e Grimer.

Isso muda bastante a conversa. Em vez de focar só nos mascotes mais óbvios, a linha abre espaço para peças com cara de item raro de prateleira. Quem compra Pokémon por nostalgia entende o apelo na hora.

É um retorno de nicho. E esse é o charme

Plakoro não volta para disputar espaço com os jogos principais do Switch 2 nem com o TCG tradicional. A jogada da Bandai é outra: vender memória afetiva em caixas pequenas e acessíveis.

Os preços ajudam. Starter sets por cerca de US$ 7, boxes individuais por US$ 3 e expansion box na faixa de US$ 17 colocam o produto num ponto de entrada baixo para o mercado japonês.

Mas será que isso basta? Para esse tipo de revival, quase sempre basta sim. O comprador aqui não está buscando profundidade de regras no nível de Magic ou Yu-Gi-Oh!. Ele quer o objeto, a curiosidade e a sensação de resgatar um pedaço perdido da marca.

Pokémon já faz isso há anos em outras frentes. O TCG segue forte, o mercado de figuras não desacelera e até linhas menores ganham nova vida quando a nostalgia entra em alta. Plakoro encaixa perfeitamente nessa onda.

Tem outro detalhe. Revivals assim funcionam como teste barato. Se vender bem, a Bandai expande. Se não vender, o prejuízo é pequeno e o item ainda vira peça cobiçada de colecionador.

No Brasil, por enquanto, a história é outra

Até aqui, não há confirmação de distribuição oficial no Brasil. Também não foi anunciada uma versão localizada para o nosso mercado. Então o caminho mais provável é importação.

Isso limita bastante o alcance. Plakoro tende a circular por lojas especializadas, importadores e criadores de conteúdo de unboxing, não por grande varejo brasileiro.

Quem quiser acompanhar o produto mais de perto pode ficar de olho no catálogo oficial da Bandai. Hoje, o revival tem muito mais cara de item japonês para colecionador do que de lançamento global.

E tem um motivo simples para isso. Pokémon sempre guardou parte do seu catálogo mais estranho dentro do Japão, como se fosse um museu paralelo da franquia. Plakoro volta exatamente desse lugar.

Julho está perto, mas a pergunta boa não é só se o jogo vai vender. Se esse retorno funcionar, qual outra relíquia esquecida de Pokémon a Bandai resolve desenterrar depois?