Michael: Bilheteria bate recorde da Lionsgate

Por Rafael Duarte 21/06/2026 às 17:30 5 min de leitura
Michael: Bilheteria bate recorde da Lionsgate
5 min de leitura

Michael virou um monstro de bilheteria. A cinebiografia musical dirigida por Antoine Fuqua já soma US$ 959,6 milhões no mundo, passou Bohemian Rhapsody e entrou na conversa dos maiores sucessos de 2026. O que chama atenção, porém, não é só o dinheiro: o filme divide crítica e público de um jeito raro.

Resumo rápido

Pelos números divulgados, Michael já é a segunda maior arrecadação global do ano no recorte atual e a maior bilheteria da história da Lionsgate. Não é pouca coisa. Ainda mais para um filme que saiu dos cinemas com a crítica torcendo o nariz.

Quase US$ 1 bilhão no caixa

O total mundial está dividido assim: US$ 367,9 milhões nos EUA e US$ 591,7 milhões no mercado internacional. A soma fecha em US$ 959,6 milhões, com lançamento em 83 territórios.

Isso coloca o filme num patamar que poucas cinebiografias musicais alcançaram. Bohemian Rhapsody, que por anos foi a referência do subgênero, terminou sua corrida com US$ 911 milhões. Michael foi além.

Ficha técnica Detalhe
Título Michael
Direção Antoine Fuqua
Roteiro John Logan
Produção executiva Graham King
Gênero Cinebiografia musical
Protagonista Jaafar Jackson como Michael Jackson
Elenco citado Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Laura Harrier e Juliano Krue Valdi
Recorte da história Da infância no Jackson 5 até a fase da turnê Bad
Bilheteria nos EUA US$ 367,9 milhões
Bilheteria internacional US$ 591,7 milhões
Bilheteria global US$ 959,6 milhões
Rotten Tomatoes — crítica 39%
Rotten Tomatoes — público 97%
CinemaScore A-

Tem um detalhe importante aí. A marca de “2º maior do ano” depende do ranking completo da temporada, que não foi detalhado junto com os números. Já o valor arrecadado, esse sim, está claro: US$ 959,6 milhões.

Plateia em cinema assistindo a uma cinebiografia musical, com foco em reação emocionada do público
Plateia em cinema assistindo a uma cinebiografia musical, com foco em reação emocionada do público (Reprodução)

39% da crítica, 97% do público

A divisão de recepção é brutal. No Rotten Tomatoes, Michael aparece com 39% entre os críticos e 97% entre o público. É quase como se estivessem falando de dois filmes diferentes.

Mas o CinemaScore em A- ajuda a entender o caixa. Quem compra ingresso costuma sair satisfeito, e isso segura perna longa de bilheteria. Musical biográfico vive disso.

Faz sentido. Michael Jackson é um nome que atravessa gerações, e o repertório dele faz metade do trabalho emocional antes mesmo do filme começar. Quando a plateia entra já conectada, o boca a boca fica mais forte.

Crítica mais fria, público mais caloroso. Esse contraste já apareceu em outros títulos do gênero, como Elvis e Rocketman, mas aqui a diferença virou abismo. O filme pode ser contestado em estrutura ou abordagem, só que a resposta popular foi gigantesca.

'Michael' Has Been Embraced by Audiences
'Michael' Has Been Embraced by Audiences (Reprodução)

Brasil virou peça grande nessa corrida

O Brasil não entrou como figurante nessa história. Pelo contrário: aparece como o 4º maior mercado internacional do filme, com US$ 32,2 milhões. Ficou atrás só de Reino Unido, França e Alemanha.

Não surpreende tanto assim. Michael Jackson sempre teve base fortíssima por aqui, e cinebiografia musical costuma crescer bem quando mistura nostalgia, canções conhecidas e cara de evento de cinema.

Mercado internacional Bilheteria
Reino Unido US$ 68,1 milhões
França US$ 54,5 milhões
Alemanha US$ 34,3 milhões
Brasil US$ 32,2 milhões
México US$ 30,7 milhões

Vale olhar esse ranking com carinho. O Brasil ficou à frente do México e encostado na Alemanha, dois mercados muito relevantes para esse tipo de lançamento. Não tem como tratar isso como desempenho lateral.

Também pesa o fator repertório. Filmes assim vendem memória, não só narrativa. Quando o catálogo musical é tão popular quanto o de Michael Jackson, o público compra a experiência mesmo que a imprensa especializada fique mais distante.

O recorde muda a conta da Lionsgate

Se a marca histórica da Lionsgate se sustenta na checagem final do catálogo, o estúdio ganhou mais do que um hit. Ganhou uma prova de que ainda existe espaço enorme para filmes de evento fora das franquias de super-herói.

Michael junta três motores fortes: artista reconhecido no mundo inteiro, trilha que o público já ama e sensação de “filme para ver na sala”. Isso explica por que a bilheteria voou mesmo com a crítica batendo menos palmas.

Agora falta um número que tem peso simbólico próprio: US$ 1 bilhão. Com o Brasil no top 5 internacional e a plateia comprando a ideia muito mais do que os críticos, a dúvida já não é se Michael deu certo — é quanto fôlego ainda sobrou nessa corrida.

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