A Marvel mudou a radiação gama do Hulk?

Por Leandro Lopes 28/05/2026 às 20:55 4 min de leitura
A Marvel mudou a radiação gama do Hulk?
4 min de leitura

A radiação gama do Hulk ganhou um novo peso em The Ultimates #24. A Marvel chama essa força de “the flameless fire”, ou “o fogo sem chama”, e a mudança vai além do nome.

Não é pista de filme. Não é easter egg para o MCU. É lore de quadrinho mesmo, e dos grandes: a edição final da fase escrita por Deniz Camp transforma a gama em algo quase sagrado.

Ficha rápida de The Ultimates #24

Detalhe Informação
Título The Ultimates #24
Editora Marvel Comics
Roteiro Deniz Camp
Arte Juan Frigeri
Linha editorial Ultimate Universe
Formato Edição mensal de quadrinhos
Personagens centrais Hulk e Mulher-Hulk
Status Edição final da fase destacada

O centro da história é o confronto entre Hulk e Mulher-Hulk. Só que o golpe mais forte da edição não é físico. É conceitual.

Ao chamar a energia gama de “o fogo sem chama”, a revista tira o Hulk do campo do acidente científico puro. Agora a coisa soa como força antiga, quase religiosa, com vontade própria.

os ultimates lutando contra o Hulk
os ultimates lutando contra o Hulk (Reprodução)

O que significa “o fogo sem chama”

A expressão tem cara de profecia. E esse é justamente o efeito. Em vez de tratar a gama só como radiação, a Marvel passa a vendê-la como um poder que escolhe, consome e transforma.

Isso muda a leitura do Hulk. No modelo clássico, Bruce Banner vira monstro porque a ciência deu errado. Em The Ultimates, a ciência continua ali, mas perde o protagonismo para algo mais mítico.

Vale notar uma coisa. O gibi não joga esse termo como frase solta para parecer cool. Ele fecha uma linha que já vinha empurrando o Hulk para um lugar de culto, crença e destino.

Esse movimento aproxima o personagem de leituras mais sombrias do passado, especialmente Immortal Hulk. A diferença é o caminho. Lá, o horror vinha forte. Aqui, a linguagem puxa mais para mito e cosmogonia.

Hulk, Mulher-Hulk e a disputa pelo poder gama

A presença da Mulher-Hulk pesa muito nessa virada. Ela não entra como apoio de luxo. A edição trata a personagem como uma força gama capaz de bater de frente com o próprio Hulk.

Isso dá uma camada interessante para o embate final. Se a gama é uma força “eleita”, a luta deixa de ser apenas briga de força bruta. Vira também disputa por quem encarna melhor esse poder.

É uma escolha esperta. O Hulk sempre funcionou bem no exagero físico, mas o novo universo Ultimate quer algo maior. Quer transformar raiva em doutrina.

Marvel Ultimate Comics
Marvel Ultimate Comics (Reprodução)

A jogada editorial do novo universo Ultimate

Deniz Camp não está mexendo numa palavra isolada. Ele está seguindo a lógica da linha Ultimate mais recente, que reimagina peças conhecidas da Marvel sem copiar a cronologia principal.

Em outros títulos dessa fase, a editora já vinha trocando explicação direta por simbolismo. The Ultimates #24 leva isso mais longe. A gama deixa de ser só efeito colateral e vira fundamento de mundo.

Até referências anteriores da série ajudam a empurrar essa escala. O Doutor Destino já tinha aparecido como peça importante em ponto anterior da trama. Ou seja: essa revista sempre quis operar num nível maior.

Mas será que isso fica preso ao Ultimate Universe? Essa é a pergunta boa. Se o termo pegar entre leitores, não seria estranho ver ecos dele em fases futuras do Hulk fora dessa linha.

E tem outro detalhe. A Marvel sabe que “novo nome” chama atenção, mas nome nenhum sobrevive sem ideia forte por trás. “O fogo sem chama” funciona porque resume bem essa nova fé gamma.

No Brasil, a leitura ainda passa pelo inglês

Por enquanto, a discussão está concentrada na edição original da Marvel Comics. Para quem acompanha quadrinhos da editora no Brasil, o caminho mais comum é importação ou leitura digital em inglês pelo Marvel Unlimited, serviço oficial da casa.

Se você só acompanha o Hulk por filme e série, vale separar as coisas. Isso não muda o MCU hoje. Muda a forma como a Marvel está escrevendo o personagem nos quadrinhos agora.

E não é uma mudança pequena. Quando a radiação gama deixa de ser “acidente” e vira “o fogo sem chama”, o Hulk para de ser só monstro nuclear. Ele vira avatar. A dúvida é se a Marvel vai segurar essa ideia no Ultimate Universe ou deixar ela vazar para todo o resto.