A radiação gama do Hulk ganhou um nome novo em The Ultimates #24, edição final da fase escrita por Deniz Camp e desenhada por Juan Frigeri. Mais do que um apelido estiloso, “the flameless fire” — algo como “o fogo sem chama” — muda a forma como a Marvel trata o poder do personagem no novo Universo Ultimate.
Nome bonito? Sim. Mas a virada real está no significado.
Não é só um nome novo
Em The Ultimates #24, o confronto entre Hulk e Mulher-Hulk funciona como clímax físico e também como manifesto de lore. A edição empurra a energia gama para longe da velha ideia de “acidente científico” e aproxima tudo de uma força quase sagrada.
Isso muda bastante o personagem. No Hulk clássico, a origem sempre esteve presa à radiação, culpa e explosão. Aqui, a gama parece ter vontade própria, quase como se escolhesse seus portadores.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | The Ultimates #24 |
| Editora | Marvel Comics |
| Roteiro | Deniz Camp |
| Arte | Juan Frigeri |
| Linha editorial | Ultimate Universe |
| Formato | Edição mensal de quadrinhos |
| Personagens centrais | Hulk, Mulher-Hulk e referência a Doutor Destino |
| Status | Edição final da fase destacada |
A escolha do termo não parece aleatória. “O fogo sem chama” sugere energia, destruição e culto, mas sem a imagem óbvia do incêndio. É uma descrição que tira o Hulk do laboratório e coloca o personagem mais perto de um avatar de força primordial.
A Mulher-Hulk entra forte nessa leitura. Ela não aparece como escada para o Hulk brilhar. A edição trata a personagem como uma das figuras gama mais poderosas da linha, o que reforça a ideia de sucessão e disputa por esse “chamado”.

De acidente científico a força sagrada
Quem leu Immortal Hulk vai reconhecer o cheiro dessa mudança. A Marvel já vinha flertando com uma visão mais mística do personagem, mas The Ultimates #24 empurra esse lado para o centro da mesa.
A diferença é o contexto. No Universo Ultimate atual, lançado em 2024, a editora vem reimaginando heróis clássicos com linguagem mais simbólica e menos presa à origem tradicional. Hulk vira menos “monstro de radiação” e mais figura de culto.
Até a presença de Doutor Destino como referência ao passado recente da série ajuda nessa chave maior. Essa linha já lida com viagem no tempo, reordenação de mundo e personagens tratados como peças de algo muito maior. A nova leitura da gama encaixa perfeitamente aí.
Também vale separar as coisas: isso não tem relação com o MCU. É uma mudança de cânone nos quadrinhos, dentro de uma continuidade específica da Marvel. Quem chegar esperando pista para filme ou série vai entrar na conversa errada.
| Fase | Como a gama é tratada | Leitura do Hulk |
|---|---|---|
| Hulk clássico | Radiação e acidente científico | Monstro trágico |
| Immortal Hulk | Força ligada ao horror e ao sobrenatural | Entidade de terror corporal |
| The Ultimates #24 | “O fogo sem chama”, energia quase sagrada | Avatar de poder primordial |
Na prática, Camp está fazendo uma troca simples de entender. Sai a ciência como explicação final. Entra o mito como linguagem dominante.
Isso pode soar pequeno no papel. Não é. Quando a Marvel renomeia um conceito tão básico do Hulk, ela mexe no jeito como futuras histórias podem retratar transformação, poder e até linhagem.

O novo Universo Ultimate está mais interessado em mito do que em manual técnico
Esse é o pedaço mais interessante da história. The Ultimates não quer apenas modernizar personagens conhecidos. A revista quer reconstruir a linguagem deles.
O Hulk sempre funcionou bem como metáfora de raiva, trauma e explosão. Agora ele ganha um vocabulário quase religioso. Isso deixa a figura mais estranha, mais ameaçadora e, honestamente, mais fascinante do que a versão “experimento que deu errado” repetida por décadas.
Nem todo leitor vai comprar a ideia de primeira. Parte do público da Marvel prefere a lógica mais pé no chão da origem nuclear. Só que o Universo Ultimate atual não está jogando seguro. E isso, pelo menos, é melhor do que reciclar o mesmo Hulk de sempre com capa nova.
A conversa já chegou aos leitores brasileiros
Para quem acompanha quadrinhos Marvel no Brasil, a novidade pesa mais como direção editorial do que como simples curiosidade de lore. “The flameless fire” é o tipo de conceito que muda discussão de fórum, vídeo de análise e leitura de personagem por meses.
Também abre uma dúvida boa sobre o futuro. Essa ideia vai ficar restrita ao Universo Ultimate ou a Marvel encontrou um nome forte o bastante para contaminar outras fases do Hulk?
A edição já saiu pela Marvel Comics, em inglês, e fecha essa etapa de The Ultimates com uma provocação grande. Se a gama agora é “o fogo sem chama”, o próximo passo lógico é descobrir quem mais a Marvel vai deixar queimar sem fogo.