Jordana Brewster escreve primeiro filme em português

Por Leandro Lopes 16/05/2026 às 20:02 5 min de leitura
Jordana Brewster escreve primeiro filme em português
5 min de leitura

Jordana Brewster, a Mia Toretto de Velozes e Furiosos, revelou em Cannes que está escrevendo seu primeiro roteiro de longa-metragem. O projeto é ambientado no Brasil, nasce de memórias pessoais e tem um detalhe que muda tudo: ela decidiu escrever em português.

Não, não é um novo Velozes e Furiosos. E também não é um filme com produção confirmada.

O que existe hoje é um roteiro em desenvolvimento. Isso parece detalhe, mas não é. Faz diferença para não vender a notícia como se o longa já tivesse estúdio, elenco e data marcados.

Primeiro roteiro, não filme pronto

Jordana falou sobre o projeto durante o Festival de Cannes, em uma conversa no Hotel Carlton. A atriz descreveu a história como meio autobiográfica, ligada à infância que viveu no Brasil.

Até aqui, o status é claro: ela está escrevendo. Não há anúncio de diretora, produtora, plataforma ou cronograma de filmagem.

Em um mercado que adora correr para a manchete, esse ajuste importa. Uma coisa é “novo filme confirmado”. Outra, bem diferente, é uma atriz começando a transformar memória em cinema.

O que já se sabe Detalhe confirmado
Formato Longa-metragem
Status Roteiro em desenvolvimento
Roteirista Jordana Brewster
Ambientação Brasil
Tom da história Meio autobiográfico
Ligação criativa Infância da atriz no Brasil
Local da revelação Festival de Cannes, no Hotel Carlton

O festival deste ano, aliás, está com programação oficial disponível no site do Festival de Cannes. Foi nesse circuito que a atriz abriu a ideia ao público.

O português virou a chave

O trecho mais interessante da fala não é “Brasil”. É “português”. Jordana contou que começou a escrever em inglês, mas percebeu que a história só ganhava verdade quando passava para o idioma ligado à lembrança.

“Quero escrever algo verdadeiro. Quanto mais específica a narrativa, mais universal ela se torna.”

Essa escolha diz bastante sobre o tipo de projeto que ela parece buscar. Menos visão de turista. Mais memória vivida.

Mas será que isso garante um filme mais autêntico? Não sozinho. Idioma ajuda, claro, mas o teste de verdade vem depois: quem entra para produzir, quem revisa o texto e como o Brasil aparece na tela.

Brasil de dentro, não de cartão-postal

Hollywood já filmou o Brasil de muitos jeitos. Às vezes acerta na energia. Às vezes escorrega feio no pacote fácil: favela, festa, calor e caos como atalho visual.

Jordana parte de outro lugar. Ela viveu parte da infância aqui, então o ponto de partida não é pesquisa apressada de escritório. É lembrança.

Isso não transforma automaticamente o projeto em grande filme. Ainda estamos no começo. Só que já muda o olhar.

Existe uma diferença enorme entre um longa sobre o Brasil e um longa escrito a partir do Brasil. O primeiro pode virar cenário. O segundo tem chance de virar experiência.

Se essa lógica se mantiver até a versão final do roteiro, o resultado pode fugir do exotismo que costuma aparecer quando estúdios americanos olham para a América Latina. É cedo, mas o caminho inicial é bom.

Mia Toretto puxa a atenção, mas o projeto é outro

Claro que o nome Velozes e Furiosos puxa a manchete. Jordana Brewster carrega mais de duas décadas de associação com Mia Toretto, uma das peças emocionais da franquia.

No Brasil, esse vínculo pesa ainda mais. Velozes e Furiosos 5: Operação Rio ajudou a reforçar a conexão da saga com o público daqui, mesmo com todos os exageros de ação que a série abraçou depois.

É justamente por isso que a notícia circula tão rápido. Não é só “atriz escreve roteiro”. É uma integrante histórica de uma franquia gigantesca olhando para o Brasil de forma pessoal.

Ao mesmo tempo, convém separar as coisas. Não há indicação de spin-off, nem relação direta com a família Toretto, nem qualquer elo oficial com a Universal.

Em outras palavras: Mia Toretto abriu a porta da curiosidade. O filme que Jordana quer escrever parece estar tentando entrar por outra sala.

Sem plataforma, sem data, sem filmagem confirmada

Para o leitor brasileiro, a informação mais prática é simples: ainda não há filme para assistir. O projeto não tem estreia, não tem plataforma e não teve gravações anunciadas.

Também não está claro se o longa será falado em português, em inglês ou de forma bilíngue. O que ela deixou evidente é outra coisa: o português foi o idioma que destravou a escrita.

Isso coloca o projeto num ponto curioso. Ele nasce de uma estrela de Hollywood, mas o motor criativo está muito mais perto de identidade do que de franquia.

Cannes adora esse tipo de virada autoral, especialmente quando atores conhecidos decidem assumir o texto. A diferença, aqui, é o Brasil no centro da história.

Se Jordana Brewster levar esse roteiro adiante do jeito que descreveu, o resultado pode ser raro: um filme americano com DNA brasileiro de verdade. A questão é se essa versão mais íntima vai sobreviver quando a indústria entrar na sala.

Trailer