Harvey Weinstein: O que acontece após novo júri travado?

Por Leandro Lopes 15/05/2026 às 21:18 5 min de leitura Atualizado: 17/05/2026
Harvey Weinstein: O que acontece após novo júri travado?
5 min de leitura

O terceiro julgamento de Harvey Weinstein em Nova York terminou sem veredito. Depois de três dias de deliberação, o júri não chegou a um consenso e o juiz Curtis Farber declarou mistrial, encerrando o processo sem decisão final. Agora, o caso entra em outra fase: o promotor Alvin Bragg precisa decidir se tenta um quarto julgamento.

Sem consenso. De novo.

O que aconteceu desta vez

O julgamento mais recente estava centrado na acusação de estupro em terceiro grau ligada a Jessica Mann. Era a peça que ainda faltava ser resolvida depois do veredito misto de 2025.

Após três dias de deliberação, os jurados avisaram que não conseguiam chegar a uma decisão unânime. Curtis Farber ainda tentou manter o grupo debatendo, mas o impasse continuou.

A defesa de Weinstein pediu formalmente a anulação do julgamento. O juiz aceitou. Na prática, isso significa que o caso foi encerrado sem condenação e sem absolvição.

Weinstein, hoje com 74 anos, segue sob custódia e continua envolvido em outras frentes judiciais. O desfecho em Nova York não limpa a ficha dele nem fecha o capítulo.

Mistrial não é absolvição

Esse detalhe importa. Muito.

Mistrial é o termo jurídico usado quando um julgamento termina sem resultado válido. Isso pode acontecer por erro processual grave ou, como neste caso, por júri travado.

Em inglês, a expressão comum é hung jury. Traduzindo para o português claro: os jurados ficaram divididos e não alcançaram a unanimidade exigida.

Por isso, chamar o caso de “anulado” sem contexto pode confundir. Não houve reversão de mérito agora. O que houve foi um encerramento sem veredito.

Mas e isso muda o quê? Muda bastante. Como não existe decisão final sobre essa acusação específica, o Ministério Público de Manhattan ainda pode tentar novamente.

Harvey Weinstein — foto de divulgação
Harvey Weinstein — foto de divulgação (Reprodução)

Foi exatamente esse caminho torto que trouxe o caso até aqui. E ele já vinha torto há anos.

Seis anos de idas e vindas

Em 2020, Weinstein foi condenado em Nova York por estupro contra Jessica Mann. Parecia o encerramento de um dos casos mais simbólicos do pós-#MeToo.

Não durou. Em 2024, um tribunal superior anulou a condenação e abriu espaço para novo julgamento.

Ano Desdobramento Situação
2020 Condenação em Nova York por estupro contra Jessica Mann Condenado
2024 Tribunal superior anula a condenação Novo julgamento autorizado
2025 Veredito misto: culpa no caso de Miriam Haley, absolvição no de Kaja Sokola e impasse no de Jessica Mann Acusação de Mann segue aberta
2026 Terceiro julgamento sobre Jessica Mann termina com júri travado Mistrial

Em junho de 2025, o novo julgamento acabou num meio-termo estranho. Weinstein foi considerado culpado por ato sexual criminoso em primeiro grau contra Miriam Haley, foi absolvido da acusação ligada a Kaja Sokola e o júri travou justamente na parte envolvendo Jessica Mann.

Foi isso que gerou o terceiro julgamento encerrado agora. Não é um caso novo. É o mesmo nó jurídico apertando de novo.

No meio da indústria, o peso simbólico continua enorme. O caso Weinstein virou um marco do #MeToo e ajudou a redefinir o jeito como Hollywood passou a tratar denúncias de abuso, bastidores de estúdio e reputação pública.

Quem acompanha cinema e séries lembra fácil do tamanho desse impacto. Ela Disse (She Said), por exemplo, dramatizou a investigação jornalística que ajudou a derrubar o produtor.

Nova York empaca enquanto Los Angeles segue em apelação

Tem mais uma camada aí. Weinstein também foi condenado em Los Angeles em 2022, e essa sentença continua em apelação.

Ou seja: o impasse em Nova York não apaga o restante da guerra judicial. Ele só mostra que a acusação ligada a Jessica Mann segue sem fechamento definitivo.

Isso pesa para a promotoria. Um quarto julgamento consome tempo, dinheiro e fôlego político, além de recolocar testemunhas e vítimas num processo desgastante.

NOVA YORK, NOVA YORK - 15 DE MAIO: O ex-produtor de cinema de Hollywood Harvey Weinstein aparece no tribunal criminal de Manhattan para o novo julgamento de seu caso de estupro em 15 de maio de 2026, na cidade de Nova York. Weinstein, o ex-produtor de Hollywood desonrado, será julgado pela terceira vez pelos promotores de Nova York no caso de agressão sexual contra Jessica Mann. (Foto de Timothy A. Clary-Pool/Getty Images)
NOVA YORK, NOVA YORK – 15 DE MAIO: O ex-produtor de cinema de Hollywood Harvey Weinstein aparece no tribunal criminal de Manhattan para o novo julgamento de seu caso de estupro em 15 de maio de 2026, na cidade de Nova York. Weinstein, o ex-produtor de Hollywood desonrado, será julgado pela terceira vez pelos promotores de Nova York no caso de agressão sexual contra Jessica Mann. (Foto de Timothy A. Clary-Pool/Getty Images) (Reprodução)

Do lado da defesa, o discurso foi previsível. Os advogados comemoraram o resultado e insistiram que o júri travado reforça a existência de dúvida razoável.

No tribunal da opinião pública, essa leitura não resolve nada. No tribunal de fato, porém, ela basta para impedir uma condenação imediata.

O próximo passo está com Alvin Bragg

A decisão agora está nas mãos do escritório do promotor distrital de Manhattan, comandado por Alvin Bragg. O órgão terá prazo para dizer se insiste num quarto julgamento, se busca outro desfecho processual ou se encerra a tentativa nessa acusação.

Quem quiser acompanhar os próximos movimentos pode monitorar o site oficial do gabinete do promotor distrital de Manhattan. É dali que deve sair a sinalização institucional mais importante dos próximos dias.

Para quem olha o caso do Brasil, o dado que fica é simples e incômodo: um dos processos mais emblemáticos do #MeToo ainda não conseguiu fechar a acusação ligada a Jessica Mann, mesmo depois de condenação anulada, veredito misto e mais um júri travado. A pergunta agora não é se Weinstein saiu absolvido. Não saiu. A pergunta é outra: Nova York ainda vai levar esse caso ao tribunal mais uma vez?

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