Oscar honorário corrige Glenn Close e Ridley Scott?

Por Leandro Lopes 11/06/2026 às 02:56 5 min de leitura
Oscar honorário corrige Glenn Close e Ridley Scott?
5 min de leitura

Glenn Close e Ridley Scott vão receber Oscars honorários no Governors Awards de 15/11, em Hollywood. A decisão da Academia tem cara de reparação tardia: estamos falando de dois gigantes que ajudaram a moldar o cinema moderno e, ainda assim, nunca levaram um Oscar competitivo para casa.

Resumo rápido

  • Glenn Close e Ridley Scott serão homenageados no Governors Awards
  • A cerimônia acontece em 15 de novembro, em Hollywood
  • Close soma 8 indicações ao Oscar; Scott nunca venceu competitivamente

Não é detalhe. O Oscar honorário costuma virar o gesto mais explícito da Academia quando ela percebe que deixou passar nomes grandes demais por tempo demais.

Não é prêmio de consolação

O Oscar honorário existe para reconhecer carreira, influência e legado. Em muitos casos, ele funciona como uma correção simbólica de algo que o prêmio competitivo não conseguiu registrar no tempo certo.

Com Glenn Close e Ridley Scott, o recado fica óbvio. A Academia está premiando duas trajetórias históricas que atravessaram décadas, mudaram gêneros inteiros e continuaram relevantes sem a estatueta “principal”.

Homenageado Área Situação no Oscar Cerimônia
Glenn Close Atriz 8 indicações, 0 vitórias competitivas Governors Awards, 15/11
Ridley Scott Diretor e produtor Nunca venceu competitivamente Governors Awards, 15/11

A confirmação foi publicada pela própria Academia na página oficial do Governors Awards. O evento será realizado no Ray Dolby Ballroom, em Ovation Hollywood.

Lenda do cinema
Lenda do cinema (Reprodução)

Glenn Close entra no clube mais ingrato do Oscar

O caso de Glenn Close dói mais porque ele é antigo e muito visível. Oito indicações sem vitória transformaram a atriz em um dos maiores símbolos de injustiça histórica do prêmio.

Ela foi indicada por filmes como Atração Fatal (Fatal Attraction), Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons), Albert Nobbs e A Esposa (The Wife). Em qualquer lista séria de grandes atrizes americanas vivas, o nome dela aparece cedo.

Mas Glenn Close nunca ficou presa a um tipo só. Fez drama pesado, suspense psicológico, comédia ácida, adaptação literária e ainda construiu presença forte na TV e no streaming. Pouca gente transitou tão bem.

Basta olhar a filmografia. O Mundo Segundo Garp, O Reencontro, O Melhor Jogo da Vida, Acima de Qualquer Suspeita, Reviravolta da Fortuna, Hamlet, 101 Dálmatas, Marte Ataca!, Força Aérea Um e Era Uma Vez um Sonho mostram uma carreira que nunca dependeu de modinha.

Vale a pergunta: a Academia demorou? Demorou muito. O Oscar honorário não apaga as derrotas, mas pelo menos registra em ouro algo que já era consenso há décadas.

Ridley Scott recebe a estatueta que faltava

Ridley Scott chega por outro caminho. Glenn Close é lembrada pela ausência de vitórias como atriz; Scott, pelo tamanho da influência visual que espalhou por Hollywood inteira.

Sem ele, a ficção científica moderna teria outra cara. O mesmo vale para o épico histórico e para boa parte do suspense de grande estúdio dos últimos 40 anos.

Alien, o Oitavo Passageiro (Alien) e Blade Runner: O Caçador de Androides (Blade Runner) não viraram referência por acaso. Scott ajudou a definir textura, atmosfera e direção de arte de um cinema mais físico, sujo e detalhista.

Depois disso, ele ainda emendou títulos como Gladiador, Falcão Negro em Perigo, Prometheus, Cruzada, O Gângster, Todo o Dinheiro do Mundo, Casa Gucci, O Último Duelo e Napoleão. É uma carreira de alcance raro, inclusive comercial.

Scott foi indicado ao Oscar por direção com Thelma & Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo. Também apareceu como produtor com Perdido em Marte. Mesmo assim, a vitória competitiva nunca veio.

A Academia já tratou Scott como autor, artesão e nome de peso industrial. Faltava só admitir isso com uma estatueta na mão. Agora admitiu.

O Governors Awards virou termômetro da temporada

Nem todo mundo acompanha o Governors Awards de perto no Brasil, mas o evento tem peso real. Ele funciona como uma prévia do clima da temporada de premiações e concentra boa parte da conversa da indústria antes da corrida principal do Oscar.

Por isso a homenagem importa além do gesto simbólico. Quando a Academia escolhe dois nomes desse tamanho, ela também reorganiza a narrativa histórica do próprio prêmio.

Na prática, o recado é simples: o Oscar competitivo falhou em registrar Glenn Close e Ridley Scott como vencedores no momento certo. O honorário tenta corrigir isso sem fingir que o atraso não existiu.

Para o público brasileiro, a notícia pesa porque os dois têm filmografias muito presentes por aqui. Glenn Close marcou gerações com Atração Fatal e 101 Dálmatas. Ridley Scott virou referência automática sempre que se fala em ficção científica densa ou épico de guerra.

Também é o tipo de anúncio que empurra revisitas. Muita gente vai voltar para A Esposa, Ligações Perigosas, Alien, o Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Androides nas próximas semanas. E faz sentido.

O Governors Awards acontece em 15 de novembro, em Hollywood. A homenagem já está garantida; o que continua em aberto é a pergunta que incomoda faz tempo: como Glenn Close e Ridley Scott passaram tanto tempo fora do círculo dos vencedores competitivos?