Ridley Scott já escreve Gladiador 3 e quer sair da arena

Por Leandro Lopes 07/06/2026 às 08:16 5 min de leitura Atualizado: 10/06/2026
Ridley Scott já escreve Gladiador 3 e quer sair da arena
5 min de leitura

Gladiador 3 ainda não foi anunciado oficialmente, mas Ridley Scott já está escrevendo a continuação. A fala do diretor veio depois de Gladiador II fechar sua corrida mundial com US$ 462,1 milhões, número bom no papel, mas apertado para um épico que custou algo entre US$ 250 milhões e US$ 310 milhões. O que existe hoje é isso: vontade do diretor, rascunho em andamento e um estúdio que ainda precisa decidir se topa bancar mais uma rodada.

Mas isso basta para o terceiro filme sair mesmo?

Ridley Scott já começou — e a arena pode ficar para trás

Em entrevista à revista Total Film, Ridley Scott disse que já tem oito páginas escritas de um possível terceiro capítulo. Não é cronograma. Não é filmagem marcada. Também não é sinal verde da Paramount.

É desenvolvimento inicial. Só isso já muda o tom da conversa, porque Scott não está tratando a franquia como assunto encerrado.

“Se houver um Gladiador 3, acho que nunca voltaríamos à arena.”

A frase é a parte mais interessante de tudo. Se o diretor realmente sair da arena, Gladiador 3 pode virar um drama mais político, mais imperial e menos “filme de combate”. Seria uma guinada grande. E talvez a única forma de evitar repetição.

Ficha técnica Gladiador II
Título original Gladiator II
Direção Ridley Scott
Roteiro David Scarpa
Gênero Épico histórico, ação, drama
Duração 148 min
Elenco principal Paul Mescal, Pedro Pascal, Connie Nielsen, Denzel Washington, Joseph Quinn, Fred Hechinger
Estúdio/distribuição Paramount Pictures
Estreia 22/11/2024 nos EUA
Classificação R
Bilheteria mundial US$ 462,1 milhões
Orçamento US$ 250 milhões a US$ 310 milhões
Recepção crítica Mista/positiva moderada, com aprovação morna no Rotten Tomatoes e Metacritic na casa dos 60

A bilheteria foi morna, mas não dá para cravar desastre

US$ 462,1 milhões no mundo não é pouca coisa. O problema é o tamanho da conta. Um filme desse porte não vive só de orçamento de produção. Entra marketing pesado, divisão com exibidores e toda a gordura de um lançamento global.

Por isso, dizer que Gladiador II “deu prejuízo” como fato fechado é simplificar demais. O termo mais honesto é outro: o filme ficou abaixo da zona de conforto comercial para um projeto dessa escala.

A abertura também mostrou isso cedo. Foram cerca de US$ 55,5 milhões nos EUA e Canadá, com algo perto de US$ 87 milhões no lançamento global. Não foi tombo. Também não foi arrancada de fenômeno.

Comparar com o primeiro filme deixa tudo mais claro. Gladiador, de 2000, faturou cerca de US$ 460,5 milhões com orçamento na casa de US$ 103 milhões e ainda levou cinco Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Russell Crowe. O segundo praticamente encostou na bilheteria do original. Só que custando muito mais e deixando muito menos marca.

Na crítica, o retorno também foi mais frio. Houve respeito pela escala, pelo elenco e pelo domínio visual de Scott, mas faltou aquele consenso de clássico que o primeiro carregou por anos.

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gladiador2 6 (Reprodução)

Se a arena sair de cena, Lucius pode virar outra coisa

Gladiador II acompanha Lucius Verus, vivido por Paul Mescal, filho de Lucilla, personagem de Connie Nielsen. O elo emocional com Maximus sempre foi a âncora da sequência. Funciona até certo ponto.

Agora imagina um terceiro filme sem o chão mais óbvio da franquia. Sem arena, sem estrutura de ascensão via combate, sobra o quê? Roma, conspiração, guerra e disputa por poder. Isso pode render mais do que repetir o mesmo desenho com areia, sangue e discurso inflamado.

Também abre outra dúvida. Paul Mescal volta? Hoje, não existe confirmação. Scott indicou caminho narrativo, não elenco fechado. O próximo capítulo pode seguir com Lucius em novo patamar ou até migrar para outro núcleo do império.

Faz sentido. Se a franquia insistir no coliseu outra vez, o risco de parecer cópia de luxo aumenta muito. E Gladiador II já sofreu um pouco com essa sombra.

Ridley Scott continua acelerando aos 88 anos

Tem outro dado aí que pesa. Ridley Scott segue trabalhando num ritmo que muito diretor com metade da idade não acompanha. Aos 88 anos, ele ainda trata franquia, épico histórico e projeto grande como rotina.

Isso ajuda a entender por que Gladiador 3 continua vivo mesmo sem bilheteria explosiva. Scott vê valor nessa marca. Vê espaço para expandir o império romano por outro ângulo. E, goste ou não do segundo filme, ele ainda sabe vender escala como poucos.

O estúdio, claro, olha para outro lado da mesa. Prestígio não fecha planilha sozinho. A Paramount precisa decidir se banca uma continuação mais arriscada depois de um segundo capítulo que foi sólido, mas longe de dominante.

No Brasil, a franquia segue em janela instável

Para quem quer revisitar a saga hoje, o cenário no Brasil ainda é meio bagunçado. Gladiador costuma aparecer em catálogo rotativo e aluguel digital. Gladiador II não tem permanência fixa confirmada em uma plataforma brasileira neste momento, porque a janela muda entre lojas digitais e streaming.

A boa notícia é que a franquia tem perfil comercial forte por aqui, então dublagem em português segue sendo o padrão quando o título entra em circulação digital. Já Gladiador 3 não tem data, filmagens ou anúncio oficial de produção. Tem oito páginas, uma ideia de largar a arena e uma pergunta grande demais para a Paramount ignorar: depois de um segundo filme caro e morno, ela vai mesmo bancar o capítulo mais arriscado da trilogia?

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