George Miller pode estar entrando na reta final com Mad Max, mas cravar despedida agora é apressado. O cenário real em 2026 é outro: Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road) segue como o pico criativo da saga, Furiosa: Uma Saga Mad Max deixou o caixa em alerta e The Wasteland continua mais perto de um projeto em desenvolvimento do que de um filme oficialmente garantido.
Resumo rápido
- The Wasteland segue em desenvolvimento, sem produção confirmada
- Mad Max: Estrada da Fúria arrecadou cerca de US$ 380 milhões
- Furiosa fez cerca de US$ 170 milhões com custo próximo de US$ 168 milhões
Falar em “fim de era” faz sentido. George Miller criou a franquia em 1979, está com 81 anos e já não trabalha no mesmo ritmo de antes.
Mas uma coisa precisa ficar clara: até aqui, não houve anúncio oficial dizendo que The Wasteland será o último filme dele em Mad Max. Existe desejo, existe histórico de desenvolvimento e existe especulação. Confirmação fechada, não.
Mad Max: Estrada da Fúria virou o padrão alto demais
O tamanho da discussão passa por um filme só. Mad Max: Estrada da Fúria não foi apenas bem recebido; ele redefiniu o que muita gente espera de ação no cinema moderno.
Os números ajudam. O longa fez cerca de US$ 380 milhões no mundo com orçamento na faixa de US$ 150 milhões e sustenta 97% no Rotten Tomatoes, além de cerca de 90 no Metacritic.
Isso não é barulho de internet. É prestígio real, prêmio, replay e influência estética. Poeira, metal, câmera nervosa e ação física. Meio cinema de ação dos últimos dez anos bebeu dessa fonte.
Antes disso, Miller já tinha feito algo raro. Mad Max 2: A Caçada Continua consolidou a estética do andarilho no apocalipse, e Mad Max Além da Cúpula do Trovão fechou a fase clássica com um tom mais pop.
Quase 50 anos depois, a marca continua viva porque o criador nunca tratou a série como fábrica de sequência. Cada volta parece uma obsessão pessoal. E franquia autoral é um bicho difícil de substituir.
Quase meio século de estrada
| Filme | Ano | Direção | O que ficou |
|---|---|---|---|
| Mad Max | 1979 | George Miller | Início da franquia e nascimento de Max Rockatansky |
| Mad Max 2: A Caçada Continua | 1981 | George Miller | Definiu a linguagem visual da saga |
| Mad Max Além da Cúpula do Trovão | 1985 | George Miller e George Ogilvie | Fechou a fase clássica com escala maior |
| Mad Max: Estrada da Fúria | 2015 | George Miller | Retorno consagrado pela crítica e pelo Oscar |
| Furiosa: Uma Saga Mad Max | 2024 | George Miller | Recepção forte, resultado comercial abaixo do esperado |
Repare no intervalo. Foram 30 anos entre Mad Max Além da Cúpula do Trovão e Mad Max: Estrada da Fúria. Miller nunca correu para manter a franquia respirando.
Isso explica o cuidado e também o risco. Se o próximo passo vier sem ele, não basta copiar carro, poeira e gente berrando no deserto. O que precisa sobreviver é a assinatura.
O que realmente existe sobre The Wasteland
The Wasteland não nasceu ontem. O nome circula há anos como o projeto mais ligado ao próximo capítulo de Miller dentro de Mad Max.
Só que o status continua instável. Não há lançamento confirmado, não há produção oficialmente iniciada e não existe título brasileiro consolidado até agora.
Vale tratar como filme certo? Ainda não. O cenário mais honesto é este: projeto em desenvolvimento, dependente de financiamento, agenda e apetite de estúdio para bancar outro épico caro.
Furiosa: Uma Saga Mad Max complica essa conta. O filme foi muito melhor na crítica do que no caixa, com bilheteria em torno de US$ 170 milhões para um custo perto de US$ 168 milhões.
Recepção ruim? Longe disso. O filme ficou na faixa dos 90% no Rotten Tomatoes e perto de 80 no Metacritic. O problema foi comercial. E estúdio olha primeiro para essa coluna.
Por isso o papo de “último filme de George Miller” soa mais como leitura de mercado do que fato consumado. Aos 81 anos, ele pode sim querer fechar esse capítulo nos próprios termos. Só não existe carimbo oficial nisso.
Sem George Miller, ainda é Mad Max?
Essa é a pergunta de verdade. Não se trata apenas de trocar diretor.
Mad Max é uma das poucas franquias de ação em que o autor pesa tanto quanto o herói. Tirar Miller da equação mexe no motor inteiro, não só na lataria.
Nos bastidores, a marca continua valiosa. Há especulação recorrente envolvendo grandes estúdios e plataformas, com nomes como Amazon, MGM, Universal e Sony aparecendo nessa conversa. Anúncio concreto, porém, ninguém fez.
E o mercado hoje está mais duro para mundos caros que dependem de boca a boca. Duna: Parte Dois funciona porque virou evento. Mad Max, por mais respeitado que seja, já opera numa zona mais arriscada.
No Brasil, a rota mais fácil ainda passa pela Max
Para rever a fase recente, o caminho mais comum no Brasil costuma ser a Max, onde Mad Max: Estrada da Fúria aparece com frequência e normalmente com dublagem em português. Furiosa: Uma Saga Mad Max também seguiu a janela da Warner por aqui, além do aluguel digital.
Os filmes clássicos variam bastante de catálogo. Às vezes entram, às vezes somem, e a disponibilidade de dublagem muda conforme a licença da vez.
No fim, o retrato da franquia em 2026 é esse: crítica ainda apaixonada, público fiel e futuro travado entre prestígio e planilha. A estrada não acabou. A dúvida é outra: quando The Wasteland finalmente sair do papel, George Miller ainda vai estar no volante?