Onde Assistir Persuasão no Brasil
Sinopse
Anne Elliot (Dakota Johnson) tem 27 anos e mora com a família aristocrática inglesa em decadência financeira. Oito anos antes, ela foi convencida pelos parentes a romper o noivado com Frederick Wentworth (Cosmo Jarvis), oficial da marinha sem fortuna nem título. Sua mentora, Lady Russell (Nikki Amuka-Bird), classificou o casamento como inadequado, e Anne cedeu — escolha que passou quase uma década lamentando em silêncio.
Quando o pai vaidoso Sir Walter (Richard E. Grant) precisa alugar a propriedade para pagar dívidas, os Elliot mudam-se para Bath, e a casa é alugada justamente para a irmã de Wentworth. Frederick, agora capitão condecorado e rico, retorna à órbita social de Anne. Em paralelo, ela reencontra o primo William Elliot (Henry Golding), herdeiro do título e candidato perfeito segundo as convenções da época.
Dirigido por Carrie Cracknell em sua estreia em longa-metragem, esta adaptação Netflix do último romance de Jane Austen (publicado postumamente em 1817) tenta atualizar a narrativa com olhares para a câmera e anacronismos no estilo "Fleabag encontra Bridgerton".
Análise — Notícias Flix
Persuasão é o tipo de adaptação que transforma o material original em campo de batalha entre fãs e cineastas — e perde nos dois lados. Carrie Cracknell, diretora britânica vinda do teatro com passagens importantes pelo Royal Court e Young Vic, faz aqui sua estreia em longa-metragem com a tarefa difícil de adaptar Persuasão, último romance de Jane Austen, publicado postumamente em 1817 e considerado por muitos o livro mais maduro e melancólico da autora.
A escolha estética é o problema central. O roteiro de Ron Bass e Alice Victoria Winslow tenta importar o vocabulário de Fleabag (olhares para a câmera) e Bridgerton (anacronismos deliberados, diálogos contemporâneos) para um romance cuja força original está justamente na contenção emocional. Anne Elliot do livro é heroína de meios-tons, internalizada, que sofre em silêncio. A Anne do filme imita o ex-noivo com cesta de pão na cabeça e bigode de geleia. A primeira é Austen. A segunda é fanfic millennial.
Dakota Johnson dá o melhor de si dentro do que o roteiro permite. Sua presença em cena é a melhor coisa do filme — ela tem timing cômico, vulnerabilidade legítima e carisma capaz de quase salvar o material. Cosmo Jarvis (vindo de Lady Macbeth) constrói Wentworth com solidez, mas o roteiro lhe dá pouco espaço além de olhares ressentidos. Henry Golding como William Elliot e Richard E. Grant como Sir Walter são as melhores escolhas de elenco — Grant especialmente, em modo camp aristocrático que entende a piada melhor que o resto do filme.
A recepção crítica foi devastadora. 30% no Rotten Tomatoes, com manchetes do Guardian, Vox e Spectator descrevendo o filme com palavras como "desastre" e "prisão". Fãs de Austen mobilizaram-se nas redes sociais antes mesmo do lançamento, depois do trailer ter circulado em junho de 2022 com diálogos como "Now we're worse than exes — we're friends" e "He's a 10. I never trust a 10." — frases inexistentes no romance original.
Entre as adaptações cinematográficas de Austen recentes, é provavelmente a mais fraca. Não chega aos pés de Razão e Sensibilidade (1995, Ang Lee), Orgulho e Preconceito (2005, Joe Wright) ou mesmo de Emma (2020, Autumn de Wilde). Para fãs de Dakota Johnson e produções Netflix que usam Austen como pretexto, ainda há entretenimento. Para quem ama o livro original, é melhor passar reto.
Pontos fortes
- Dakota Johnson sustenta presença em cena com timing e vulnerabilidade
- Richard E. Grant como Sir Walter Elliot abraça o camp aristocrático
- Direção de arte e figurino mantém competência visual de produção Netflix
- Cosmo Jarvis (Lady Macbeth) entrega Wentworth com solidez
- Bath e a campiña inglesa funcionam como cenário visualmente atraente
Pontos fracos
- Tentativa de importar Fleabag e Bridgerton trai a contenção emocional do livro
- Anacronismos como "He's a 10" geram diálogos que destoam do período
- Anne Elliot do filme contradiz a heroína internalizada de Austen
- Roteiro de Ron Bass e Alice Winslow recebido com 30% no Rotten Tomatoes
- Fãs de Austen rejeitaram a adaptação antes mesmo do lançamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Ronald Bass
- Fotografia
- Joe Anderson
- Trilha sonora
- Stuart Earl
- Edição
- Pani Scott
- Duração
- 107 min
Curiosidades sobre Persuasão
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Adapta o último romance de Jane Austen
Persuasão (Persuasion) foi o último romance escrito por Jane Austen, completado antes de sua morte em 1817 e publicado postumamente no mesmo ano. É considerado por críticos literários o mais maduro e melancólico da autora, escrito quando ela já estava doente.
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Estreia em longa-metragem de Carrie Cracknell
Foi a estreia em direção de cinema de Carrie Cracknell, diretora britânica com carreira sólida no teatro como diretora associada do Young Vic (2012-2013) e do Royal Court (2013-2014).
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30% no Rotten Tomatoes
O filme recebeu 30% de aprovação no Rotten Tomatoes baseado em 138 críticas, com consenso descrevendo: "Apesar dos esforços de Dakota Johnson, a Persuasão caoticamente anacrônica falha em convencer como adaptação de Austen". O Guardian classificou como "desastre", e o Spectator chegou a escrever que "todos os envolvidos deveriam estar na prisão".
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Linguagem inspirada em Fleabag
O filme usa o recurso narrativo de Anne quebrando a quarta parede e falando diretamente para a câmera — referência explícita a Fleabag (Phoebe Waller-Bridge, 2016-2019). A escolha gerou divisão imediata entre fãs de Austen e críticos no lançamento do trailer.
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Lançamento em cinema antes da Netflix
O filme teve estreia limitada em cinemas americanos em 8 de julho de 2022, antes da disponibilização na Netflix em 15 de julho de 2022 — janela curta de exibição teatral comum em produções da plataforma para qualificação em prêmios.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal