Onde Assistir Nosferatu no Brasil
Sinopse
Nosferatu é o horror gótico de Robert Eggers de 2024, refilmagem do clássico mudo de F.W. Murnau de 1922, com estreia no Festival de Berlim em dezembro e lançamento mundial pela Focus Features em 25 de dezembro. Bill Skarsgård vive o Conde Orlok sob 62 próteses e até seis horas diárias de maquiagem, Lily-Rose Depp é Ellen Hutter, Nicholas Hoult faz Thomas Hutter, Willem Dafoe entra como o Prof. von Franz e Aaron Taylor-Johnson é Friedrich Harding. Filmado em Praga e no Castelo de Corvin, na Romênia, com trilha de Robin Carolan e orçamento de US$ 50 milhões. Recebeu quatro indicações técnicas no Oscar 2025.
Análise — Notícias Flix
Robert Eggers começou a planejar este Nosferatu aos 17 anos, quando dirigiu na escola uma adaptação teatral muda e em preto-e-branco do clássico de F.W. Murnau de 1922. Ele mesmo interpretou o Conde Orlok. A peça impressionou o dono de teatro local Ed Langlois, que o convidou para remontar a produção no Edwin Booth Theatre, em New Hampshire.
Mais de duas décadas depois, com três filmes próprios na bagagem — A Bruxa, O Farol e O Homem do Norte — Eggers finalmente entregou o remake teatral de Murnau. O filme foi lançado pela Focus Features em 25 de dezembro de 2024 após estreia no Festival de Berlim em 2 de dezembro. O projeto destravou em 2022 depois de sete anos travado por conflitos de agenda e elenco.
Originalmente, Anya Taylor-Joy estava escalada como Ellen Hutter desde 2017, reunindo-se com Eggers após A Bruxa. Harry Styles foi contratado como Thomas Hutter em 2020, mas abandonou em 2021 por conflitos. Em setembro de 2022, Lily-Rose Depp assumiu Ellen substituindo Taylor-Joy, e Nicholas Hoult entrou como Thomas.
Bill Skarsgård, que tinha audicionado em 2015 para o coadjuvante Friedrich Harding, mandou um email para Eggers pedindo qualquer papel quando o projeto destravou. Eggers procurava um ator dos quarenta e poucos anos para Orlok, mas pediu que Skarsgård lesse para o vilão. Skarsgård tinha 33 anos na época.
O trabalho de maquiagem foi central na concepção do personagem. Skarsgård passava entre quatro e seis horas diárias na cadeira, com 62 peças prostéticas aplicadas por uma equipe de seis profissionais. Quatro horas só para cabeça e mãos; seis horas para a versão de corpo inteiro.
O designer David White revelou em entrevistas à Variety e ao Hollywood Reporter que a referência visual final veio do corpo mumificado de Ötzi, o iceman de 5.300 anos encontrado nos Alpes em 1991. Skarsgård usou lentes esclerais brancas que cobriam o olho inteiro durante os transes de Orlok. Para a voz, trabalhou com a soprano islandesa Ásgerður Júníusdóttir para baixar uma oitava inteira.
Entre takes, Skarsgård fazia canto gutural mongol para manter a textura áspera. Nas conversas psíquicas com Ellen, Orlok fala daciano, dialeto extinto da Trácia falado na atual Romênia até cerca do século VI. Eggers contratou o roteirista romeno Florin Lăzărescu e linguistas para reconstruir as falas, buscando autencidade histórica e sonora.
A produção rodou nos estúdios Barrandov em Praga com 60 cenários construídos pelo designer Craig Lathrop, recriando a cidade báltica fictícia de Wisborg. Para as tomadas externas amplas do castelo de Orlok, a equipe foi até o Castelo de Corvin, conhecido como Castelo Hunyadi em Hunedoara, na Transilvânia romena.
O Castelo de Corvin foi escolhido pela arquitetura complexa e ligações históricas à lenda. As cenas internas no castelo foram iluminadas exclusivamente por mais de 100 velas reais em algumas tomadas. O diretor de fotografia Jarin Blaschke explicou ao IndieWire que a filosofia era pintar uma visão de 1838 sobre 1838, não recriar 1922 sobre 1838.
Blaschke resumiu o espírito em termos pictóricos: romantismo na pintura, velas na vida real, sem fontes elétricas. A trilha de Robin Carolan, parceiro de Eggers em O Homem do Norte, foi gravada com 60 cordas, coro completo, sopros, harpa e percussão. Daniel Pioro atuou como concertino.
Carolan declarou inspirações em The Innocents de 1961, Eyes Wide Shut, Béla Bartók e a banda pós-industrial britânica Coil. Ele evitou conscientemente o vocabulário do score de horror, focando no luto e na tragédia. O resultado sonoro sustenta o tom dramático mais que o susto fácil.
A recepção crítica posicionou o filme como Eggers em modo grande público. O Rotten Tomatoes registra 87% de aprovação com selo Certified Fresh e 76% de audiência, recorde para qualquer adaptação de Nosferatu, à frente das versões de Murnau em 1922 e Werner Herzog em 1979. O Metacritic deu 78 em classificação geralmente favorável.
Curioso foi o CinemaScore B menos: raro para horror autoral, refletindo a divisão entre o público mainstream e os fãs de horror gótico tradicional. A bilheteria mundial fechou em US$ 181 milhões sobre os US$ 50 milhões de orçamento, maior sucesso comercial da carreira de Eggers. O filme reverteu a maré após O Homem do Norte, que teve US$ 69 milhões sobre US$ 90 milhões de orçamento.
No Oscar 2025, recebeu quatro indicações técnicas: Fotografia para Jarin Blaschke, segunda nomeação dele por filme de Eggers depois de O Farol; Design de Produção para Craig Lathrop; Figurino para Linda Muir; e Maquiagem e Penteados para David White e equipe. Não levou nenhuma estatueta.
Willem Dafoe tem ligação histórica especial com a mitologia do filme: já interpretou Max Schreck, o Orlok original de Murnau, em A Sombra do Vampiro de 2000, indicação ao Oscar de Coadjuvante. Agora vive o caçador von Franz no filme que homenageia aquela tradição cinematográfica.
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 50 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 182 mi
- Retorno
- 3,6× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Robert Eggers
- Fotografia
- Jarin Blaschke
- Trilha sonora
- Robin Carolan
- Edição
- Louise Ford
- Duração
- 132 min
Curiosidades sobre Nosferatu
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Eggers dirigiu Nosferatu no colégio aos 17 anos e interpretou o próprio Orlok
Aos 17 anos, Robert Eggers escreveu com a colega Ashley Kelly-Tata uma adaptação teatral muda e em preto-e-branco de Nosferatu, com atores pintados em monocromático. Ele mesmo interpretou o Conde Orlok. A peça impressionou o dono de teatro local Ed Langlois, que convidou o jovem Eggers a remontar a produção no Edwin Booth Theatre em New Hampshire.
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Projeto travado desde 2015, e Eggers chegou a chamar de blasfêmia
Eggers começou a desenvolver o remake em 2015, planejando-o como seu segundo longa após A Bruxa. Em 2016, declarou que parecia feio, blasfemo, egomaníaco e nojento para um cineasta na posição dele fazer Nosferatu, mas o destino tinha decidido. O filme só saiu nove anos depois, em 2024.
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Anya Taylor-Joy era a Ellen original e Harry Styles seria o Hutter
Em agosto de 2017, Anya Taylor-Joy foi anunciada como Ellen Hutter, reunindo-se com Eggers após A Bruxa. Harry Styles foi escalado como Thomas Hutter em 2020, mas abandonou em 2021 por conflitos de agenda. Em setembro de 2022, Lily-Rose Depp foi anunciada substituindo Taylor-Joy, e Nicholas Hoult entrou como Thomas.
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Skarsgård queria papel pequeno e acabou virando Orlok
Bill Skarsgård fez audição inicial para Friedrich Harding em 2015. Quando o projeto destravou em 2022, com Hoult e Aaron Taylor-Johnson já contratados, Skarsgård mandou e-mail para Eggers pedindo qualquer papel. Eggers, que procurava um ator dos quarenta e poucos anos, pediu que Skarsgård lesse para o Conde Orlok. Skarsgård tinha 33 anos na época.
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62 próteses, 6 horas de maquiagem e o corpo de Ötzi como referência
O design de Orlok exigia 62 peças prostéticas separadas, aplicadas por uma equipe de seis profissionais em até seis horas diárias. A referência visual final do designer David White veio do corpo mumificado de Ötzi, o homem-do-gelo de 5.300 anos encontrado nos Alpes italianos em 1991. Skarsgård também usou lentes esclerais brancas que cobriam o olho inteiro durante os transes de Orlok.
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Voz de Orlok foi treinada com cantora de ópera islandesa
Skarsgård trabalhou com a soprano islandesa Ásgerður Júníusdóttir para baixar a própria voz em uma oitava. Entre takes, fazia canto gutural mongol para manter a textura arenosa. A rotina de aquecimento durava 20 minutos, mas ele evitava aquecer demais para preservar a aspereza, mantendo o tom soturno mesmo nas falas longas.
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Orlok fala daciano, uma língua morta há 1.500 anos
Nos diálogos psíquicos com Ellen, Orlok fala daciano, dialeto extinto da Trácia falado na atual Romênia até cerca do século VI. Eggers contratou o roteirista romeno Florin Lăzărescu e linguistas especializados em línguas balcânicas extintas para reconstruir as falas. Skarsgård teve treinamento específico para a língua antes das gravações.
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Cenas no castelo iluminadas apenas por mais de 100 velas reais
Jarin Blaschke e Eggers concordaram em filmar todas as cenas no castelo na Transilvânia exclusivamente à luz de velas. Mais de 100 velas reais foram usadas em algumas tomadas. Filosofia de Blaschke ao IndieWire: não é uma visão de 1922 sobre 1838, é uma visão de 1838 sobre 1838. Se alguém visse arte, seria em pinturas. Qual era o estilo de pintura da época? Romantismo, sem dúvida.
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As convulsões de Lily-Rose Depp foram totalmente práticas
Eggers proibiu CGI nas cenas de possessão. Depp trabalhou 10 dias com a coreógrafa de movimento Marie-Gabrielle Rotie, estudando registros do século XIX de mulheres em poses histéricas e a escultura Arch of Hysteria de Louise Bourgeois, que Depp recria literalmente ao arquear-se da cama na cena com Dafoe. Inspiração principal: Isabelle Adjani em Possession de Żuławski, 1981.
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Willem Dafoe já tinha interpretado Orlok mas agora é o caçador
Em A Sombra do Vampiro de 2000, Dafoe viveu o ator Max Schreck, o Orlok original de 1922, e foi indicado ao Oscar de Coadjuvante. Em 2024, ele encarna o Prof. Albin Eberhart von Franz, filósofo suíço, alquimista e ocultista, único personagem que entende a conexão psíquica entre Orlok e Ellen. Eggers escalou Dafoe sabendo que ele é fã declarado da versão de Werner Herzog de 1979.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal