Onde Assistir Homem-Aranha: Através do Aranhaverso no Brasil
Sinopse
Brooklyn, um ano e quatro meses depois de No Aranhaverso. Miles Morales (Shameik Moore) tenta equilibrar a vida dupla: estudante adolescente, filho de Jeff e Rio Morales por um lado, Homem-Aranha do Brooklyn pelo outro. Ele sente falta dos amigos do multiverso, especialmente de Gwen Stacy (Hailee Steinfeld) — que reaparece em sua vida com uma missão urgente.
Gwen está agora numa força-tarefa interdimensional liderada por Miguel O'Hara, o Homem-Aranha 2099 (Oscar Isaac), com centenas de versões aranhas de todas as realidades. A missão tem regras rígidas que protegem o tecido do multiverso, e Miles, ao chegar ali, descobre que sua existência é considerada uma anomalia. Quando o vilão Mancha (Jason Schwartzman) abre buracos entre dimensões, Miles é obrigado a escolher entre obedecer ao protocolo ou desafiar o multiverso para salvar quem ama.
Dirigido por Joaquim Dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson, é o segundo capítulo da trilogia animada da Sony — já considerado um dos blockbusters animados mais ambiciosos visualmente já produzidos.
Análise — Notícias Flix
Através do Aranhaverso é cinema de animação operando no limite do que a forma permite. Cinco anos depois de No Aranhaverso ter redefinido o que um blockbuster animado pode parecer (e ter levado o Oscar de animação acima de Toy Story 4), a equipe de Phil Lord e Christopher Miller volta com filme maior, mais ambicioso e — surpreendentemente — mais ousado em narrativa. É raro continuação que cresce em todas as dimensões; essa cresce.
A revolução visual continua. Cada universo tem estética própria, animado por equipes diferentes seguindo lógicas estilísticas separadas: o universo de Gwen Stacy usa aquarela emocional que muda com seu humor; o de Pavitr Prabhakar (Mumbattan) mistura art déco indiano com animação a 24 fps; o cyberpunk de Miguel O'Hara em Nueva York 2099 opera com partículas de holograma. O resultado pareceria caótico — e seria, em outras mãos. Aqui, cada salto entre realidades é cinematograficamente legível, com transições que viraram referência para uma geração inteira de animadores.
Onde o filme realmente cresce, porém, é no roteiro. Lord, Miller e David Callaham entendem que multiverso só funciona como dispositivo dramático se houver consequência emocional. Miguel O'Hara não é vilão tradicional — é antagonista que tem razão dentro da própria lógica, e o conflito ético sobre 'eventos canônicos' (a perda do pai como destino narrativo do Homem-Aranha) é uma das discussões mais sofisticadas que um filme de super-herói recente travou. A subtrama familiar de Miles com os pais Rio e Jeff é construída em silêncio, em mesa de jantar, em conversa de elevador — animação adulta dentro de filme infanto-juvenil.
Hailee Steinfeld entrega Gwen Stacy com a profundidade que o personagem nunca teve em quadrinhos. Shameik Moore amadurece Miles com elegância. Oscar Isaac transforma Miguel num vilão carismático ainda que profundamente errado. Brian Tyree Henry, como pai do Miles, sustenta as cenas mais emocionantes do filme.
O ponto mais discutido é o desfecho: o filme termina em cliffhanger explícito, anunciando Beyond the Spider-Verse como conclusão da trilogia. Para alguns, frustrante; para outros, parte do design narrativo de uma obra pensada como duas partes. Faturou US$ 690 milhões na bilheteria mundial sobre orçamento de US$ 100 milhões, ganhou Globo de Ouro de animação e foi indicado ao Oscar — onde perdeu para O Menino e a Garça, de Hayao Miyazaki, em uma das disputas mais difíceis da história recente da categoria.
Pontos fortes
- Linguagem visual única em cada universo, com estilos animados separados
- Roteiro de Lord, Miller e Callaham eleva conflito multiverso a debate ético
- Subtrama familiar de Miles construída em silêncio, com peso real
- Hailee Steinfeld entrega Gwen Stacy com profundidade inédita do personagem
- Oscar Isaac como Miguel O'Hara constrói vilão que tem razão dentro da lógica
Pontos fracos
- Termina em cliffhanger explícito que pode frustrar quem assiste isolado
- 140 minutos pedem fôlego que blockbuster infanto-juvenil costuma cortar
- Densidade de cameos e referências ao multiverso pode confundir o público casual
- Conclusão da trilogia (Beyond) ainda não tem data de estreia confirmada
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 100 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 691 mi
- Retorno
- 6,9× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Phil Lord
- Trilha sonora
- Daniel Pemberton
- Edição
- Michael Andrews
- Duração
- 140 min
Curiosidades sobre Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
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Maior equipe da história da animação
A produção envolveu cerca de 1.000 pessoas — a maior equipe já reunida em um filme animado, segundo Phil Lord e Christopher Miller. O filme tem 240 personagens distintos distribuídos por seis universos, cada um com estilo de animação próprio.
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Indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de 2024
O filme foi indicado ao Oscar de melhor animação no 96º Academy Awards e ao Globo de Ouro de melhor filme animado de 2024. Em ambas as cerimônias, perdeu para O Menino e a Garça (The Boy and the Heron), de Hayao Miyazaki.
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Sete prêmios no Annie Awards 2024
No 51º Annie Awards, premiação anual da indústria americana de animação, Across the Spider-Verse venceu sete categorias incluindo melhor filme — empatando o número conquistado pelo primeiro Aranhaverso em 2019.
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Universo LEGO animado por adolescente de 14 anos
A sequência da Terra-13122 (o universo LEGO) foi animada por Preston Mutanga, então com 14 anos de idade. Ele foi contratado pela Sony após Phil Lord e Christopher Miller verem um vídeo dele recriando o trailer do filme com peças de LEGO no Twitter.
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Roteiro discute o "cânone" do Homem-Aranha
O conflito central — a tese de Miguel O'Hara de que perdas como a do tio Ben ou do capitão Stacy são "eventos canônicos" obrigatórios em todo arco do Homem-Aranha — funciona como meta-discussão sobre a tradição narrativa do personagem nos quadrinhos.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal