Boneco de Neve
Filme

Boneco de Neve

"Logo a primeira neve virá, e então ele matará novamente."

★ 5.2 2017 1h 59m Crime · Mistério · Terror

Oslo, Noruega, durante o inverno. O detetive Harry Hole (Michael Fassbender) é veterano da polícia investigativa — talentoso, mas afundado em alcoolismo profundo, com casamento desfeito e relação instável com o enteado Oleg. Quando uma mulher desaparece misteriosamente, deixando atrás…

Diretor
Tomas Alfredson
Elenco
Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg
Produção
Universal Pictures, Working Title Films
Origem
Suécia
Título original
The Snowman

Sinopse

Oslo, Noruega, durante o inverno. O detetive Harry Hole (Michael Fassbender) é veterano da polícia investigativa — talentoso, mas afundado em alcoolismo profundo, com casamento desfeito e relação instável com o enteado Oleg. Quando uma mulher desaparece misteriosamente, deixando atrás apenas um cachecol rosa enrolado em um boneco de neve no quintal, Harry é chamado para o caso.

À medida que mais mulheres desaparecem em circunstâncias semelhantes — sempre com bonecos de neve nas cenas dos crimes —, Harry e a parceira Katrine Bratt (Rebecca Ferguson) descobrem que o assassino age há décadas em padrão sazonal: mata sempre quando cai a primeira neve do ano. As vítimas têm ligação com infidelidade. O detetive Rafto (Val Kilmer) havia investigado casos parecidos nos anos 80 antes de "se suicidar".

Dirigido pelo sueco Tomas Alfredson (Deixa Ela Entrar), Boneco de Neve adapta o romance de Jo Nesbø publicado em 2007 — sétimo livro da série Harry Hole. A produção foi desastrosa: 15% do roteiro nunca foi filmado, e Martin Scorsese (produtor executivo) chamou a editora Thelma Schoonmaker para salvar o material.

Análise — Notícias Flix

4.6
de 10

Boneco de Neve é um dos casos mais documentados de produção catastrófica do cinema americano dos anos 2010 — e o que está em tela mostra exatamente isso. Tomas Alfredson, diretor sueco vindo dos celebrados Deixa Ela Entrar (2008) e O Espião que Sabia Demais (2011), assumiu a tarefa de adaptar o sétimo livro da consagrada série Harry Hole de Jo Nesbø, um dos maiores fenômenos literários do crime escandinavo contemporâneo. O potencial era óbvio: diretor autoral europeu, ator no auge (Michael Fassbender pós-Vergonha, X-Men, 12 Anos de Escravidão), produção da Working Title Films, executivo Martin Scorsese. O resultado é uma das maiores decepções comerciais e críticas da década.

A história do desastre é o que torna o filme interessante. Em entrevista concedida após a estreia, Alfredson admitiu publicamente que **15% do roteiro original nunca chegou a ser filmado**. O cronograma foi cortado para que a produção pudesse mudar da Noruega para Londres antes do esperado, e cenas inteiras foram simplesmente eliminadas do plano. Quando a edição começou, Alfredson e a equipe perceberam que tramas inteiras tinham buracos lógicos sem solução — sequências de explicação faltavam, motivações de personagens nunca chegaram a ser estabelecidas, conexões entre vítimas existiam apenas no roteiro original.

Para tentar salvar o material, Scorsese chamou Thelma Schoonmaker — sua editora pessoal há mais de 50 anos, vencedora de três Oscars (O Aviador, Os Bons Companheiros, Os Infiltrados). Mesmo com edição de uma das maiores nomes da história do cinema, foi impossível. O filme tem cenas que começam sem contexto, personagens que aparecem por minutos e desaparecem para sempre, motivações que se anulam mutuamente, reviravoltas que ninguém explica. Val Kilmer, em uma das suas últimas participações em filme antes de problemas de saúde graves, aparece em apenas duas sequências curtas (em uma delas, com a voz claramente dublada por outro ator).

Mesmo assim, há momentos que funcionam. Michael Fassbender entrega Harry Hole com peso emocional adequado — alcoólatra de gênio, desconfiado, gelado por fora e atormentado por dentro. As locações reais de Oslo no inverno têm beleza fotográfica que Dion Beebe (Memórias de Uma Gueixa) captura com elegância. Marco Beltrami sustenta a trilha. Quando o filme funciona, é em sequências individuais isoladas — nunca como narrativa conectada.

Faturou US$ 43 milhões mundiais sobre US$ 35 milhões — flop comercial. 7% no Rotten Tomatoes (sim, sete). New York Times: "chumbo, coalhado, exasperante". O autor Jo Nesbø chegou a ter cameo gravado, mas suas cenas foram cortadas. A franquia Harry Hole — projetada para múltiplos filmes — morreu antes da segunda adaptação. Para fãs de cinema-de-desastre como objeto de estudo, é peça obrigatória. Para fãs do livro, é traição. Para crime escandinavo, melhor procurar A Garota com a Tatuagem de Dragão (2009) ou Millennium (2011).

Pontos fortes

  • Michael Fassbender entrega Harry Hole com peso emocional adequado
  • Fotografia de Dion Beebe captura Oslo no inverno com elegância
  • Trilha de Marco Beltrami sustenta tom adequado
  • Caso de estudo cinematográfico sobre o que pode dar errado em produção
  • Locações reais norueguesas dão autenticidade visual ao thriller

Pontos fracos

  • 15% do roteiro original nunca chegou a ser filmado, segundo o diretor
  • Cenas começam sem contexto, motivações de personagens nunca estabelecidas
  • Val Kilmer com voz claramente dublada por outro ator em algumas cenas
  • 7% no Rotten Tomatoes — uma das piores recepções de 2017
  • Franquia Harry Hole projetada para múltiplos filmes morreu logo de cara
Vale a pena se: Você é fã dos romances de Jo Nesbø e quer ver onde a adaptação cinematográfica deu errado, gosta de cinema de gênero crime escandinavo no estilo Millennium ou A Garota com a Tatuagem de Dragão, ou tem interesse em casos famosos de produção desastrosa do cinema contemporâneo.

Bilheteria

Orçamento
US$ 35 mi
Arrecadação mundial
US$ 43 mi
Retorno
1,2× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Hossein Amini
Fotografia
Dion Beebe
Trilha sonora
Marco Beltrami
Edição
Claire Simpson
Duração
119 min

Curiosidades sobre Boneco de Neve

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

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