A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
Filme

A Longa Marcha: Caminhe ou Morra

"Até onde você consegue ir?"

★ 6.9 2025 1h 49m 18 Ficção científica · Terror · Thriller

Em uma versão distópica dos Estados Unidos, governada por regime militar autoritário, cem adolescentes participam de uma competição anual: A Longa Marcha. As regras são cruéis. Os participantes precisam caminhar ininterruptamente, sem parar e sem cair abaixo de quatro quilômetros…

Onde assistir
Diretor
Francis Lawrence
Elenco
Cooper Hoffman, David Jonsson, Ben Wang
Produção
Lionsgate, Media Capital Technologies
Origem
EUA
Título original
The Long Walk

Onde Assistir A Longa Marcha: Caminhe ou Morra no Brasil

Claro tv+
Telecine Amazon Channel

Sinopse

Em uma versão distópica dos Estados Unidos, governada por regime militar autoritário, cem adolescentes participam de uma competição anual: A Longa Marcha. As regras são cruéis. Os participantes precisam caminhar ininterruptamente, sem parar e sem cair abaixo de quatro quilômetros por hora. Quem desacelera recebe três avisos. Quem recebe o quarto, leva um tiro. O último em pé ganha qualquer coisa que pedir.

Raymond Garraty (Cooper Hoffman), o competidor de número 47, entra na maratona com motivações pessoais que o filme revela aos poucos. Ao longo dos dias e centenas de quilômetros, ele forma laços improváveis com outros caminhantes — Peter McVries (David Jonsson), Hank Olson (Ben Wang), Stebbins (Garrett Wareing) — e descobre que a verdadeira tortura da competição não é física, é o que o esgotamento faz com a humanidade dos sobreviventes.

Dirigido por Francis Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas), com roteiro de JT Mollner, adapta o romance de Stephen King publicado em 1979 sob o pseudônimo Richard Bachman — livro escrito ainda na faculdade, considerado infilmável por décadas.

Análise — Notícias Flix

7.8
de 10

A Longa Marcha é, finalmente, a adaptação que o livro de Stephen King merecia há quatro décadas. Escrito por King ainda na faculdade no fim dos anos 60, publicado em 1979 sob o pseudônimo Richard Bachman, o romance era considerado quase infilmável — premissa simples (cem adolescentes andando até a morte) que não tem reviravoltas, não tem antagonistas tradicionais, não tem ação além de cada passo doloroso. Vários diretores tentaram, todos desistiram, até Francis Lawrence aceitar o desafio.

Lawrence, veterano dos blockbusters distópicos com Em Chamas e A Esperança da franquia Jogos Vorazes, faz aqui o filme mais minimalista da carreira — e provavelmente o melhor. A escolha mais corajosa é manter o ritmo do livro: o filme caminha. Literalmente. Por longas sequências, a câmera acompanha os adolescentes em silêncio enquanto eles atravessam paisagens que mudam pouco, conversam coisas que se repetem, observam os colegas serem executados ao lado. A monotonia da maratona vira monotonia da experiência cinematográfica — não como falha, mas como decisão estética.

Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Hoffman, entrega Garraty com peso emocional que prenuncia carreira longa. Ele constrói a degradação psicológica de quem caminha por dias sem dormir, sem cair abaixo da velocidade letal, sem distância emocional dos outros corpos que vão tombando — performance física pura, mas com profundidade que o pai sabia entregar. David Jonsson, vindo de Alien Romulus, sustenta McVries como o mais perto de uma figura paterna que o filme oferece. Charlie Plummer, no papel do antagonista interno Barkovitch, calibra o cinismo no nível certo de irritação.

A maior conquista do filme está em traduzir o subtexto político de King para 2025 sem subscrever. O livro foi escrito durante a Guerra do Vietnã, como crítica indireta à juventude americana enviada para morrer em rituais arbitrários do Estado. JT Mollner, no roteiro, mantém a alegoria sem traduzi-la — o regime militar autoritário, o entretenimento televisivo da morte, a multidão aplaudindo nas margens da estrada são figuras que dialogam com Squid Game, Battle Royale e Jogos Vorazes mas têm densidade própria.

Faturou US$ 63 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 20 milhões — performance comercial sólida que justifica o risco do material. Trilha de Jeremiah Fraites (The Lumineers) carrega o peso emocional sem sublinhar. Para fãs de King, é tratamento à altura de um dos seus livros mais subestimados. Para quem nunca leu, é cinema de gênero que não se parece com nenhum outro.

Pontos fortes

  • Cooper Hoffman entrega protagonista com peso emocional do pai Philip Seymour
  • Francis Lawrence respeita a monotonia proposital do livro original
  • Tradução do subtexto político de King sem traduzir o que era alegoria
  • Trilha de Jeremiah Fraites (The Lumineers) sustenta peso sem sublinhar
  • Elenco coral de adolescentes com química convincente em situação extrema

Pontos fracos

  • Ritmo lento e estrutura repetitiva podem afastar quem espera ação
  • Premissa única não permite reviravoltas tradicionais de gênero
  • Densidade política do livro pode passar despercebida sem contexto
  • Final fiel ao livro pode frustrar quem espera catarse hollywoodiana
Vale a pena se: Você curte distopias de Stephen King no estilo de O Concorrente ou A Espera de um Milagre, gostou de Squid Game e Battle Royale como crítica social, e topa um filme que aposta na monotonia proposital como recurso estético em vez de fugir dela.

Bilheteria

Orçamento
US$ 20 mi
Arrecadação mundial
US$ 63 mi
Retorno
3,2× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
JT Mollner
Fotografia
Jo Willems
Trilha sonora
Jeremiah Fraites
Edição
Mark Yoshikawa
Duração
109 min

Curiosidades sobre A Longa Marcha: Caminhe ou Morra

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

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