John Carpenter transforma Chapeuzinho Vermelho em HQ

Por Leandro Lopes 08/06/2026 às 05:36 5 min de leitura Atualizado: 10/06/2026
John Carpenter transforma Chapeuzinho Vermelho em HQ
5 min de leitura

John Carpenter está levando Chapeuzinho Vermelho para o horror em A Tale of Red Riding, Rise of the Alpha Huntress, graphic novel da Storm King Press que chega em 09/06/2026 por US$ 24,99. A história troca o lobo do conto por lobisomens, magia lunar e uma heroína que sai da posição de vítima.

É uma ideia fácil de vender. E também fácil de exagerar.

Então vamos ao que interessa: o que essa HQ realmente traz, qual é o papel de Carpenter no projeto e se existe algum caminho oficial para o leitor brasileiro.

Ficha rápida do lançamento

Dado Informação confirmada
Título A Tale of Red Riding, Rise of the Alpha Huntress
Formato Graphic novel
Autor Neo Edmund
Arte Jan Duursema
Editora Storm King Press / Storm King Comics
Páginas 160
Acabamento Paperback
Preço US$ 24,99
Lançamento 09/06/2026
UPC 979-8992811643

A página oficial da editora já lista a obra no catálogo da Storm King. Se quiser conferir o lançamento direto na fonte, o caminho é o site oficial da Storm King Comics.

Chapeuzinho Vermelho virou caçadora

A premissa abandona a estrutura mais conhecida do conto logo de cara. Red Riding tem 17 anos, foi criada em um orfanato e recebe uma carta da suposta avó.

Essa carta leva a protagonista até Wayward Woods. No caminho, ela cruza com Wolfgang Helheim, um cavaleiro mascarado que já entrega o tom da história: menos fábula, mais fantasia sombria.

Tem lobisomem, profecia, criaturas fantásticas e um romance atravessado por rivalidade. Depois, Red recebe poderes dos espíritos lunares e assume o nome de The Alpha Huntress.

Ou seja: a garota do capuz não corre do monstro. Ela vira parte da guerra.

Essa inversão não é nova no horror pop. Fables, The Wolf Among Us e até A Garota da Capa Vermelha já brincaram com o mesmo terreno.

A diferença aqui está no pacote. Em vez de suspense gótico puro, a HQ parece abraçar ação, mitologia de lobisomens e uma pegada de “chosen one” que conversa mais com dark fantasy do que com terror clássico.

Funciona? No papel, sim. A mistura é comercial, direta e imagética.

Carpenter empresta o nome — e isso pesa

Vale separar as funções. John Carpenter não é o autor da HQ.

O roteiro é de Neo Edmund, com arte de Jan Duursema. Carpenter entra pelo selo: a Storm King Comics, braço editorial fundado por ele e já associado a quadrinhos de terror.

Isso muda a leitura do anúncio. Não é “John Carpenter escreveu uma nova Chapeuzinho Vermelho”, e sim “um projeto do selo de Carpenter usa o prestígio dele para vender uma releitura mais agressiva”.

E faz sentido. Carpenter passou décadas construindo a própria marca em cima de slasher, paranoia, sobrenatural e monstros. Colocar o nome dele em uma HQ sobre uma caçadora-lobisomem é quase um atalho de posicionamento.

Tem um risco aí, claro. Quando o nome na capa é maior que o do time criativo, muita gente compra esperando uma assinatura autoral mais forte do que o projeto realmente oferece.

Por outro lado, a Storm King já conhece esse nicho. O selo trabalha com antologias, horror de autor e fantasia de monstro faz tempo, então essa HQ não parece um desvio estranho de catálogo.

Entre Fables e The Wolf Among Us

O lugar dessa graphic novel no mercado é bem claro. Ela tenta pegar a nostalgia do conto infantil e empurrar tudo para um cenário de combate, maldição e desejo adolescente.

É o tipo de produto que mira dois públicos ao mesmo tempo: fã de horror leve e leitor de quadrinho independente que curte releitura de conto clássico.

Obra Formato Tom Ponto em comum
A Tale of Red Riding, Rise of the Alpha Huntress Graphic novel Fantasia sombria com lobisomens Chapeuzinho Vermelho reimaginada
Fables HQ Contos de fadas adultos Personagens clássicos em mundo brutal
The Wolf Among Us Jogo narrativo Noir fantástico Lobo e contos em chave violenta
A Garota da Capa Vermelha Filme Romance sombrio Leitura gótica do mesmo conto-base

O apelo é óbvio. Conto infantil corrompido continua vendendo porque mistura familiaridade com estranhamento.

Você já conhece o capuz vermelho, a floresta e o lobo. A graça está em descobrir até onde a releitura vai sujar esse imaginário.

A má notícia é simples: não há edição brasileira anunciada para A Tale of Red Riding, Rise of the Alpha Huntress.

Até aqui, o lançamento confirmado é o da Storm King Press no mercado internacional. Então, para o leitor brasileiro, o acesso depende de importação.

E importação de quadrinho pesa no bolso. Os US$ 24,99 de capa ainda podem virar uma compra bem mais cara quando entram frete, taxa e variação do dólar.

Também não apareceu divulgação de versão nacional por editora brasileira. Sem isso, a obra deve circular mais entre colecionadores, fãs de Carpenter e quem já compra HQ gringa com frequência.

Tem outro detalhe. Como a HQ chega sem título brasileiro oficial, ela tende a ficar ainda mais escondida por aqui, porque foge do radar do leitor casual que buscaria apenas por “Chapeuzinho Vermelho”.

Mesmo assim, o projeto tem um gancho forte. Carpenter mexendo com um conto tão conhecido chama atenção até de quem não acompanha quadrinho independente.

Resta saber se essa Red armada, amaldiçoada e turbinada por espíritos lunares vai sair do nicho do horror de catálogo — ou se fica só como mais uma curiosidade pesada da Storm King para quem topa importar em inglês.