Backrooms: Terror da A24 vira um caso raro nos cinemas

Por Rafael Duarte 22/06/2026 às 00:00 5 min de leitura
Backrooms: Terror da A24 vira um caso raro nos cinemas
5 min de leitura

Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms) saiu do nicho e virou caixa grande. O terror da A24 bateu US$ 300 milhões no mundo, custou só US$ 10 milhões e ainda segue em cartaz no Brasil.

Resumo rápido

Não é um susto qualquer. É o maior acerto comercial da A24 até agora, num ano em que o estúdio achou um blockbuster sem abrir mão da cara estranha que o público já associa à marca.

US$ 300 milhões com um filme de US$ 10 milhões

O número mais chamativo não é só a bilheteria. É a margem. Backrooms multiplicou o próprio orçamento em cerca de 30 vezes, algo raro até para terror, um gênero que já costuma trabalhar com custos mais baixos.

Desse total, US$ 175 milhões vieram do mercado americano. Outros US$ 125 milhões vieram do resto do mundo. A conta fecha nos US$ 300 milhões e coloca o longa num patamar que a A24 não costuma frequentar.

Isso pesa ainda mais porque estamos falando de um estúdio conhecido por filmes menores, autorais e de boca a boca lento. Com Backrooms, a lógica foi outra: estreia forte, discussão online e curiosidade virando ingresso.

Cena de Backrooms: Um Não-Lugar mostrando Clark em corredor infinito com iluminação fluorescente e clima claustrofóbico
Cena de Backrooms: Um Não-Lugar mostrando Clark em corredor infinito com iluminação fluorescente e clima claustrofóbico (Reprodução)
Ficha técnica Detalhe
Título no Brasil Backrooms: Um Não-Lugar
Título original Backrooms
Direção Kane Parsons
Estúdio/distribuidora A24
Gênero Terror psicológico
Base de origem Websérie / creepypasta
Estreia 29/05/2026
Elenco principal Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve
Personagens citados Clark, Mary Kline
Orçamento US$ 10 milhões
Bilheteria nos EUA US$ 175 milhões
Bilheteria internacional US$ 125 milhões
Bilheteria global US$ 300 milhões
Abertura US$ 81,4 milhões
Status no Brasil Em cartaz nos cinemas

Abertura gigante, queda forte, caixa enorme

Backrooms abriu com US$ 81,4 milhões nos três primeiros dias. Para um terror psicológico baseado em creepypasta, isso já parecia fora da curva. Para a A24, então, parecia outro esporte.

Na segunda semana, a queda foi pesada: 67,7%. Normalmente, esse tipo de tombo acende alerta. Aqui, não derrubou o filme porque a largada foi grande demais.

Tem mais um detalhe. Em 19 de junho, a cobertura internacional ainda colocava o longa acima de US$ 250 milhões. Poucos dias depois, ele já encostou nos US$ 300 milhões. Foi uma reta curta e muito lucrativa.

O horror de internet finalmente achou escala

Backrooms nasceu da cultura digital. Primeiro como ideia viral, depois como websérie e creepypasta, sempre cercado por aquele desconforto de corredores vazios, luz ruim e sensação de estar preso num lugar errado.

No cinema, isso virou produto de massa sem perder a estranheza. Kane Parsons, com só 21 anos, pegou um conceito que o público jovem já reconhecia na hora e transformou curiosidade em evento.

Mas não foi só meme com orçamento maior. Chiwetel Ejiofor, no papel de Clark, dá peso dramático ao centro da história. Renate Reinsve, como Mary Kline, ajuda a puxar o filme para um terror mais psicológico do que barulhento.

Chiwetel Ejiofor walking around a room in Backrooms.
Chiwetel Ejiofor walking around a room in Backrooms. (Reprodução)

Funciona porque o conceito é simples de explicar e difícil de esquecer. Você olha para uma imagem e entende o clima. Esse tipo de reconhecimento instantâneo vale ouro em rede social.

A24 achou um blockbuster do seu jeito

A24 já teve terrores muito comentados. Hereditário, Midsommar, X e Fale Comigo provaram isso. Só que uma coisa é virar assunto. Outra é bater US$ 300 milhões com um filme tão barato.

Backrooms virou o maior hit comercial do estúdio até o momento. E isso mexe no desenho do mercado. Se uma IP nascida da internet entrega esse tamanho de retorno, a fila de projetos parecidos aumenta amanhã cedo.

Nem por isso o caso parece replicável com facilidade. O filme juntou timing, marketing viral, estética reconhecível e um público jovem que gosta de ir ao cinema quando sente que está participando de um evento.

Esse talvez seja o dado mais forte da história toda. Não foi um personagem famoso, nem uma continuação. Foi uma ideia esquisita, de internet, vendida do jeito certo.

Nos cinemas brasileiros, e ainda sem streaming definido

Para quem está no Brasil, o caminho continua sendo a sala de cinema. Backrooms segue em cartaz por aqui, e as opções de sessão variam entre dublagem e legenda conforme a rede e a cidade.

Streaming, por enquanto, nada anunciado oficialmente para o catálogo brasileiro. Então vale checar a programação local antes que o filme perca espaço para as próximas estreias de julho.

O longa também reforça uma mudança de hábito. Terror de conceito voltou a ser programa de cinema, não só de sofá. E quando a A24 encontra um corredor amarelo capaz de gerar US$ 300 milhões, a pergunta deixa de ser se Backrooms funcionou — e passa a ser qual IP de internet será a próxima a tentar esse mesmo salto.

Trailer