Noventa minutos. Esse era o tempo que a equipe de maquiagem tinha para transformar Jacob Tremblay em Auggie Pullman, protagonista de “Extraordinário” (2017). O processo normal levaria três horas, mas leis trabalhistas para atores menores de idade forçaram a equipe a encontrar atalhos criativos.
Resumo rápido
- A maquiagem completa levava normalmente 3 horas, reduzida para 90 minutos
- Duas próteses cobriam cabeça, pescoço e rosto de Jacob Tremblay
- O trabalho foi indicado na categoria de Melhor Maquiagem no BAFTA
- Tremblay hoje tem 19 anos e segue ativo no cinema
“Extraordinário” conta a história de Auggie, garoto com a síndrome de Treacher Collins que enfrenta o primeiro ano escolar entre colegas e a pressão social que vem com diferenças visíveis. Para dar vida ao personagem, a produção investiu em efeitos práticos de altíssimo nível técnico.
O artista por trás da transformação

A caracterização ficou nas mãos de Arjen Tuiten, especialista em efeitos especiais de maquiagem com currículo de peso: passou por produções como “Malévola”, “O Labirinto do Fauno” e a “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton antes de assumir o desafio de “Extraordinário”.
O processo envolvia duas peças protéticas principais, cobrindo cabeça, pescoço e rosto de Tremblay. Além disso, a equipe usou lentes de contato para ajustar o tamanho da íris, dentes customizados feitos sob medida e peruca confeccionada manualmente, item por item.
Com o limite de horas de trabalho permitido para atores menores de idade, a equipe liderada por Tuiten, com apoio do maquiador Robert Pandini e de Michael Nickiforek, em Vancouver, precisou reduzir ainda mais o tempo de aplicação, chegando a 75 minutos em alguns dias de filmagem.
| Tempo de maquiagem padrão | 3 horas |
| Tempo reduzido (ator menor de idade) | 90 minutos, depois 75 minutos |
| Criador dos efeitos | Arjen Tuiten |
| Reconhecimento | Indicação ao BAFTA de Melhor Maquiagem |
| Idade de Tremblay hoje | 19 anos |
Por que o tempo de aplicação importava tanto
Leis trabalhistas que protegem atores mirins limitam rigorosamente as horas que podem passar em set, incluindo o tempo de preparação antes das filmagens. Isso colocou pressão extra sobre a equipe técnica, que precisava entregar resultado visualmente convincente sem comprometer o cronograma legal de trabalho infantil.
Essa restrição forçou inovação real no processo. Em vez de aplicar cada elemento de forma sequencial e demorada, a equipe desenvolveu técnicas para acelerar etapas sem perder qualidade, conquista que rendeu reconhecimento da própria indústria com a indicação ao BAFTA.
O resultado final convenceu tanto crítica quanto público, contribuindo para o sucesso comercial e de recepção do filme, que se tornou referência de representatividade e empatia no cinema voltado a famílias.
Onde Jacob Tremblay está hoje
Jacob Tremblay nasceu em 5 de outubro de 2006 e tem hoje 19 anos. Desde “Extraordinário”, manteve carreira ativa no cinema, acumulando papéis em diferentes gêneros e amadurecendo como ator ao longo da última década.
Em 2025, estrelou “Sovereign” ao lado de Nick Offerman, demonstrando que a transição de ator mirim para papéis mais maduros seguiu de forma consistente. A trajetória de Tremblay reforça como performances marcantes na infância, mesmo sob efeitos especiais elaborados, podem abrir caminho duradouro no audiovisual.
Para quem assistiu “Extraordinário” na época do lançamento, ver o crescimento do ator nos anos seguintes reforça o quanto aquela atuação, escondida sob horas de prótese e maquiagem, já carregava talento genuíno por trás da transformação física.
O impacto duradouro da representação no filme
Mais do que efeito técnico impressionante, a caracterização de Auggie cumpriu papel narrativo central: permitir que o público enxergasse além da aparência do personagem, focando na experiência emocional de adaptação escolar e aceitação social que move toda a trama.
Esse cuidado visual, somado à atuação de Tremblay por trás das próteses, ajudou “Extraordinário” a se consolidar como referência de filme sobre empatia e diferença, citado até hoje em discussões educacionais sobre inclusão e convívio escolar.
O trabalho de Arjen Tuiten também reforçou a importância dos efeitos práticos numa época cada vez mais dominada por recursos digitais. A escolha por próteses físicas, em vez de manipulação totalmente em computação gráfica, deu à transformação de Auggie textura e presença que muitos críticos apontaram como diferencial do filme.
Quase uma década depois do lançamento, a combinação entre técnica premiada e atuação convincente segue rendendo discussões sobre bastidores, reforçando o interesse contínuo do público em entender como, exatamente, aquela transformação aconteceu nas telas.
Esse tipo de curiosidade também ajuda a valorizar profissões pouco visíveis do cinema. Maquiadores de efeitos especiais raramente recebem o mesmo reconhecimento de atores e diretores, mas casos como o de Arjen Tuiten em “Extraordinário” mostram como o trabalho técnico pode ser decisivo para o sucesso emocional de uma produção inteira.
Décadas de evolução em efeitos práticos de maquiagem culminaram nesse tipo de resultado, onde a linha entre prótese e rosto real praticamente desaparece para o espectador. Esse nível de detalhe técnico raramente é percebido em tempo real durante a exibição, mas se revela essencial quando o público entende, depois, todo o processo por trás da cena.