As Quatro Estações estreou a 2ª temporada na Netflix em 28/05/2026 e volta melhor. A série com Tina Fey troca parte do conforto da comédia de grupo por um drama mais maduro, mais triste e, curiosamente, mais afiado.
Tem spoiler do final, sim. Mas é o tipo de spoiler que ajuda a entender por que a temporada nova funciona mais do que a primeira.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | As Quatro Estações |
| Título no Brasil | As Quatro Estações |
| Criadoras | Tina Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield |
| Elenco principal | Tina Fey, Will Forte, Colman Domingo, Marco Calvani, Kerri Kenney-Silver e Erika Henningsen |
| Gênero | Comédia dramática |
| Formato | Série live-action |
| Temporada em foco | 2ª temporada |
| Estreia da 2ª temporada | 28/05/2026 |
| Plataforma no Brasil | Netflix |
| Base | Releitura de uma história dos anos 1980 |
Agora o grupo inteiro importa
A primeira temporada ainda parecia presa ao próprio conceito. Girava demais em torno de uma crise específica e deixava o resto do elenco orbitando.
Na 2ª, isso muda rápido. A morte de Nick e a gravidez de Ginny deixam de ser só choque narrativo e viram a rachadura que reorganiza todo o grupo.
A série cresce porque espalha melhor o peso dramático. Kate, Jack, Danny, Claude e Anne deixam de ser apoio de luxo e passam a mover a trama.
Também ajuda o jeito como o texto desacelera. Menos fala espirituosa em sequência. Mais silêncio estranho em viagem, jantar e conversa atravessada.
Essa troca tem custo. O ritmo fica menos leve. Em compensação, a temporada gruda mais.

Anne, Danny e Claude finalmente respiram
Kerri Kenney-Silver sai com o material mais espinhoso da temporada. Anne continua em crise depois do divórcio, mas a série para de tratá-la como reação ao passado.
Ela ganha espaço próprio. E no tom do personagem.
Colman Domingo e Marco Calvani também sobem de patamar. Danny e Claude carregam um afeto adulto raro em comédia de streaming: íntimo, cansado, amoroso e, às vezes, mal resolvido.
Não é um arco espalhafatoso. É melhor por isso.
Will Forte faz menos barulho, mas segura firme quando o texto ameaça escorregar para o melodrama. Jack funciona como âncora de realidade num grupo que vive acumulando desgaste.
Já Erika Henningsen aparece como lembrança permanente de que o luto não terminou. Ginny não entra em cena só para empurrar mistério ou culpa; ela mantém a ferida aberta.
Nem tudo acerta. Alguns movimentos são previsíveis, principalmente quando a temporada precisa fechar conversas mais emotivas. Só que a execução está bem mais refinada do que antes.

Menos remake dos anos 1980, mais série de 2026
The Four Seasons nasceu como releitura de um material dos anos 1980. Na prática, a 2ª temporada parece menos preocupada em carregar essa herança na testa.
Isso faz bem. Em vez de viver de nostalgia, a série abraça assuntos que batem mais forte hoje: amizade adulta desgastada, segunda chance afetiva, gravidez em meio ao luto e casamento sobrevivendo no improviso.
O humor continua ali. Só não vem mais como escudo o tempo todo.
Quando acerta, a sensação lembra Dead to Me em modo mais gentil. Menos veneno, mais melancolia.
A própria Netflix tratou essa nova fase como aprofundamento do grupo em material publicado no Tudum, site oficial da plataforma. É uma boa leitura. O texto ouve melhor cada personagem.
Mas será que ela virou outra série? Não. Ainda existe conforto demais em algumas viradas. A diferença é que agora esse conforto vem acompanhado de consequência emocional.
| Série parecida | Plataforma no Brasil | O parentesco |
|---|---|---|
| Grace and Frankie | Netflix | Humor de vida adulta e recomeços |
| Dead to Me | Netflix | Luto e amizade em tom agridoce |
| Only Murders in the Building | Disney+ | Química forte de elenco |
| Somebody Somewhere | Max | Afeto, melancolia e diálogos mais íntimos |
The Four Seasons fica no meio desse caminho. Não tem o cinismo de The White Lotus, nem a doçura de Grace and Frankie. O sabor é outro.

O final mexe mais no futuro do que no passado
O último episódio não fecha tudo com laço. Ele reposiciona o grupo.
A temporada transforma a perda em virada prática. As amizades mudam de peso, os casais passam a se encarar de outro jeito e algumas combinações de personagens ficam claramente prontas para o próximo ciclo.
Anne sai diferente do lugar em que entrou. Danny e Claude terminam a temporada com novas possibilidades no horizonte. Kate e Jack observam o próprio casamento de um ponto menos confortável.
Esse desenho é mais interessante do que um final redondinho. A 2ª temporada entende que gente adulta quase nunca resolve a vida inteira em um episódio.
Também por isso o desfecho funciona melhor do que muita “explicação de final” costuma vender. Não é sobre responder cada detalhe. É sobre mostrar quem ainda consegue andar junto depois da pancada.
The Four Seasons já está na Netflix no Brasil
A 2ª temporada entrou hoje no catálogo brasileiro da Netflix. Se a primeira parecia um teste de química, a nova leva entrega um grupo mais vivo, mais ferido e muito mais interessante de acompanhar.
Agora falta a decisão que realmente importa: a Netflix vai renovar enquanto a série está no auge emocional ou vai parar justo quando The Four Seasons finalmente encontrou sua melhor forma?